terça-feira, 31 de março de 2015

Ide dizer aos Seus discípulos


 

 

 
 
Celebramos neste domingo, a Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a festa das festas, que se renova a cada domingo na Igreja, com a celebração da Eucaristia Dominical.

No dia de Páscoa as mulheres que foram ao túmulo de manhã cedo receberam o encargo de anunciar a ressurreição do Senhor. Primeiro dos anjos, depois do próprio Jesus, que lhes apareceu no caminho.

Os discípulos de Emaús sentiram também a necessidade de virem comunicar aos amigos a aparição de Jesus, que, sentado à mesa, repetira o milagre da Última Ceia. Apesar de terem de fazer uma longa viagem pela noite dentro. Porque a sua alegria não cabia no seu coração.

Que bom se todos os cristãos sentissem a mesma alegria em cada missa e a necessidade de a transmitir aos seus amigos. Não ficariam tantos e tantos sem missa. Vamos nós abrir os olhos neste dia de Páscoa, vamos encher-nos de fé e de amor ao Senhor, para que a Sua alegria penetre em nossos corações e a possamos transmitir aos outros com entusiasmo.

A nova evangelização que a Igreja nos pede há de ter este sentido pascal de fé, de alegria, de certeza da vitória de Cristo. O mundo, sobretudo este mundo ocidental, que pôs a sua segurança nas riquezas materiais, precisa do anúncio da verdadeira felicidade que só Cristo ressuscitado lhe pode trazer.

Temos de ser nós os cristãos, com o nosso exemplo de fé e de alegria e a nossa palavra cheia de vibração, a levar os que nos rodeiam ao encontro de Cristo ressuscitado.

Saibamos oferecer sacrifícios e rezar por aqueles que não valorizam especialmente a Santa Missa dominical, e não tenhamos vergonha de chamar os nossos amigos e os nossos familiares para que venham participar conosco. Contamos com a força que nos vem de Cristo ressuscitado, que quer salvar todos os homens.

A Igreja felicita Maria neste tempo pela ressurreição de Seu Filho. Que Ela nos encha de alegria pascal para celebrar com mais fé e entusiasmo a Sua presença viva na Eucaristia.

Aproveito o ensejo desta reflexão, para saudar a todos, e desejar uma Santa e Feliz Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

“Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no  e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus , não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou.” (João 20,6-8)

terça-feira, 24 de março de 2015

Deus compartilha conosco as experiências dramáticas da vida


 

Durante toda a nossa vida passamos por muitas experiências. Algumas são agradáveis e todos as gostam de partilhar conosco. Noutras, por vezes bem dramáticas, sentimo-nos abandonados por todos e sofremos completamente isolados. Silenciamos algumas situações por falta de coragem; omitimos outras por encontrar forças na alma para enfrentá-las..
Esta também foi a vivência de Jesus, enquanto verdadeiro homem. A tudo se deixou submeter por obediência a Deus Seu Pai, para nos redimir como verdadeiro Filho de Deus.
Recordemos algumas circunstâncias postas em evidência por S. Marcos no Evangelho da Paixão deste domingo (Marcos 14,1-72; 15,1-47) .
Jesus não reage ao beijo de Judas, mas aceita passivamente o que Lhe está a acontecer, a fim de «se cumprirem as Escrituras». Assim, Marcos, quer acentuar que Jesus não Se revolta contra os acontecimentos, que não pode impedir, e Seu Pai não quer fazer milagres para Lhe evitar as desgraças que recaem sobre os homens. Nós, como Jesus, podemos rezar para que Deus nos livre de certas provas, desde que, depois, estejamos dispostos a suportar as contrariedades que temos de enfrentar na vida.
Há um pormenor que somente este evangelista aponta: «Seguia-O um jovem envolto apenas num lençol; prenderam-no, mas ele, deixando para trás o lençol, fugiu completamente nu». O jovem representa o discípulo de Cristo. Para seguir Jesus os apóstolos deixaram tudo, mas no momento em que se apercebem que o término da viagem é a oferta da vida, tudo abandonam, mas agora não para seguir Jesus, mas para fugir.
Nesta narração ninguém toma a defesa de Jesus. É abandonado pelos discípulos, traído pela multidão, zombam d’Ele, é flagelado e humilhado pelos soldados, insultado pelos que passam. Faz a experiência da impotência, do abandono, do falimento da sua luta contra a injustiça, a mentira, a opressão dos poderes instituídos. Somente algumas mulheres O observavam de longe. Jesus sente-se completamente abandonado por todos, até pelo Pai e, por isso, grita: “Meu Deus, porque Me abandonaste?”.
Conosco pode acontecer algo semelhante: quando nos empenhamos em viver de maneira coerente com aquilo em que cremos, quando queremos construir na comunidade civil ou eclesial, uma relação de sinceridade e de concordância com o Evangelho, acabamos muitas vezes por nos encontrar isolados, desaprovados por amigos, recusados pela própria família. Nestas circunstâncias podemos sentir-nos abandonados por Deus e interrogarmo-nos se valerá a pena lutar e sofrer tanto para acabar vencidos. É nestes momentos que devemos olhar para Cristo e encontrar n’Ele uma resposta para as nossas contrariedades.
Marcos apresenta Jesus sempre em silêncio durante o processo. Perante os ultrajes, as provocações, as mentiras, Ele cala-Se. Nada responde. Consciente de que já haviam decidido a sua condenação, não aceita qualquer disputa que em nada iria alterar a sentença. Não reagindo, Jesus atesta, não apenas a sua firmeza de estar na verdade, mas a convicção de que a justa causa por Ele sustentada acabará por triunfar.
O cristão, como Jesus, não é fraco e sem audácia, não se omite, não deixa de lutar contra o mal, mas procura a verdade por todos os meios legítimos. É alguém que, como Jesus, se recusa a utilizar a falsidade usada pelos seus opositores através da difamação, da mentira ou da violência. Não se amedronta com a derrota, não se preocupa com a vitória dos seus adversários, pois sabe que se trata de um sucesso ilusório.
O ponto fulcral de toda a narração é a profissão de fé declarada ao pé da cruz pelo centurião romano: «Realmente este homem era o Filho de Deus». Todo o Evangelho de Marcos apresenta-nos Jesus recomendando àqueles que curava para nada revelarem sobre os Seus atos miraculosos. Tal segredo deve ser conservado até ao fim, pois que só depois da sua morte e ressurreição será possível perceber quem Jesus verdadeiramente é. O centurião reconhece Jesus como Filho de Deus não pelos fatos extraordinários que acontecem no momento da morte do Senhor, mas pela forma como Ele morre. Este soldado pagão é a figura de todos os homens que chegam à fé em Jesus, não por terem presenciado qualquer prodígio, mas por terem percebido o sentido duma vida oferecida aos irmãos, por amor.
Desejo a todos uma frutuosa Semana Santa.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Dai-me Senhor um coração puro.


“Criai em mim um coração que seja puro”. Assim pedimos neste Domingo, com o salmo responsorial (Salmo 50). Como é importante essa pureza para compreendermos quanto sofrimento custou a Jesus a nossa salvação!

A revelação deste Amor infinito que Deus Pai nos tem, começou a ser feita aos nossos primeiros pais, logo após a queda dos mesmos. Esse Amor foi reafirmado mediante várias alianças feitas por Ele ao longo da História da salvação: a Noé com toda a criação, a Abraão com o Povo de Deus, a Moisés, antes de empreender a caminhada para a Terra Prometida.

Na primeira Leitura (Jeremias 31,31-34), Jeremias profetiza uma nova e definitiva Aliança, que já não irá ficar gravada apenas em pedras, mas no coração de cada homem. A esta Aliança, todos temos acesso pela virtude teologal da fé em nós depositada por Deus, como uma pequenina semente, no dia do nosso Batismo. A cada um, a partir de então, se espera que a faça crescer mediante a escuta e a meditação da Palavra de Deus

 “Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento” (Hebreus 5,7-9). O autor da Carta aos Hebreus, na segunda Leitura, fala-nos nos grandes clamores e lágrimas que Jesus dirigiu ao Eterno Pai para o livrar da morte e da Paixão que sabia estarem reservadas. É importante que meditemos nesse sofrimento, que de alguma forma, podemos contemplar num crucifixo. Por obediência ao Eterno Pai e por nosso amor, a tudo se sujeitou. Torna-se assim a causa de salvação para todos quantos Lhe obedecem.

No Evangelho (João 12,20-33) vemos uns gregos que servindo-se de Filipe e André, cujos nomes eram gregos também, lhes pedem para ver Jesus. Esta visão não se tratava apenas de o contemplarem externamente. Queriam mais. Queriam “vê-lo” por “dentro”, na Sua Missão. E Jesus compreendendo os seus desejos, a eles e a todos nós, se revela de uma forma clara. Começa por se referir ao grão de trigo, lançado à terra, que se não morrer, não dará fruto. Sim Jesus vem para morrer, para dar fruto de salvação para todos. O próprio Pai do Céu, confirma as afirmações de Jesus, fazendo-se ouvir. “Já o glorificarei e tornarei a glorifica-lo.” E Jesus diz, indicando a Sua morte “quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim”.

É assim que Jesus se revela aos gregos que o queriam ver. É assim que Ele se nos revela a cada um de nós!

Qual é a nossa resposta a tanto Amor?

Como nos devemos sentir profundamente gratos e devedores a Quem tanto por nós sofreu! As Leituras da Missa de hoje contribuem para que cada um possa “ver” melhor Jesus e o Seu Amor por nós.

Amor com amor se paga. Não podemos ficar indiferentes. Ele quer a nossa salvação e a de todos os homens.

Só com um coração puro poderemos penetrar mais profundamente no Amor infinito que Deus nos revela na Paixão e morte de Seu Divino Filho, Jesus Cristo.

Com profundo e sincero arrependimento das nossas faltas, que serão sempre faltas de amor a Deus e aos irmãos, preparemos uma confissão muito sincera e contrita no tribunal da Penitência.

Aceitemos, como Jesus, ser trigo que saiba morrer. Só mediante a oração e a penitência poderemos corresponder ao Amor infinito que Deus nos tem, e sermos instrumentos de salvação.

O Senhor, que tanto nos ama, espera esta resposta generosa de todos e cada um e nós. Vamos fazê-lo com generosidade. Assim não será em vão para nós tanto sofrimento de Jesus e poderemos celebrar com alegria a Festa da Páscoa que se aproxima e o encontro definitivo com Ele, no reino do Céu, para o qual todos fomos criados.

 

 

terça-feira, 10 de março de 2015

A fé em Jesus Cristo


 

«Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigênito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna», nos diz o Evangelho deste domingo IV da Quaresma (João, 3,14-21). O que significa acreditar em Jesus Cristo? Trata-se não só de aceitar os seus ensinamentos, mas de aderir à própria pessoa de Jesus, compartilhando a sua vida e o seu destino, participando na sua obediência livre e amorosa à vontade do Pai. Pela graça do Espírito Santo, unimo-nos a Jesus e tornamo-nos conformes a Ele, procurando segui-lo, “para termos nele a vida eterna”.

«Se alguém quer vir após de Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (Mc 8, 34). Como discípulos de Cristo, devemos assumir a sua atitude de obediência filial ao Pai e aos seus desígnios de salvação, que O levaram à Cruz e à Ressurreição: «Apesar de ser Filho, aprendeu a obedecer, sofrendo, e, uma vez atingida a perfeição, tornou-se para todos os que Lhe obedecem fonte de salvação eterna» (Carta aos Efésios).

Cristo é a salvação e a esperança para cada homem. Nós estamos chamados a anunciá-Lo com a nossa existência diária; devemos ser “sal” e “luz” para os homens e as mulheres de hoje; com a nossa vida exemplar devemos refletir a luz de Cristo e ser “fermento” de esperança para a humanidade; devemos ser luz e conforto para cada pessoa que encontremos no nosso caminho.

«Ele deu a sua vida por nós; por isso, também nos devemos dar a vida pelos nossos irmãos…Filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas com obras e com verdade» (1 João 3,16.18).

Mas é impossível amar como Cristo amou, se Ele mesmo não ama em nós; é impossível seguir Cristo Jesus, se Ele mesmo não vier viver dentro de nós: «Isto não vem de vós, é dom de Deus; não se deve às obras e ninguém se pode gloriar» nos ensina a 2ª leitura de hoje (Efésios 2,4-10). Comunicando-nos o Espírito Santo, Ele entra na nossa existência e vive conosco, a tal ponto que cada cristão possa dizer com S. Paulo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gálatas 2, 20).

“O Batismo configura radicalmente o fiel a Cristo no mistério no mistério pascal da morte e Ressurreição, revestindo-o de Cristo. A participação na Eucaristia, Sacramento da Nova Aliança, é o vértice da assimilação a Cristo, fonte de vida eterna, princípio e força do dom total de si mesmo” (João Paulo II, Veritatis Splendor, 21).

Escutando a Palavra e recebendo os Sacramentos com fé, o cristão é transformado na imagem de Cristo; ele irradia e é reflexo de Cristo, como Cristo é a imagem perfeita do Pai e O manifesta ao mundo (Cfr. 2 Coríntios 3, 18; 4.4).

As diversas experiências de vida cristã integram-se e mantêm-se reciprocamente no interior da comunidade dos fiéis; o seguimento de Cristo, em concreto, acontece na Igreja e atesta que nela Cristo está sempre vivo e presente. Membros vivos do novo Povo de Deus, estamos a caminho da eternidade e Deus está sempre conosco. É este o grande motivo e a causa da nossa alegria. Caminhemos, pois, para a Páscoa com fé viva e espírito generoso (Cfr. Coleta).

Que a Virgem Maria nos acompanhe sempre neste esforço quaresmal de identificação com Cristo.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Purificação do culto prestado a Deus



Tudo quanto Jesus encontra no átrio do Templo de Jerusalém destinava-se ao culto: câmbio de dinheiro para esmolas, animais para os sacrifícios, cereais e outros produtos para oferecer (azeite, perfumes, etc.).

Jesus chama a atenção de que isso não deve ser pretexto para transformar a Casa de Deus numa feira.

A O Evangelho deste domingo (João 2, 13-25) ensina-nos, entre outras coisas, a afastar tudo o que não é digno do templo de Deus, tudo o que o profana. «Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio”.»

Na casa de Deus – o nosso Templo – tudo deve respirar dignidade e amor, tanto mais que temos aqui os nossos Sacrários.

Alguns detalhes práticos podem ser recordados, neste domingo, em relação aos nossos templos.

– O silêncio. Na igreja devemos falar o indispensável e em voz baixa, também para não perturbar a oração e recolhimento das outras pessoas.

- Quando chegamos à igreja, se ela tem Sacrário, fazemos a genuflexão com respeito e saudamos, durante uns momentos, o Senhor que está ali.

– As celebrações litúrgicas devem ser dignas, desde os cânticos, às orações e cerimônias.

– As festas religiosas são, muitas vezes, uma mistura incrível de sagrado e profano e até com músicas e divertimentos que ofendem a Deus. É preciso cuidar muito deste aspecto nas festas das Comunidades.

Qual é o verdadeiro culto que Deus espera? Evidentemente, não são os ritos solenes e pomposos, mas vazios e estéreis. O culto que Deus aprecia é uma vida vivida na escuta das suas propostas e traduzida em gestos concretos de doação, de entrega, de serviço simples e humilde aos irmãos. Quando somos capazes de sair do nosso comodismo e da nossa autossuficiência para ir ao encontro dos que sofrem, do estrangeiro, do doente, estamos dando a resposta “litúrgica” adequada ao amor e à generosidade de Deus para conosco.

Jesus Cristo é o verdadeiro Templo de Deus. «”Destruí este templo e em três dias o levantarei.” [...] Jesus, porém, falava do templo do seu corpo.»

Ele é o Templo em que devemos entrar e nos recolher, para orar com toda a confiança. Os santos são intermediários, apenas mediadores. Acrescentamos os seus merecimentos para tornar mais rica a nossa oração. Eles não alcançam graças independentemente de Deus nem contra a vontade d’Ele.

Ao gesto profético de Jesus, os líderes judaicos respondem com incompreensão e arrogância. Consideram-se os donos da verdade e os únicos intérpretes autênticos da vontade divina. Instalados nas suas certezas e preconceitos, nem sequer admitem que a denúncia que Jesus faz esteja correta. A sua autossuficiência impede-os de ver para além dos seus projetos pessoais e de descobrir os projetos de Deus. Trata-se de uma atitude que, mais uma vez, nos questiona… Quando nos escondemos atrás de certezas absolutas e de atitudes intransigentes, podemos estar, na verdade, fechando o nosso coração aos desafios e à novidade de Deus.

Nós somos templos de Deus. “Não sabeis que sois templos de Deus e que o Espírito Santo habita em vós?” (I Cor 3, 16)»

Somos, desde o Batismo, Templos da Santíssima Trindade que habita em nós. Isto traz exigências à nossa vida:

– Modo de vestir. Há um modo próprio de vestir para estar presente nos atos do culto. Devemos ser capazes de distinguir a ida para da Igreja. Trata-se de bom senso e de respeito para com Deus.

– Atitudes. Não nos comportamos do mesmo modo no templo, num campo de futebol ou na rua.

Esta certeza da fé de que somos templos ajuda-nos a rever as nossas atitudes para conosco, mesmo quando estamos sós (pudor e modéstia). Quando tratamos do nosso arranjo pessoal podemos recordar que estamos cuidando de um templo.

Imitemos Nossa Senhora no trato com Jesus, quando tinha de cuidar d’Ele.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A fé de Abraão, modelo para a nossa fé


 

A primeira leitura que vamos ouvir neste Domingo II da Quaresma (Genesis 22,1-2.9a.10-13.15-18) é uma mensagem muito importante para todos nós. Nela é relatada a grande fé de Abraão na promessa que Deus lhe havia feito.

Naquele tempo (há mais de 3000 anos atrás) era muito comum nas religiões pagãs que as pessoas, de um modo geral as personagens mais importantes, imolassem os seus próprios filhos aos deuses que adoravam, acreditando que desse modo obteriam os seus favores nas situações mais difíceis da sua vida.

Deus, todavia, não lhe impõe tal sacrifício e nega a prática idólatra do sacrifício de Isaac. Ele é o Deus da vida, não da morte. A resposta de Deus à fé decidida de Abraão transmite-lhe coragem e ajuda-o a prosseguir a luta no caminho da fé, passando pela oferta quotidiana das contrariedades da sua vida.

A sua fé constitui para nós um exemplo no início desta Quaresma. Ela convida-nos a saber abandonar certos comportamentos incompatíveis com a prática cristã. Na realidade desejamos alegria, tranquilidade, conciliação interior, mas a vida traz-nos muitas vezes desilusões, sofrimentos, angústias, tristezas, momentos muito difíceis. Face às desgraças que se acumulam, perdemos a esperança e continuamos a acreditar que Deus continua presente na nossa vida?

Quem pretende seguir o caminho proposto por Deus também tem de ouvir e acreditar com toda a firmeza em Jesus, conforme Ele quis apontar aos discípulos que o acompanharam ao cimo do monte. Na realidade só pela via da cruz e do dom de si mesmo se consegue a renovação que a Páscoa de Cristo nos veio comunicar

Os discípulos escolhidos por Jesus, em determinada altura, começaram a acreditar que Ele era o Messias prometido. Todavia, pensavam erradamente que Ele seria um rei triunfante, cheio de glória, poder e riqueza; que transformaria a situação dos homens e estabeleceria prodigiosamente o reino de Deus sobre a terra.

Para compreendermos o que se passou na transfiguração, narrada no Evangelho deste Domingo (Marcos 9,2-10), teremos de saber entender os símbolos que a narração do Evangelho nos apresenta.

O fato de Jesus os ter levado a um lugar retirado é sinal de que lhes quer revelar, como seus discípulos, um conteúdo verdadeiramente importante. O relato prossegue referindo que o lugar era o alto de um monte. Na Bíblia o monte significa um momento de amizade com Deus. Assim aconteceu em todas as revelações feitas por Deus aos homens.

As vestes brancas, no mundo israelita, simbolizam o mundo de Deus e sinal de solenidade, de alegria e de felicidade.

Elias e Moisés são apresentados para confirmar que Jesus é o profeta por eles anunciado.

Ao pedir para fazer três tendas, Pedro refere-se ao significado alegórico da «festa das tendas» que se celebrava no fim do ano e durava uma semana. Nelas o povo armava tendas junto do templo para recordar o período que passara no deserto e ao mesmo tempo como anúncio de um reino futuro em que o Messias se divulgaria numa contínua «festa das tendas». Pedro não sabia o que dizia, como refere o evangelista, pois ainda não compreendera que para entrar no reino de Deus só é possível aceitando o sacrifício da vida.

O medo na Bíblia não significa receio, mas uma experiência admirável de assombro e de deslumbramento de quem entra em comunicação com o mundo divino.

A nuvem e a sombra indicam, no Antigo Testamento, a presença de Deus.

Ora, o grande significado da transfiguração é a revelação aos discípulos de que para estabelecer o reino de Deus é necessário passar, com grande coragem, pelos sacrifícios que a vida nos reserva.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Mensagem para a Quaresma


 

Caros irmãos e irmãs,

Estamos vivendo o tempo santo da Quaresma.

Este tempo nos ajuda a retornar ao Senhor desde a dispersão da nossa vida, para redescobrir a nossa realidade de homens e mulheres frágeis, necessitados de perdão e de misericórdia. Todos precisamos do Amor dos amores, que é Deus.

Na vida, sofremos tantos medos. Tantas vezes, estes medos tomam conta de nós, nos fazem sofrer, nos isolam dos demais e principalmente, nos afastam de Deus.

Neste tempo santo, o Senhor vem ao nosso encontro, fala conosco, convida-nos suavemente a voltar para Ele, com todo o nosso coração e com toda a nossa alma.

O Senhor nos reúne como povo, como comunidade: “Reuni o povo, organizai uma assembleia solene; chamai os velhos, reuni as crianças, os bebes que se alimentam de leite, saia o esposo de seu quarto e a esposa de seu tálamo”. O Senhor quer que neste tempo estejamos juntos, sejamos um povo, não indivíduos separados, sós, quem sabe até em contraste uns para com os outros.

Temos necessidade que o Senhor reconstitua o seu povo, temos necessidade de tornar a ser o seu povo, a sua família, temos necessidade que as nossas cidades e os nossos interiores sejam comunidade, não lugares de solidão, sem um centro e sem um coração.

Mas como ser um povo? Como tornar a ser comunidade de fé nos lugares onde vivemos, quando, tantas vezes, fugimos uns dos outros, nos fechamos em nós mesmos, estamos sempre com pressa, não nos escutamos e não nos falamos com paciência, não temos tempo porque somos prisioneiros de nós mesmos? O Senhor nos conhece, compreende nossas fragilidades e nossos medos.

Na quarta feira de Cinzas, a Igreja nos propõe o rito antigo das cinzas, que foram colocadas sobre a nossa cabeça, enquanto o sacerdote repetia: “Lembra-te que és pó e em pó te hás de tornar”. Sim, somos pó, homens e mulheres fracos, mesmo que alguém se esforce de mostrar-se forte aos demais. O Senhor também sabe que a vida é, tantas vezes, dura. Ela não nos permite de parar...  Por isso, neste tempo, Ele nos acolhe de novo: quer ajudar-nos, curar o nosso coração e a nossa alma, fazer-nos repousar nele.

Já desde o seu início, a Quaresma nos indica este caminho.

Há quem viva para ser admirado, considerado, querido, no bem e no mal. Na verdade, há quem até mesmo faz o mal, quem se impõe sobre os demais com a prepotência para ser admirado e considerado. Basta pensar, por exemplo, nos inúmeros escândalos públicos que estamos assistindo. Pessoas que se tornam “pessoas honradas”, poderosas, cercadas de dinheiro e de bens materiais, que são admiradas pelo poder que detém, tudo isto a custa de roubos, desonestidades, golpes que prejudicam a inteira população.

Mas isto também acontece na vida comum e de pessoas comuns. Homens e mulheres que vivem de exterioridades, que desejam sempre estar no centro das atenções. Ficam com raiva e se entristecem quando não conseguem ser o centro de tudo. Um mundo cheio de aparências e de exterioridades. Julga-se e se olha só a partir do exterior, do aspecto físico, da riqueza, da força, da capacidade de impor-se aos demais.

Este é um mundo e uma Comunidade sem misericórdia, porque quem olha os demais só pelo exterior os julga segundo aquilo que consegue ver, em geral, quase nada de verdade. Um mundo cheio de protagonismos, de gente que faria de tudo para ser e estar sempre no centro das atenções. E, infelizmente, isto pode acontecer também em nossas Comunidades cristãs. Por isso, Jesus vem em nosso meio e nos indica de como viver este tempo santo, falando-nos da conversão, da esmola, da oração e do jejum.

A esmola que é um gesto de absoluta gratuidade, daquele que não espera receber nada em troca. Voltar-se, nesta Quaresma para os mais pobres e abandonados, os mais sofredores. Neles está Jesus.

A oração intensificada, que abre e cura a alma. Abre-nos ao Senhor, ensina-nos a Sua palavra, os seus gestos de amor. Aproveitar este tempo santo para receber o perdão de Deus no sacramento da Reconciliação e da penitência, confessando os nossos pecados. Viver, neste tempo, a Via Sacra. Visitar muitas vezes a Jesus no sacrário...

O jejum liberta o corpo da moleza, da escravidão dos sentidos. Mas há também um jejum espiritual, o jejum de nós mesmos, do próprio eu. O jejum do julgar os outros, o jejum do fofocar, o jejum do destruir a fama alheia...

Irmãos e irmãs, o tempo da Quaresma nos oferece a oportunidade de reentrar em nós mesmos, de aprender a doar e a doar-se com gratuidade, vivendo a misericórdia. É o tempo de rezar mais, de jejuar. É o tempo das decisões santas, o tempo de deixar que Deus nos mude. Há uma segunda frase que pode ser dita, na imposição das cinzas: “Convertei-vos e crede no Evangelho”.

Aproveitemos este tempo santo da Quaresma. Façamos a nossa parte. Deus não nos faltará com sua Graça, com o seu amor.

Boa e santa Quaresma a todos.

 

+ Dom Antonio Carlos Rossi Keller
Bispo de Frederico Westphalen


Convertei-vos e crede no Evangelho


 

O Evangelho deste I Domingo da Quaresma (Marcos 1,12-15) refere-se o retiro de Jesus no deserto durante quarenta dias e quarenta noites para preparar a sua missão. Jesus apresenta-se como um novo Moisés: assim como Moisés esteve quarenta dias no monte Sinai em intimidade com Deus e, no final, recebeu de Deus a garantia de conduzir o Povo de Israel até á terra prometida (é isso que chamamos a «Aliança de Moisés»), de modo semelhante Jesus viveu um tempo de plena intimidade com o Pai antes de iniciar a sua pregação e, no Calvário, selou a «Nova Aliança» com a humanidade, Aliança Nova e Eterna. Convém fixarmos bem estas palavras que aparecem repetidas na consagração da Missa.

Na 1ª leitura, tirada do livro do Genesis, 9,8-15) aparece a figura de Noé que viveu o dilúvio de quarenta dias e quarenta noites, e, no final do dilúvio, Deus estabeleceu uma Aliança. Essa Aliança é a «aliança da natureza», a garantia de que os tempos e as estações do ano se alternam de um modo regular para a terra produzir os seus frutos. O símbolo dessa Aliança é o arco-íris. Ainda hoje se mantém essa «aliança da natureza», devendo a atividade política e as invenções técnicas não agredir doentiamente a natureza para garantir aos vindouros os recursos e o equilíbrio da terra.

Na 2ª leitura, S. Pedro (1 Pedro 3,18-22) compara o dilúvio ao batismo, pois assim como o dilúvio destruiu o que era mau e deu início a um mundo novo, assim o batismo lava o que há de mau em nós e dá início à vida nova de filhos de Deus. 

A partir destes exemplos, compreendemos melhor a Quaresma e o Batismo e a Páscoa.

A Quaresma é esse longo período de preparação da Páscoa, e como a Páscoa começa em nós no dia do Batismo, a Quaresma é o tempo de aqueles que fomos batizados em crianças tomarmos consciência do que é o Batismo. Sem esse esforço de educação da fé, corre-se o perigo de a ver definhar. Os padrinhos foram aceitos como testemunhas da fé e auxiliares dos pais na educação futura, e devem também tomar consciência disso.

O batismo não é uma cerimônia para dar um nome a uma criança nem para a inscrever nos livros da Igreja. Se fosse isso, poderia um dia «desbatizar-se» como se faz ao abandonar um clube desportivo. O Batismo é um «nascimento», um processo de ressurreição com Jesus ressuscitado, uma relação vital indelével.

Podemos dizer que, pelo batismo, entramos na «Nova Aliança» que Jesus estabeleceu com o mundo. Para designar o mistério do Batismo há muitas expressões bíblicas e dos autores cristãos, todas muito belas e expressivas: o Batismo (dos adultos) é dilúvio – fim dos vícios e começo de vida nova; é iluminação – abertura a novas perspectivas de vida; é ressurreição – começo de um modelo de vida que incluirá a vitória sobre a morte a consumar-se um dia.

Além destas expressões, S. Paulo usa outra comparação dizendo que o batismo é um «enxerto»: «somos enxertados em Cristo». Esta comparação é muito fecunda, e como em muitas regiões a Quaresma coincide com o tempo da poda, isso pode ajudar a perceber a importância da Quaresma como tempo de purificação da vida mais verdadeira. O enxerto supõe cortes na vara que o recebe e na vara que é «semente», fazendo que a seiva circulante conduza a nova produção. O podador liberta a videira dos ramos velhos ou que estão a mais, e orienta os novos para produzirem melhor. Sem esse cuidado o enxerto morre ou definha. O Batismo é, como o enxerto, morte e ressurreição: deixar a vida mundana para assumir a vida de Jesus ressuscitado

A catequese na infância e os exercícios espirituais da Quaresma destinam-se a desenvolver essa consciência batismal: a recepção do Sacramento da Penitência (Confissão), mais tempo de oração em casa e nas igrejas (nomeadamente a Via Sacra), alguma penitência pessoal pelos pecados próprios e dos outros, a abstinência de carne às sextas-feiras em espírito de unidade e de obediência à Igreja, e, finalmente, a partilha de alguns bens materiais, conforme determinou a Igreja.

Toda a Quaresma deve ser vivida com os olhos na Páscoa, como o viticultor faz o seu trabalho com os olhos postos no futuro, nunca separando a poda da perspectiva da vindima. O Evangelho diz que Jesus foi para o deserto conduzido pelo Espírito Santo. Isto convida-nos a viver os exercícios da Quaresma com alegria do Espírito santo recebido no batismo – filhos de Deus, membros da Igreja, atentos aos apelos da graça e fortes perante as tentações do mundo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O Leproso.


 
A Palavra de Deus neste domingo leva-nos ao fenómeno da lepra. Tal fenómeno complexo era semelhante à própria morte. A pessoa infectada com tal doença sofria horrivelmente em todas as dimensões: no seu corpo e no seu espírito.
Era motivo de marginalização, de exclusão, isolamento. Era sinónimo de impureza legal, sinal de maldição de Deus.
Na realidade o “coração” de um leproso era espaço de verdadeira amargura, de rejeição e morte.
A Lei determinava alguns procedimentos em ordem sanitária. Mas o ato de interpretar tal doença como uma maldição e como impureza legal fez com que os corações se tornassem duros, e as pessoas leprosas, totalmente excluídas, vivessem num sofrimento horrível e entregues a uma morte lenta e dolorosa.
Para o leproso crente certamente havia um caminho de busca do conforto de Deus, e uma oração sofredora que permitisse abrir horizontes.
O leproso do evangelho (Marcos 1,40-45) é um buscador do rosto de Deus. Nele reside uma esperança que é Jesus Cristo.
São significativos os passos que ele realiza como um verdadeiro discípulo: reconhece a sua fragilidade e o seu mal, aproxima-se com confiança, suplica com fé, realiza um encontro de vida, sente em si uma profunda transformação, parte cheio de alegria, testemunha Jesus Cristo! Ele que saiu do mundo da vida (a comunidade) e vivia nos espaços da morte, passa agora a viver com alegria no meio de todos e, cheio de vida, proclama o segredo de tal manifestação: Jesus Cristo.
Jesus Cristo é verdadeiramente maravilhoso e belo. É a beleza de Deus no magnífico esplendor de humanidade. O acolhimento que faz do leproso revela a personalidade tão cativante e encantadora, cheia de bondade e misericórdia. O Seu rosto não se desvia do rosto do leproso, possivelmente afetado já pela doença que desfigura!
Para O encontrar não há barreira de nenhum gênero. Ele destrói os preconceitos. Ele tem um olhar de vida voltado para os seus irmãos, por quem oferece a vida.
À súplica de cura Ele responde: quero! Ele é um Deus que quer os homens e mulheres libertos e felizes! Ele quer destruir todo o pecado e toda a morte. Ele quer tocar-nos na nossa miséria para nos curar. Ele quer a nossa humanidade. Ele quer cada um, mesmo que para isso seja crucificado!
Ele quer! E a Cruz e a Ressurreição é este querer de amor! E a Eucaristia é este amor tornado atual e próximo! É este querer contínuo.
Tocou-o. As mãos da mãe tocam o seu filho dando-lhe certeza de amor e segurança. As mãos do cirurgião tocam com finura, destreza, clareza e determinação. As mãos do médico tocam para analisar, “ver”, diagnosticar; as mãos da enfermeira são instrumento indispensável de tratamento. Jesus Cristo toca o leproso! Toca o cego! Toca os pés de Pedro e dos outros discípulos, lavando! Ele toca a nossa miséria mais entranhada e portadora de morte para dar vida.
Jesus Cristo é revelado nas palavras e nos gestos do leproso como verdadeiro Deus: O leproso prostrou-se, suplicou, apregoou como um profeta as maravilhas operadas nele. Na pessoa do leproso está patente o Mistério Pascal de Jesus Cristo. Ele pede ao leproso para não dizer nada a ninguém. Não quer ser confundido com um messias ao sabor do triunfalismo, da arrogância e do poder! Quer que primeiro aconteça a sua morte e ressurreição para se perceber que é dando-se totalmente que nos salva.
Em cada Missa nós vivemos a experiência intensa do amor de Cristo. Não é mera recordação, mas presença viva de um amor totalmente doado a nós- para que o mesmo mistério pascal- nos penetre e nos faça saltar de alegria e entusiasmo.
 
 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Jesus nos ensina a verdade sobre o sofrimento



Deus não quer o sofrimento, como nos ensina o Evangelho deste Domingo (São Marcos, 1,29-39). «A sogra de Simão estava de cama com febre [...]. Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los
O Evangelho apresenta exemplos claros de como Jesus procurava acabar com o sofrimento, quando se cruzava com ele no seu caminho. Cura a sogra de Pedro e todos os doentes que a Ele acorrem. Também o sofrimento causado diretamente pelo demônio é sanado.
Mas não é possível acabar com todo o sofrimento do mundo. A nossa falta de aceitação de muitas coisas que até poderiam deixar-nos felizes é a primeira fonte de muitas dores.
O obsessão em fugir de tudo o que custa algum sacrifício, a procura obstinada do caminho mais fácil são outras tantas fontes de onde jorram lágrimas.
Além disso, é preciso ter presente que a mesma limitação da nossa natureza – uma capacidade que se desgasta com o andar dos anos – e a necessidade que temos de uma contínua correção do caminho a seguir, custam-nos.
Ao retirar-se para fazer oração e ao cumprir inteiramente a missão que o Pai Lhe confiou, Jesus ensina-nos como havemos de encontrar remédio para os nossos sofrimentos ou tirar proveito deles.
«Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios
A passagem de Jesus faz surgir uma esperança em todos os que sofrem e um movimento de solidariedade, de tal modo que uns quantos voluntários transportam os doentes ao encontro de Jesus, para que os cure.
A ajuda que o Senhor nos pede é aproximá-los de Jesus pela oração e pelos sacramentos, além da ajuda amiga que lhes podemos prestar no alívio das suas dores.
Rezar com e pelos que sofrem, ajudando-os a ver a sua cruz à luz da fé é uma ajuda indispensável que lhes devemos prestar.
Quando visitamos um doente – sem cair na crueldade de despertar nele falsas esperanças de cura – havemos de deixá-lo mais conformado, mais otimista, vendo o seu sofrimento com outros olhos. Temos o melhor bálsamo para lhes aplicar que são as verdades da nossa fé.
Um dos tormentos que os acompanham é a convicção de que são inúteis, um peso insuportável para os seus. Isto não é verdade. Eles atraem sobre quem os trata as melhores bênçãos do Céu, porque é Jesus Cristo em pessoa que veneraramos no doente, com Ele nos disse: «O que fizerdes ao mais pequenino destes é a Mim que o fazeis
Além disso, possibilitam em quem os trata lucrar muitos merecimentos e expiar os seus pecados.
Eles são grandes corredentores. É preciso interessá-los para que ofereçam os sofrimentos pelos grandes problemas da Igreja.
«Simão e os companheiros foram à procura d’Ele e, quando O encontraram, disseram-Lhe: “Todos Te procuram”.»
Como os doentes contemporâneos de Jesus na terra, também nós temos necessidade de O procurar onde Ele Se encontra.
Podemos encontrá-lo na luz da Sua Palavra, na intimidade da oração e na força dos sacramentos, especialmente no da Reconciliação e Penitência e no da Eucaristia.
Toquemo-lo. Encontremo-nos com Ele, cheios de esperança, na Missa de cada Domingo.
Talvez não nos cura as dores físicas, mas o Seu Amor é bálsamo que as suaviza e conforta.
Maria, corredentora pelo sofrimento, sobretudo junto à Cruz, estará connosco para nos ajudar.


Pesquisar este blog

Carregando...
Ocorreu um erro neste gadget