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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Uma ação muito digna e nobre é esta de rezar pelos mortos


 
 Numa das leituras deste dia, do livro dos Macabeus (Macabeus 12,43-45), fala-nos do costume das pessoas piedosas de Israel de rezar pelos mortos e louva a sua ação. É uma afirmação da fé na realidade desse lugar de purificação e da possibilidade de ajudarmos os que morreram na graça de Deus.
Apoiados na união de todos em Cristo, através do Seu Corpo Místico de que todos fazemos parte, podem passar as ajudas para os nossos irmãos que sofrem as penas do Purgatório.
«Em virtude da Comunhão dos santos – diz também o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, n. 211 – os fiéis ainda peregrinos na terra podem ajudar as almas do Purgatório oferecendo as suas orações de sufrágio, em particular o Sacrifício eucarístico, mas também esmolas, indulgências e obras de penitência».
Vivamos esta caridade para com todas as almas, em especial com as das nossas famílias.
O Concílio Ecumênico Vaticano II lembrou: «Reconhecendo claramente esta comunicação de todo o Corpo Místico de Cristo, a Igreja dos que ainda peregrinam, cultivou com muita piedade, desde os primeiros tempos do Cristianismo, a memória dos defuntos e, 'porque é coisa santa e salutar rezar pelos mortos, para que sejam absolvidos de seus pecados' (2 Mac.12, 46), por eles ofereceu também sufrágios» (Lumen Gentium 50).
Santo Agostinho conta no livro das Confissões que a mãe, Santa Monica, lhes pedia a ele e seu irmão para não fazerem grandes despesas com o seu funeral, levando o seu corpo para a sua terra, no norte de África, mas para a lembrarem junto do altar de Deus. È uma lição bem atual. Hoje gasta-se muito dinheiro em flores nos funerais, que em nada podem ajudar os defuntos. Esquecem-se que poderiam sufragar os seus mortos mandando celebrar missas, dando esmolas e rezando mais por eles.
Ao rezar pelos que morreram avivamos a certeza de que havemos de ressuscitar, como lembra o texto de Macabeus. Avivamos também o desejo de nos encontrarmos com eles no céu.
Em relação à morte, temos de nos guiar pelos ensinamentos de Jesus e da Sua Igreja. São muito consoladoras as verdades da fé e, em concreto, as que se referem à vida eterna e à nossa comunhão em Cristo com os que morreram.
Podemos ajudá-los e também recorrer à sua intercessão. Podem pedir por nós, porque são almas santas amigas de Deus. Não podem ver-nos como os santos do céu, mas podem conhecer os nossos pedidos. Esta devoção às almas do Purgatório, enraizada em muitos cristãos, é uma forma muito bonita de viver a comunhão dos santos, a entre ajuda entre todos membros do Corpo Místico de Cristo.
Podemos lembrar também que o Purgatório não é apenas lugar de sofrimento. As almas sofrem antes de mais a privação da visão de Deus. Sofrem também o fogo purificador. É através do sofrimento que se purificam.
Mas gozam também duma alegria muito grande: saberem-se amadas por Deus e terem já a certeza de ir para o céu.
Pedimos à Virgem Santíssima, Nossa Senhora da Boa Morte, que nos ajude a passar já na terra o nosso purgatório, aproveitando os nossos sofrimentos e as nossas boas obras. E a vivermos melhor a fé nas verdades que hoje recordamos e a caridade para com os nossos irmãos que partiram.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Minha opinião sobre o atual Sínodo?




Apesar do temor e tremor que esta confusão toda faz surgir em minha alma, penso que seja bom tudo isto. Explico...
1. Um Sínodo tem sempre uma natureza consultiva, ou seja, não tem um poder de decisão sobre os assuntos e questões tratados. Serve "para favorecer uma estreita união entre o Romano Pontífice e os bispos, e auxiliar com seu conselho o Romano Pontífice" (Gianfranco Guirlanda). É sempre representativo do episcopado, um sinal do chamado "afeto colegial".
2. As finalidades principais de um Sínodo, segundo o cânon 342 do Código de Direito Canônico, são duas:
a. Favorecer uma estreita união entre o Romano Pontífice e os bispos, através de uma solicitude dos mesmos para com o Ministério do Papa, na fé, na caridade e na solicitude pastoral.
b. Auxiliar com o seu CONSELHO (!!!) o Romano Pontífice no exercício do Ministério Petrino, na preservação da fé e dos costumes, na observância e consolidação da disciplina eclesiástica, e ainda para estudar questões que se referem à ação da Igreja no mundo.
Portanto, o Sínodo não tem nenhum poder de decidir absolutamente nada... Não tem o poder de modificar a doutrina da Igreja, sua disciplina, seus costumes, sua ação pastoral. É um órgão consultivo. Importante, porque leva ao Santo Padre visões, pensamentos, opiniões, discussões, etc... Mas não tem nenhum poder decisório em relação à fé, à moral, aos costumes, etc.
3. A meu ver, o Santo Padre está agindo com sabedoria neste Sínodo. Há anos que todos nós, católicos, estamos escutando estas questões, estas intermináveis discussões, sobre a comunhão dos divorciados, sobre se se deve ou não abençoar as segundas uniões, sobre o "casamento" entre homossexuais, etc. Em muitos lugares, por iniciativa própria, há quem já tenha decidido dar a comunhão a casais nestas condições, há quem já abençoou estas uniões, etc., criando uma enorme confusão na Igreja e no mundo. A meu ver, o Santo Padre age com sabedoria, deixando que se fale sobre estas questões, que se apresente estas situações, a profunda divisão que já existe no seio da Igreja em relação a isto. Não é o Sínodo quem está criando a confusão: ela já existe, e em muitas realidades, vive-se no espírito do "salve-se quem puder", cada um decidindo, por conta própria o que fazer, sem dar a mínima para o que a Igreja tradicionalmente ensina... É mentira isto?
3. O fato de que se exponham estas realidades, estas posturas e suas fundamentações, ainda que esdrúxulas, com liberdade, a meu ver não é um mal. É bom isto, no sentido de que cada um possa dizer o que pensa, com sinceridade. Não consigo ver isto como um mal. Que falem, que exponham sua visão. Até agora, por medo e por falta de sinceridade mesmo (covardia...), estes assuntos eram tratados em surdina, em baixa voz. Pior ainda, alguns mudavam a disciplina da Igreja por conta própria, e pronto: problema resolvido! A atitude do Santo Padre, de incentivar que se fale é altamente positiva. Porque não posso imaginar, e tenho rezado muito por isso, que na hora de assinar uma Exortação pós Sinodal, o Santo Padre coloque sua assinatura em algo que seja contrário à fé, à disciplina, à moral e aos costumes da Igreja. 
4. Penso que, no final de toda esta discussão, de todas estas polêmicas, depois que cada um disse o que bem entender, e que o Santo Padre, na Exortação pós Sinodal, recolhendo aquilo que poderá ser aceitável no sentido da misericórdia, do acolhimento, colocar a sua assinatura final confirmando a doutrina tradicional da Igreja sobre estes assuntos, ninguém mais poderá reclamar de não ter podido falar, de não ter podido expressar sua opinião. Coerentemente, terão que assumir aquilo que Pedro disser e confirmar.
Esta é minha visão, fundamentada na fé de que, segundo as palavras do papa Emérito, Bento XVI, Cristo não abandona a sua Igreja!.
Penso que o momento presente, para nós que não estamos "dentro" do Sínodo seja o da oração. Pedindo a Deus que cada um dos sinodais diga o que pensa e o que os outros querem que seja dito. Pedir pelo Santo Padre, para que iluminado pelo Espírito Santo conduza a Igreja pelos caminhos da autêntica e verdadeira fé, pela qual, durante a história da Igreja, tantos e tantas, incluindo Papas, deram sua vida. 
Agora é o tempo da oração pela Igreja, pelo Papa e pelo Sínodo.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A soberania de Deus


 

 A Palavra de Deus fala-nos hoje, neste 29º Domingo do Tempo Comum A, da soberania de Deus: a 1ª leitura e o Evangelho falam-nos da soberania de Deus na condução da história do mundo; a 2ª leitura, da soberania de Deus na vida espiritual e na ação pastoral da Igreja.
A primeira leitura, tirada do livro do Profeta Isaías (Isaías 45,1.4-6)  dá-nos um exemplo dessa soberania na libertação do Povo de Deus do cativeiro da Babilônia. Humanamente falando, esse cativeiro terminou porque um rei estrangeiro conquistou a Babilônia e deu a liberdade aos prisioneiros. O profeta Isaías ensina que esse rei, Ciro, foi o instrumento de que Deus quis servir-se para realizar os seus planos. Sem haver conhecido o verdadeiro Deus, Ciro entra no plano de Deus ao libertar do cativeiro da Babilônia o Povo de Israel. Por isso, o profeta lhe chama de «Ungido do Senhor». «Deus é, em tudo e sempre, o Senhor».
A Providência de Deus está dentro e acima das ações dos homens. A ação constante da Providência não se capta na hora da sua execução, é algo em que se acredita, e só mais tarde, ao olhar os acontecimento do fim para o princípio, é que se descobre que andou ali a mão de Deus. «Ele é, em tudo e sempre, o Senhor».
 O texto do Evangelho, tirado de São Mateus (Mateus 22,1521), relata outra faceta dessa soberania absoluta de Deus. Dois partidos opostos (fariseus e herodianos) tentam comprometer Jesus na relação entre a fé e a política, apresentando-as como atitudes antagônicas. Jesus explica que uma não exclui a outra: Deus é o Senhor de tudo e só a Ele adoramos, mas não se alheia da atividade cívica e política, e o cristão deve ver aí um meio de ajudar a construir um mundo mais justo. Não afasta Deus do seu coração quando dá o seu voto e o contributo dos impostos justos. Faz tudo isso com os olhos em Deus, único juiz e Senhor da história. Mantém, porém um espírito lúcido e autônomo acerca dos atos governativos e, quando sentir que eles se afastam da lei de Deus e da justiça social, aquela fidelidade a Deus levá-lo-á a declarar a sua oposição a tais atos. César nunca é divino, nunca é absoluto, é somente César, alguém que exerce uma atividade humana, e os seus atos estão também sujeitos a Deus. Ao destruir a divinização da política, o cristão fez cair um dos mais poderosos ídolos da antiguidade e tornou humana a atividade política.
 A segunda leitura (1ª Carta de São Paulo aos Tessalonicenses 1,1-5b) convida a fazer uma reflexão sobre a soberania de Deus na vida espiritual e na ação pastoral da Igreja.
Paulo lembra que tudo o que se passou com os tessalonicenses, desde a sua pregação inicial até ao seu desenvolvimento, é obra do Espírito Santo. Na verdade, nós somos «servos necessários» na pregação da Palavra e na administração, mas a adesão interior das pessoas e a eficácia espiritual é obra da graça.
A Igreja é a vinha querida por Deus, como lembramos há dias, mas o viticultor é Deus. Nesse aspecto, confessamos a soberania de Deus e reconhecemo-nos a nós como «servos inúteis». Também aqui, «só Deus é o Senhor, só Ele é santo».
É essa soberania que proclamamos no Hino de Louvor da Missa (Glória) e que iremos cantar no «Sanctus» e na doxologia conclusiva da Prece eucarística.  

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Nossa Senhora da Conceição Aparecida


 
 
No ano de 1717, em uma pequena localidade do interior do Estado de São Paulo, nas águas do Rio Paraíba, foi encontrada uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição, que tornou-se objeto de crescente devoção dos brasileiros.
Conhecida como a imagem de “Nossa Senhora Aparecida”, ao seu redor iniciou-se um movimento de peregrinações que hoje atinge proporções gigantescas. Anualmente, cerca de doze milhões de romeiros dirigem-se à cidade de Aparecida, manifestando uma profunda devoção dirigida à Mãe de Deus, sob este título agora mundialmente conhecido.
No Santuário Nacional podem ser encontrados milhares de testemunhos da proteção celestial desta Mãe querida, carinhosamente chamada de Padroeira e Rainha do Brasil.
Esta devoção, arraigada na alma do povo brasileiro, dirige-se a esta mulher, Maria, figura eminente do Evangelho. A Palavra de Deus apresenta esta mulher como aquela que ouviu exemplarmente esta Palavra e que, como serva do Senhor, fez de sua vida uma generosa obediência ao Plano de Salvação realizado por Jesus.
Maria é aquela que diz “sim” ao Senhor, a “cheia de graça” que nos dá Jesus. Com sua fidelidade tornou-se modelo original da humanidade e da Igreja, aquela que se abre a Deus e se deixa enriquecer por Ele. Maria constitui um modelo essencial para a realização de qualquer existência cristã.
As Leituras bíblicas desta Solenidade refletem esta compreensão que a Igreja tem do mistério de Maria, inserido no Mistério de Cristo.
A primeira Leitura desta Solenidade é tirada do Livro de Ester (5,1b-2; 7,2b-3). O texto nos apresenta o desfecho de um episódio da história do povo hebreu, que estando exilado e cativo na Pérsia, viveu um grave risco de ser exterminado. Ester, sendo judia, sabendo da trama preparada por Aman, primeiro ministro que odiava os judeus, intercede a favor de seu povo e alcança as boas graças do rei. Ester é figura de Maria, enquanto intercessora pela salvação de seu povo.
A segunda Leitura é tirada do livro do Apocalipse de São João (12,1.5.13ª.15-16ª) nos apresenta a mulher adornada de todo esplendor (o sol, a lua, as doze estrelas). Esta mulher simboliza o novo Povo de Deus, a Igreja, o Corpo de Cristo. Esta mulher é vitima da perseguição do dragão infernal, Satanás, que pretende destruir o filho. Este menino dado à luz, sem dúvida, é o Cristo, o Messias de Deus. Este trecho do Apocalipse é, tradicionalmente aplicado à Santíssima Virgem. Já Santo Agostinho, como também São Bernardo, entre outros autores cristãos, viram na mulher do Apocalipse a representação de Maria, enquanto o mistério de sua existência se insere no Mistério de Cristo e de Sua Igreja.
No Evangelho da Missa de hoje, vamos ouvir o texto de São João (2,1-11) que nos fala das Bodas de Caná. Nossa Senhora, neste trecho, nos ensina uma lição magistral: “Fazei o que Ele vos disser”. Estas palavras de Nossa Senhora ressoam pelo mundo, até o final da história humana. Dela, aprendemos a obediência ativa a Jesus. Trata-se de “fazer”, que significa muito mais do que uma simples ação reflexa... É um “fazer” ativo, que exige antes de tudo a certeza de que Jesus tem o poder de modificar aquilo que representa a nossa incapacidade de corresponder com fidelidade ao Plano de Salvação de Deus. Neste sentido, Nossa Senhora nos dá uma indicação que tem repercussões de salvação. Fazer “o que Ele vos disser” significa abrir-se confiantemente ao Amor de Deus, amor este que Nossa Senhora experimentou sendo um instrumento eficaz de salvação, oferecendo-nos Jesus Cristo Nosso Senhor e Salvador.
Fazendo-se um de nós, Jesus Cristo não conheceu o pecado. Ele, santo e imaculado, para salvar-nos do pecado, quis que também sua Mãe fosse imune de culpa, um modelo de todos os que se salvam. Maria, unida ao Mistério de Cristo, vence definitivamente o mal do pecado. Agradeçamos e louvemos ao Pai por nos ter dado Maria, e alimentando-nos do Corpo do Senhor, sejamos como ela, vencedores do mal.
Peçamos a Nossa Senhora Aparecida que cuide da nossa Pátria e de todos os brasileiros.
 
 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Dignidade no Culto, onde está o eixo?







 
 

Escrevo, como se diz em italiano, "a braccio", sem Documentos específicos para justificar o que quero dizer... Se o Santo Padre arrisca-se, em seus discursos oficiais, em sair fora do texto e fazer isso, um pobre bispo do interior do RS terá maiores justificativas para o fazer.

Em uma recente postagem sobre a necessidade do respeito às Normas Litúrgicas vigentes e sobre o cuidado que devemos ter para com aquilo que se usa no culto litúrgico, li o comentário de um padre do Norte do Brasil, "das barrancas do Amazonas", dizendo que eu deveria ir trabalhar naquela região para entender melhor a situação, etc. e só depois falar. Segundo esta visão, então"os pobres" não tem direito a uma Liturgia celebrada segundo os parâmetros exigidos pela Igreja, pelo simples fato de que... são pobres. Bela e inteligente argumentação...: os ossos dos grande santos da Igreja, que viveram não só falando dos pobres, mas uma vida de autêntica pobreza, tais como São Francisco de Assis, o Cura d'Ars e tantos outros devem estar revolvendo-se em suas urnas mortuárias.

Primeiramente, a determinação de onde exerço meu Ministério Episcopal não depende de minha vontade própria. Vou onde a Santa Igreja me diz que eu deva ir. Se tivesse que exercer o Ministério em qualquer outro lugar, iria de bom grado, já que o melhor lugar para se estar e viver é onde Deus quer.

Em segundo lugar, o fato de que alguém viva nas barrancas do Amazonas, ou em uma favela de São Paulo, ou em um morro do Rio de Janeiro, ou em qualquer outro lugar ou situação, não lhe tira o direito de poder participar de uma Liturgia digna e bem celebrada. Como se a situação social, econômica, etc. de determinado lugar e Comunidade pudesse servir de desculpa para o relaxo, para a sujeira e para o descaso litúrgicos. A questão, na verdade, é bem outra. A meu ver, antes de tudo, é uma questão de fé: crer ou não crer no Mistério Eucarístico, tal como a Igreja sempre nos ensinou. A perda do sentido do sagrado reflete na verdade a falta de fé, a idéia de que ao homem deve-se dar tudo e a Deus não se deve dar nada. Melhor ainda, de que o eixo antropológico é muito mais importante do que o eixo teológico. Assim, cabe à Igreja preocupar-se com o homem tão somente pelo homem. Nesta visão, Deus está em segundo plano e não é mais referência para nada e para ninguém. Esta visão, infelizmente dominante em considerável parcela do clero, justifica todas as aberrações litúrgicas que hoje, como células cancerígenas, se espalham nas celebrações, pelo Brasil afora. O pior de tudo é que tal visão se faz sentida não só nos já tradicionais ambientes intra-eclesiais laicizados (sim, há um "tradicionalismo" fundado no chamado "espírito do Concílio Vaticano II", que ainda predomina em muitos ambientes eclesiais e que vive de um passado idealizado como "glorioso": o imediato pós Concílio e os anos subseqüentes, período durante o qual tudo era permitido, tolerado, até mesmo incentivado sob o prisma do tal "espírito do Concílio": experiências litúrgicas das mais aberrantes, magistério dogmático paralelo ao autêntico Magistério da Igreja e outros desvios).

Este princípio centrado exclusivamente no homem também se faz presente, no que se refere à Liturgia, em ambientes considerados alinhados a uma visão mais espiritualista da fé. Aí, tudo é permitido, desde que as pessoas gostem, desde que "faça bem" (qual é, em efeito, este bem procurado? O bem da salvação, da autêntica união com Deus, ou o “bem estar” fundado no pieguismo, em um devocionismo alienante?) àqueles que freqüentam estas celebrações, desde que tragam novamente as pessoas à Igreja, como se costuma dizer. Aí estaria a justificação de tudo: da mesma forma, a pessoa e seus gostos como critério do que é certo ou errado, do que se pode ou não se pode fazer com o Mistério de Deus. A partir deste princípio, agora nestes ambientes mais "espirituais", tudo se justifica. Portanto, todas as regras e Normas Litúrgicas estão submetidas às vontades não da Igreja, a quem cabe determiná-las e organizá-las, mas sim daquilo que, no momento, se tem como bom e necessário, segundo o critério subjetivo de alguém. Ou seja, deixa-se de lado o eixo teológico e cai-se no eixo antropológico, marcado pelo subjetivismo da decisão de quem decide derrubar um muro de tijolos de papelão com o ostensório nas mãos, depois de ter circulado entre as pessoas que a todo custo tocam no vidro do ostensório, que por sua vez é carregado por um sacerdote com capa pluvial, véu umeral, etc..: incongruências e mais incongruências.

A Liturgia é a obra com a qual Cristo, mediante sinais sensíveis, glorifica o Pai na unidade do Espírito e salva a humanidade, atuando como cabeça invisível da Igreja, por meio de seus ministros, para perpetuar a obra da redenção do mundo.

Nas celebrações litúrgicas, a Igreja oferece o culto público a Deus, de modo que toda a ação litúrgica é obra de Cristo sacerdote e de sua Igreja – ação sagrada por excelência -, cuja eficácia não se vê igualada por nenhuma outra ação da Igreja. A Liturgia, não se pode esquecer, é participação na oração de Cristo e fonte de vida que brota do Salvador. Isto e tão somente isto.

É preciso rezar muito pela Igreja de hoje.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

A Nova Vinha de Deus – a Igreja Católica


 

 
Deus escolheu o Povo de Israel como sua vinha predileta, libertou-o da escravidão do Egito, conduziu-o à terra prometida, cuidou dele com o mesmo carinho com que o vinhateiro cuida a sua vinha, defendeu-o dos inimigos que o cercavam, como nos diz a primeira Leitura deste Domingo, tirada do Profeta Isaías 5,1-7. Que mais poderia ter feito por este povo, para que desse frutos abundantes e saborosos de boas obras: de fidelidade à Aliança, de cumprimento fiel dos Mandamentos, de amor misericordioso? Porém, muitas vezes não foi assim. Israel deu frutos amargos, uvas más, obras perversas. Em lugar de frutos de justiça e de fidelidade, Israel abandonou o Senhor, desprezou o seu Deus, virou-se para os deuses dos povos pagãos que o rodeavam, caindo na idolatria. Revoltaram-se contra o dono da vinha, perseguiram e mataram muitos profetas e acabaram por matar o próprio Filho Unigênito, crucificando-O no Calvário.
A vinha do Senhor, por Israel ter abandonado o seu Deus, veio a ser vítima do seu próprio desregramento, até a queda de Jerusalém, a destruição do seu Templo e a dispersão dos judeus por todas as nações.

Porém, as promessas de Deus permanecem. O projeto salvífico do Senhor não mudou. A vinha do Senhor não acabou: foi dada a um outro povo que produza os seus frutos, ao novo Israel de Deus, à Igreja de Jesus Cristo. É o tema do Evangelho deste Domingo, tirado de São Mateus 21,33-43. Esta eleição tem como ponto de partida um ato de pura benevolência da parte de Deus, sem qualquer mérito da nossa parte. A nova Vinha, a Igreja, o povo cristão é o Corpo de Jesus Cristo. E porque Cristo é fiel, a Igreja também o será e dará fruto e fruto abundante. Ao longo dos séculos, o Povo de Deus tem trazido todas as nações aos pés de Jesus Cristo.
Porém, cada um de nós, como membros que somos desta Igreja Santa, como ramos desta Cepa que Jesus plantou, pode falhar e ser estéril e, o que é pior, pode ser infiel à sua vocação, ser cortado e ser lançado ao fogo. As próprias comunidades menores podem também desaparecer, se os seus membros não derem os frutos que Deus espera delas. Foi o drama das Igrejas da Ásia Menor de que fala o Apocalipse, de algumas comunidades cristãs do norte de África tão florescentes nos primeiros séculos do cristianismo, é o drama de países inteiros que caíram na indiferença religiosa e até na incredulidade depois de muitos anos de fidelidade e de boas colheitas.

Deus espera de nós frutos saborosos de boas obras. Mas só os daremos na medida da nossa união a Cristo: «Eu sou a Cepa, vós as varas. Aquele que permanece em Mim e em quem Eu permaneço é que dá muito fruto, porque, sem Mim, nada podeis fazer» (João 15,5). Esta vida íntima de união com Cristo na Igreja é alimentada pelos auxílios espirituais comuns a todos os fiéis, de modo especial, pela participação ativa na sagrada Liturgia e pela oração contínua.
Os nossos lares cristãos estão dando os frutos de filhos que Deus espera deles? Os esposos cristãos estão dando frutos de fidelidade que os faça cada vez mais felizes? As comunidades cristãs estão dando os frutos apostólicos que o mundo necessita? Nós cristãos estamos dando frutos de entrega aos nossos irmãos pobres e necessitados? Existem em nossa Diocese e em nossas Paróquias os frutos de generosidade e entrega neste mundo tão necessitado de mais vocações sacerdotais e religiosas?

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Jesus obedeceu até a morte, e morte de cruz.


 
Jesus salvou-nos obedecendo até à morte e morte de cruz. Obedecer à vontade de Deus é o caminho da santidade e a chave para entrar no céu.
No Evangelho deste domingo (Mateus 21,28-32), o Senhor lembra que não basta prometer que vamos fazer o bem. Não basta palavreado. É necessário procurar cumprir com fidelidade a vontade de Deus. E quando falharmos sabermos pedir perdão e começar de novo a luta da fidelidade.
Obedecer à vontade de Deus significa esforço e sacrifício, às vezes heróico. Temos de aprender com Jesus, que nos anima e ajuda com a Sua graça.
Às vezes encontramos a cruz no caminho da nossa vida, nas doenças, nas contrariedades, naquilo que o mundo chama desgraças. Se olhamos para Jesus crucificado, essas dores encontram sentido e achamos coragem para levar a cruz que o Senhor nos entrega. Com ela podemos amar a Deus, ajudar a salvar os outros, como Jesus. Nela podemos encontrar alegria verdadeira, porque Deus abençoa com a cruz.
“Se alguém quer seguir-Me negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-Me (Lucas 9,23). Nosso Senhos nos diz outra vez a nós, como que ao ouvido, intimamente: a Cruz cada dia” (S. JOSEMARIA, Cristo que passa, 58).
Cristo venceu na cruz. Venceu o pecado, venceu o demônio, venceu a própria morte. Por ela salvou todos os homens. Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes.
Se nos unimos à Paixão e morte de Jesus, se temos em nós os mesmos sentimentos de Jesus, também venceremos. Mesmo que pareçamos derrotados.
Com Ele seremos glorificados um dia no céu. Com Ele encontraremos já na terra a alegria. Ela tem as raízes em forma de cruz.
Tantos procuram a felicidade à margem de Deus, deixando-se arrastar pela ilusão do prazer, do egoísmo, da vaidade, da posse das riquezas terrenas. Fogem da vontade de Deus. Vêem-na como um peso, uma coisa impossível de levar.
Também alguns cristãos tentam adaptar o seu cristianismo às suas comodidades. Procuram fugir da luta de cada dia, fugindo dos ensinamentos da  Igreja em temas como a aceitação dos filhos, a moral sexual, a fidelidade no casamento, a freqüência do sacramento da confissão. E esse cristianismo fácil não dá a alegria verdadeira e profunda que só Jesus pode dar.
Vale a pena animar-nos a cumprir fielmente os ensinamentos de Jesus, que nos diz: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração e encontrareis a paz para as vossas almas, porque o meu jugo é suave e a minha carga leve” (Mateus 11,29-30).
É esse o caminho da santidade a que Deus nos chama e é esse o caminho da verdadeira felicidade.
Que a Virgem, que soube unir-se intimamente à cruz de Jesus, nos anime a fazer o mesmo em nossa vida de cada dia, tendo os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A nossa lógica não é a de Deus




Ao ouvirmos o Evangelho deste domingo (Mateus 20,1-16) somos capazes de pensar que aquele proprietário terá cometido uma tremenda injustiça, por pagar aos operários da última hora igual salário aos que trabalharam o dia todo.
A nossa lógica de pensamento baseia-se em determinados princípios que não são respeitados na parábola que ouvimos. Mas é nesta ótica provocatória e contrária à lógica da conduta do patrão que está o cerne doutrinal desta narração, aquilo que de fato, Jesus quer nos ensinar.
Jesus quer denunciar, de uma forma dura, a religião dos “méritos”, ensinada pelos guias espirituais israelitas. O povo, doutrinado pela classe sacerdotal, havia-se esquecido de Deus bom, pai, amigo fiel, anunciado pelos profetas e substituiu-O por um Deus distante, legislador e juiz implacável.
Os fariseus sentiam-se seguros porque “trabalhavam muito”, observavam escrupulosamente as prescrições da lei, toda a sua ação de fidelidade era registada como “mérito” que passaria a constar do registo do céu, para ser exigida a Deus no momento oportuno.
Deus não se cansa de ir ao encontro do homem, mesmo quando este se esquiva a todos os encontros, mas não retribui pelos méritos de cada um. Se aceitamos a obrigação de observar mandamentos e preceitos, que aos nossos olhos parecem não ter explicação, para sermos privilegiados pelo chamamento de Deus, estamos enganados. A única recompensa, na verdade, reside na fidelidade ao Senhor. Todas as hesitações em seguir os Seus caminhos são ocasiões perdidas para se ser feliz, para usufruir primeiro e mais tempo os dons de Deus.
A reação que atribuímos aos operários da parábola reproduz a nossa oposição diante da bondade e da generosidade de Deus. Quem ainda trabalha para ganhar um prêmio, acredita num deus pagão, comerciante, contabilista ou justiceiro, mas não no Deus de Jesus Cristo.
O senhor da parábola está preocupado em que não falte o trabalho a ninguém. Então, como é que nas nossas comunidades ainda pode haver pessoas que se comportam como simples espectadores? Não podem ser apenas alguns a empenhar-se em certos serviços da Comunidade. O Senhor da vinha está à espera que cada um de nós se interrogue sobre a tarefa que deve desempenhar na comunidade e que deixe de ser ocioso.
Isto exige uma mudança radical no nosso modo de pensar.
Não será que muitos de nós, cristãos, nos consideramos “justos” mediante a rotina das nossas práticas religiosas? Não podemos merecer nada diante de Deus, só podemos receber dons e agradecer. Por que não ficarmos felizes se um dia alguém, mesmo que tenha errado por completo na vida, venha a receber de Deus o dom da salvação?
Isto leva-nos a refletir sobre a nossa atitude na comunidade onde estamos inseridos. Nela não devemos exigir mais por termos sido os primeiros a chegar. Não devemos nem podemos sentir-nos os privilegiados por nos termos convertido primeiro a Cristo. Não nos queiramos impor aos demais porque chegamos antes, não permitindo que todos concorram para tomar novas iniciativas que visem o bem comum. Muitas vezes há quem não trabalhe nem deixe trabalhar os outros.
A grande alegria de todos deverá ser o encontro com Jesus Cristo.
S. Paulo, como ouvimos na segunda leitura(Filipenses 1,20-24; 27), sente-se comovido pelo apreço e amizade demonstrados pelos cristãos de Filipos e revela as suas sensações mais interiores e mais afetuosas. Ele que havia trabalhado muitos anos pela causa do Evangelho, que tinha aguentado sofrimentos e contrariedades sente-se, agora que está preso, bastante cansado e começa a pensar no seu encontro definitivo com Cristo. Nesta altura afirma que seria melhor para ele morrer, mas sente que a causa do Evangelho ainda precisa dele. Então, num gesto de generosidade, declara-se pronto a adiar o seu encontro com Cristo, a fim de continuar a servir os irmãos e afirma que para ele «viver é Cristo, e morrer um lucro». O seu prêmio era a própria alegria de ter encontrado Cristo.
Nos trabalhos ou nas contrariedades, nos momentos de euforia e entusiasmo, na vida ou na morte, o que essencialmente importa para o cristão é, pois, viver em conformidade com Jesus Cristo.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Caminhada pelo deserto, caminhada do discípulo com a cruz.

 
O texto da primeira leitura revela as dificuldades que o Povo da Primeira Aliança encontrou na sua caminhada. É dura a caminhada para a liberdade, assim como é muitas vezes dura a busca de sentido e do fundamento da vida.
Mas este belo texto é também revelador da atitude do homem frente à busca de sentido e de fundamento. Quais as razões profundas, a razão de ser, o objetivo da vida? Sozinho ou até aberto aos outros mas apenas no horizonte do precário, do superficial e do imediato, sem sede de verdade, do compreender a vida e a história como um dom, o ser humano não encontra respostas satisfatórias.
 
Mas sobretudo a resposta à sua fragilidade, ao mal, ao sofrimento e à morte! Será para muitos mais fácil encontrarem a revolta, um sem fim de criticas e de aspectos negativos que o tornam presa fácil do mal, do egoísmo e do pecado.
Deus vem ao encontro do ser humano com uma lógica que permite que este possa olhar mais longe, possa olhar o céu, possa olhar para a solução que Deus lhe oferece. A solução passa pela docilidade, pelo acolhimento e pelo compromisso com o Plano de Deus. Passa por assumir a sua humanidade como um dom que se constrói na busca da vida, da liberdade, da paz, do sentido último e definitivo em Jesus Cristo, que no seu mistério Pascal introduz a nossa fragilidade na plenitude da vida e da glória.
Cristo Jesus faz-se companheiro da nossa jornada. Ele vem ao encontro do ser humano. O seu amor pelos homens é tão grande que se despoja e se faz servo. Sendo de condição divina, sendo Deus, faz-se Homem e despojado. O amor é assim. Como um pai e um mãe que para falarem ao seu filho ou lhe manifestarem ternura têm de baixar-se para se colocar ao seu nível. Toda a sua vida é de despojamento: nas palavras, nos gestos e nas atitudes.
Jesus despoja-se numa proporção assombrosa, num mistério de amor só compreendido pela fé. E esse despojamento vai até à cruz, à morte.
Na cruz de Cristo é revelado o amor do Deus trino e uno. Até onde chega o amor de Deus que se torna assim tão visível, tão humano e tão denso. Mas é também revelado o próprio homem. Quem é o homem para que Deus se faça igual a ele e dê a vida por ele.
Por isso Jesus Cristo é a chave de interpretação do ser humano. E é a resposta à sua caminhada na busca de sentido e de fundamento. Assumindo toda a fragilidade humana revela que o projeto de Deus é um projeto de sentido, vida, de santidade, de liberdade, de salvação: é um projeto de glória.
A caminhada de Deus em direção ao Homem encontra-se na Cruz. Deus, em Seu Filho Jesus Cristo, faz-se doação total e resposta última e definitiva ao homem.
O caminho do Homem para Deus passa pela cruz. Na cruz o Homem encontra a resposta plena à sua profunda ânsia: resposta ao sofrimento e à morte. E como Jesus Cristo, o Homem, é convidado a fazer a descoberta da vida e da glória na obediência total aos desígnios de Deus e seu projeto de liberdade e felicidade plenas.
O discípulo é convidado a olhar para Cristo crucificado e comungar com o Seu projeto e fazer suas as mesmas atitudes.
A Cruz passa a ser a lógica dos seus discípulos. Nela, os discípulos, compreendem a vida como um dom; a tarefa de ser disponíveis, construtores da verdade e da liberdade.
Na cruz, o discípulo, compreende que optou por dizer não ao egoísmo, ao pecado, ao mundo da mentira, a uma vida fácil e sem exigências de humanidade. Compreende que traz consigo as exigências da Cruz. Compreende e assume a vida pautada pela abertura a Deus e no compromisso com o seu projeto. Testemunha e faz-se cooperador da verdade. Tem audácia profética da denúncia do mundo da iniquidade e da desobediência a Deus. Torna-se discípulo pronto a dar testemunho de Jesus Cristo. Assume sem medo as consequências da perseguição, do sofrimento e da morte. Crê com firme esperança que essa Cruz é esperança de ressurreição e glória.
A partir da Cruz o discípulo compreende como lhe é pedida uma atitude de acolhimento, de entrega e de compromisso com a Boa Nova da vida, da misericórdia e da entrega.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Importância de escutar a voz do Senhor.


 

 Como a voz de Deus é a voz do melhor dos pais, é sempre caminho certo de felicidade para seus filhos. Do escutar e seguir essa voz depende todo o bem-estar humano: paz, alegria, amor, tranquilidade, verdadeiro progresso social, encontro da Verdade! Por isso o refrão do Salmo responsorial de hoje nos recomenda: «Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações» (Salmo 94).
Através do Profeta Ezequiel (Ezequiel 33,7-9) o Senhor diz-nos que devemos ser como sentinelas perante nossos irmãos, para avisá-los dos possíveis perigos que podem correr. Não podemos ficar indiferentes perante o mal. Esta atenção e correção são de tal forma importantes, que, se não a cumprirmos, diz-nos o Senhor, ficaremos responsáveis pelas desgraças terrenas e eternas dos outros «Eu pedir-te-ei contas da sua morte».
São infelizmente muitos os desvios doutrinais e morais que tão descarada e levianamente se divulgam, ao ponto de serem apresentados, por vezes, quase como virtudes. Perante tal descalabro ninguém poderá ficar indiferente. Os mandamentos do Senhor, que são sempre caminhos de felicidade, não mudaram. É urgente anunciar as leis santas do matrimonio, a fidelidade e castidade conjugal, a virgindade até ao casamento e denunciar os enganos que são os divórcios, a aberração das «uniões de fato» e «casamentos» homossexuais, o crime hediondo do aborto, o uso e divulgação dos mais variados anticonceptivos, mesmo junto da juventude a pretexto de uma educação sexual que, em tais circunstâncias, não existe; a pouca generosidade na aceitação dos filhos, a falta de uma educação integral de tantas crianças, o pouco e por vezes nenhum amor que se dá aos filhos, a leviandade no vestir com modas indecorosas, os namoros pecaminosos, a literatura e filmes imorais, a tão pouca atenção dada aos verdadeiros valores, as injustiças sociais por parte de patrões e operários, tanto tempo perdido, quando o Senhor, que tudo possui, não nos engana e é nosso Amigo. É Ele quem nos manda «procurar em primeiro lugar o Reino de Deus e Sua justiça, que tudo o mais nos será dado por acréscimo».
«A caridade é o pleno cumprimento da lei», nos lembra S. Paulo na segunda Leitura da Missa de hoje (Romanos 13,8-10). Se não podemos ficar indiferentes perante os muitos caminhos errados que os nossos irmãos podem correr, também é certo que toda a nossa ação apostólica deverá ser exercida com muita caridade, persistência, coragem e compreensão. Sempre sem juízos precipitados. Nunca temos direito de julgar seja quem for. Os desvios por outros praticados, também poderiam ser nossos, se não tivéssemos recebido as graças que Deus, na Sua Bondade infinita, nos concedeu. Só Ele nos poderá verdadeiramente julgar.
Foi com muita bondade que Jesus falou com a Samaritana, com Zaqueu, com a mulher adúltera e com tantos outros pecadores. Ele mesmo nos apresenta no Evangelho de hoje os cuidados que devemos ter nesta abordagem: primeiro falar a sós com o irmão, depois, se o primeiro encontro não resultar, levar outro para ajudar no diálogo, e só finalmente o comunicar à Igreja.
Todos estes passos devem ser precedidos de muita oração. À oração nos convida também Jesus na parte final do Evangelho de hoje «se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedido por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles» (Mateus 18,15-20). Verdadeiramente a crise do mundo «é crise de santos» com o dizia São Josemaría, isto é, de quem se sacrifique e ore por si pelos outros.
Como é rica e particularmente importante a Palavra do Senhor deste Domingo! Vamos guardá-la e transformá-la em vida. Temos, com certeza, muitos irmãos que esperam, sem saber, a nossa ajuda amiga, para a descoberta do verdadeiro sentido de suas vidas. «Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações».

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