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quarta-feira, 22 de maio de 2013

O Mistério da Santíssima Trindade na Igreja



Na vida da igreja tudo começa e acaba com a invocação às três divinas Pessoas. É lógico que assim seja, porque a própria Igreja é uma comunhão de vida com o Pai o Filho e o Espírito Santo; e toda a Criação tem a sua origem e o seu fim na Santíssima Trindade. Compreende-se assim que a oração e o gesto mais repetido pela Igreja seja o Sinal da Cruz. Quando o fiel cristão se benze, traçando o Sinal da Cruz sobre a sua pessoa, invoca a Santíssima Trindade que mora nele pela graça, afirma que a graça é fruto da Cruz, e faz um ato de fé nestas verdades.

O significado do sinal do cristão (a Santa Cruz com a invocação da Santíssima Trindade) é também uma afirmação da sua missão apostólica. O cristão tem como missão ser um sinal «mais» (a Cruz) lá onde se desenvolve a sua existência. Ser uma cruz ou um sinal «mais» quer dizer que com a sua vida deve unir, somar, criar comunhão dos homens entre si, para os introduzir na comunhão com o Pai o Filho e o Espírito Santo.

 
A Igreja deseja, com a celebração de hoje, que nos tornemos mais conscientes de que tudo na nossa vida deve estar presidido e orientado (começar e acabar) pelo Mistério Trinitário. O fato de ser um mistério quer dizer que a sua compreensão excede a nossa inteligência, como a luz do sol é excessiva para a limitada capacidade de visão dos nossos olhos; mas podemos saber que o sol existe, e captar indiretamente a sua luz, refletida nos objetos. Também podemos e devemos conhecer cada dia um pouco melhor o Mistério central da nossa fé pelo estudo do Catecismo, por exemplo, e pela nossa oração.

Na vida do cristão que aprofunda a sua fé no Mistério da Trindade, o trabalho, a vida interior e o apostolado devem desenvolver-se por igual e constituir uma unidade harmônica. De modo semelhante podemos afirmar que assim como na Santíssima Trindade as divinas Pessoas estão sempre unidas, no cristão o trabalho deve ser oração e ocasião de apostolado; o apostolado se apoia na oração e é feito com a responsabilidade e o esforço de um bom profissional; e a oração deve ser esforçada e desenvolver-se no horizonte da missão apostólica.

Nesta Solenidade em que desejamos centrar mais a nossa vida no mistério da Santíssima Trindade, acudamos a Aquela a quem a Igreja invoca como Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho e Esposa de deus Espírito Santo, para que interceda por nos com a sua «Omnipotência suplicante».

No dia de hoje, nas paróquias de todo o Brasil, vamos oferecer a Coleta pela realização da Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá, em julho, no Rio de Janeiro. Saibamos ser generosos, para que este evento tenha um bom suporte econômico.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Domingo de Pentecostes


A vinda do Espírito Santo


 
 

O Espírito Santo é uma pessoa divina, tal como o Pai e o Filho. Nós somos templos de Deus precisamente porque o Espírito Santo habita em nós (cfr. 1 Cor 3, 16-17).
Ele é o Autor dos livros inspirados, conhece todas as coisas, incluindo os segredos divinos mais ocultos, pois Ele mesmo é Deus. Perscruta o íntimo dos corações e nada escapa ao seu olhar divino. Por Ele a Virgem Maria concebeu Jesus no seu seio puríssimo; foi Ele que inspirou todas as ações de Jesus, pois é o Espírito do Pai e Jesus não quer nenhuma coisa fora do que quer o Espírito do Seu Pai; foi o Espírito Santo que levou Jesus ao deserto e que desceu sobre Ele em forma de pomba; foi por meio d’Ele que Jesus se ofereceu a Seu Pai no altar da cruz e ressuscitou dos mortos. É também por Ele que se realiza diariamente nos nossos altares o grande milagre da transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Jesus. Ele é o grande Consolador prometido por Jesus aos seus discípulos: «Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará um OUTRO Paráclito (Protetor e Consolador) para que habite em vós para sempre» (Jo 14, 16).
O Espírito Santo é também a alma da Igreja. É o Espírito Santo quem leva a cabo toda a obra de organização da Igreja, assinalando a cada um o lugar que lhe está marcado desde toda a eternidade: «Foi num só Espírito que todos fomos batizados, para constituirmos um só corpo» (1 Cor 12, 13). É o Espírito Santo que opera pelo ministério dos Apóstolos toda a espécie de maravilhas nas almas e torna fecundo o apostolado; é Ele quem ora em nós e a favor de nós com gemidos inenarráveis, mesmo quando nós nem pensamos n’Ele; é Ele quem põe em nossos corações os sentimentos de confiança e de afeto filial para com o Pai; é Ele quem nos santifica fazendo de cada um de nós verdadeiros filhos de Deus em Cristo Jesus (Cfr. Rom 8). É Ele o Santificador das nossas almas. É Ele a alma da Igreja, Corpo Místico de Jesus Cristo; presente em Jesus Cristo e em cada um dos membros do Seu Corpo, constitui o laço substancial que nos une a todos a Cristo e nos une uns aos outros em Cristo: «O Espírito Santo faz na Igreja o que a alma faz nos membros de um corpo» (S. Agostinho, sermão 267).
O Espírito Santo habita em nós como num templo. «A todos nos foi dado beber um único Espírito» (1 Cor, 12, 13).
O Espírito Santo é com toda a verdade o nosso Espírito, porque, segundo o testemunho da Escritura, nos foi dado como o grande Dom de Deus. Jesus, dirigindo-se aos seus discípulos, na tarde da Ressurreição, disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo» (Jo 20, 22); porém, foi sobretudo no dia de Pentecostes quando lhes foi dado o Espírito Santo em forma de línguas de fogo: «E todos ficaram cheios do Espírito Santo» (At 2, 4).
Aos três mil israelitas que, depois da pregação de S. Pedro, no dia de Pentecostes, se convertem e perguntam o que devem fazer, o Apóstolo responde-lhes: «Arrependei-vos e batizai-vos no nome de Jesus Cristo e recebereis o dom do Espírito Santo» (At 2, 38).
Os testemunhos do Apóstolo S. Paulo são bem explícitos: «O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rom 5, 5); «Se alguém não possui o Espírito de Cristo, esse não pertence a Cristo» (Rom 8, 9); «Não recebemos o espírito do mundo mas o Espírito Santo que procede de Deus» (1 Cor 2, 12); “Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito Santo habita em vós?» (1 Cor 3, 16); «Porventura não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que habita em vós, que vos foi dado por Deus?...» (1 Cor 6, 19); «Guarda o bom depósito por meio do Espírito Santo que habita em nós» (2 Tim 1, 14).
A nossa sublime vocação, à imitação de Maria, é viver em comunhão de amor com Deus Pai, Filho e Espírito Santo, agora na «obscuridade» da fé e depois no esplendor da visão beatífica. As divinas pessoas comunicam-se a nós interiormente e estabelecem em nós uma nova maravilhosa presença. A nossa existência cristã torna-se vida espiritual, animada e guiada pelo Espírito Santo até à santidade e perfeição da caridade. Vivemos e caminhamos neste mundo segundo o Espírito de Deus (Cfr. Rom 8, 4- 5; Gal 5, 25).

quarta-feira, 8 de maio de 2013

A Ascensão do Senhor


 

 

Quarenta dias depois da Páscoa da Ressurreição, Jesus Cristo subiu ao Céu gloriosamente e foi – como prometera aos Apóstolos no Cenáculo, na noite de Quinta-feira Santa – preparar-nos um lugar.
Nada foi improvisado. Mandou aos discípulos que não começassem a evangelização do mundo sem terem recebido o Prometido do Pai, o Espírito Santo. Jesus nos confia à ação do Espírito Santo. «Recebereis a força do Espírito Santo que descerá sobre vós.»

A Ascensão de Jesus é uma verdade de fé. Ao fim de quarenta dias em que se manifestou, por diversas vezes aos Apóstolos, procurando confirmá-los na verdade da Ressurreição e fazendo-lhes as últimas recomendações, elevou-Se à vista deles.
No Cenáculo, na intimidade da Última ceia, prometeu solenemente que não os deixaria órfãos, desamparados, mas iria entregá-los ao cuidado do Espírito Santo.

A ressurreição/ascensão de Jesus garante-nos que uma vida vivida na fidelidade aos projetos do Pai é uma vida destinada à glorificação, à comunhão definitiva com Deus. Quem percorre o mesmo caminho de Jesus subirá, como Ele, à vida plena.
Jesus faz de nós Suas Testemunhas. «Sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judéia e na Samaria e até aos confins da terra.»

Uma testemunha é alguém que nos garante a veracidade de um acontecimento, ou de uma afirmação.
Durante os três anos da vida pública, Jesus apareceu-nos com o Seu rosto e o tom da Sua voz. Agora quer multiplicar a Sua presença no mundo, apresentando-Se com o rosto de cada um de nós, o tom da nossa voz e, sobretudo, a nossa vida.

Podem, de fato, as pessoas que vivem e trabalham conosco, descobrir em nós traços do rosto de Jesus Cristo?
Hoje, nós cristãos, vivemos da fé. «Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos.»

Enquanto Jesus subia gloriosamente ao Céu e os Apóstolos o olhavam com pena, esperando que Ele Se arrependesse e voltasse para traz, uma nuvem ocultou-O aos seus olhos. Esta nuvem é uma imagem da fé. Tal como eles sabiam que, para além da nuvem, estava Ele, também nós sabemos, pela fé, que Ele está conosco.
Só Jesus Cristo conseguiu duas coisas que, no nosso caso, são impossíveis: Subiu ao Céu onde o Pai O aguardava, para preparar-nos um lugar; e ficou conosco.

Ele está misteriosamente presente em cada pessoa e é nela que deseja ser amado por nós. «Em verdade vos digo: todas as vezes que fizestes isto a um dos Meus irmãos mais pequeninos (foi) a Mim (que) o fizestes.» (Mt 25, 25-46).
Ele está presente na Sua Palavra. «Quem vos ouve (é) a Mim (que) ouve.» (Lc 10. 16).

Ele está presente no grupo que se reúne em Seu nome, como nós estamos agora aqui. «Onde dois ou três se reunirem em Meu nome, Eu estou no meio deles.»
Ele está presente de modo especial na Santíssima Eucaristia, sobre o altar e piedosamente guardado em nossos altares. Ali está em Corpo, Sangue, Alma e Divindade tão real e perfeitamente como no Céu.

Alegremo-nos com esta certeza de que Jesus Cristo ficou conosco, porque nos ama.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Sacerdócio comum dos fiéis e sacerdócio ordenado


 

Jesus gostava de dizer que nunca estava só. Vemo-lo retirar-se para a montanha, só, mas para se juntar a seu Pai. E promete aos discípulos não os deixar órfãos porque lhes enviará o seu Espírito, o Espírito Santo, o Defensor. Na hora das grandes confidências, pouco tempo antes da sua paixão, Jesus anuncia aos seus discípulos que virá habitar neles com o seu Pai, na condição de permanecerem fiéis à sua palavra. Não somente o Pai e o Filho querem habitar nos discípulos, mas o Espírito Santo também habitará neles para ensinar e fazer recordar-se de tudo o que Jesus lhes disse. Sabemos que há duas formas de morte: a morte física e o esquecimento. Jesus veio anunciar aos seus discípulos que, após a sua morte, Ele ressuscitará, e o Espírito Santo ajudará os discípulos a não esquecer o que fez e disse: eles farão memória, recordando-se d’Ele, mas, sobretudo, proclamando-O vivo hoje até à sua vinda na glória.

E uma forma de Cristo perpetuar a sua memória e a sua mensagem viva e real entre nós é precisamente através do sacerdócio.

O sacerdócio ministerial é o sacerdócio dos bispos e padres (não dos diáconos); o sacerdócio comum dos fiéis é o sacerdócio de todos os batizados. Sacerdote significa: aquele que oferece o sacrifício. E sacrifício significa oferta sagrada. Então, o sacerdote é aquele que oferece a Deus um sacrifício. Cristo é, a bem dizer, o único verdadeiro sacerdote (cf. Carta aos Hebreus): sacerdote único e eterno porque Se ofereceu a Si mesmo no altar da cruz. Ele próprio é, ao mesmo tempo, o sacerdote e a oferta.

Chamamos sacerdotes aos padres porque, agindo «na pessoa de Cristo Cabeça» (cf. Catecismo Igreja Católica nº 1548), eles oferecem no altar o sacrifício de Cristo na Cruz, atualizado através da Eucaristia. Porém, todo o batizado é, pelo seu batismo, sacerdote, como Cristo.

Então, sendo sacerdotes, que oferta sagrada é que oferecem a Deus? O cristão oferece a Deus em sacrifício a sua vida. Isto não que dizer que faça da sua vida um sacrifício-sofrimento, mas sim um sacrifício-oferta a Deus, oblação. Embora os seus sofrimentos também façam parte da sua oferta, pois o batizado consagra ao seu Senhor toda a sua vida, tudo aquilo que é. Ele é consagrado pelo batismo e pela unção do Espírito Santo para oferecer, mediante todas as obras do cristão, sacrifícios espirituais.

Este «sacerdócio comum» é o de Cristo, único Sacerdote, do qual participam todos os seus membros (cf. Catecismo nº 1141). E é o selo batismal os compromete e os torna capazes de: servir a Deus mediante uma participação viva na santa liturgia da Igreja; e de exercer o seu sacerdócio batismal pelo testemunho duma vida santa e duma caridade eficaz (cf. Catecismo nº 1273).

Sacerdócio comum e ministerial são duas participações no mesmo sacerdócio de Cristo, Único Sacerdote. Sacerdócio «comum» não quer dizer inferior. Bem pelo contrário, o sacerdócio ministerial (dos bispos e padres) existe por causa do sacerdócio comum (de todos os batizados), e não o contrário. Na verdade, o sacerdócio comum dos fiéis realiza-se através do desenvolvimento do seu batismo: vivendo uma vida de fé, esperança e caridade, uma vida segundo o Espírito. Ora, o sacerdócio ministerial proporciona ao batizado os meios de que ele necessita para viver a vida divina que recebeu no batismo. O sacerdote (padre) é um dispensador desses meios, principalmente dos sacramentos. Mas os padres continuam a viver, também, o sacerdócio comum dos fiéis. Antes de serem padres são batizados: «Convosco sou cristão; para vós sou bispo» (Santo Agostinho).

 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O Bom Pastor


 
Domingo de Oração pelas vocações de especial consagração
 
Jesus Cristo serve-Se da imagem do bom pastor, para nos explicar a missão que o Pai Lhe entregou e, em união com Ele, a todos os Seus continuadores e também a nossa, que é a de ovelhas do Seu rebanho.
O pastor é uma figura de todas as épocas, porque os rebanhos serão sempre necessários.
O pastor e o rebanho constroem uma vida em comum. O pastor existe para o rebanho, e vive do rebanho (o leite, as crias e os sub-produtos). Caminham juntos e todos se dirigem para o mesmo lugar, provisoriamente para o abrigo na montanha e, finalmente, para o redil em casa.
Jesus Cristo serviu-Se desta imagem para nos ajudar a entender a nossa relação com Ele, e a d’Ele conosco. Vive para nós, dá-nos, não apenas o tempo, mas a Sua vida em alimento.
Quis perpetuar os Seus cuidados de Bom Pastor, no anúncio da Palavra de Deus, no perdão dos pecados e na administração dos Sacramentos, instituindo o sacerdócio ministerial.
O sacerdote é, portanto, apesar das suas fragilidades, uma manifestação do carinho do Senhor, o Bom Pastor, para com cada um de nós.
Hoje celebramos o Domingo de Oração pelas vocações de especial consagração.
A missão do sacerdote é, por vontade de Jesus Cristo, a continuação da missão que o Pai Lhe entregou, quando Se fez um de nós.
 “Para que tenham vida”. É esta a finalidade última de toda a ação pastoral: para que as pessoas vivam em graça, como bons filhos de Deus.
Com esta finalidade, o sacerdote proclama a Palavra de Deus, explica-a o melhor que sabe e pode. Não é fácil a pregação. Encontramos pessoas de todas as idades, com uma diversidade muito grande de cultura, e muito diversificadas na sua relação com Deus (cristãos fervorosos, tíbios e desinteressados).
É uma missão que requer muita coragem, porque aqueles que dormem não gostam nada de quem os acorda.
Administra os Sacramentos. Não é dono e senhor deles. Como a palavra o dá a entender, ele é apenas um administrador que dará contas a Deus do modo como o fez. Também ele obedece ao que Jesus Cristo, pela Hierarquia da Igreja, lhe manda.
Faz oração. Ensina as pessoas a falar com Deus, e tem por missão rezar. A Liturgia das Horas diária (Breviário) é pelos fiéis; e o pároco celebra todos os Domingos uma missa (grátis) pelas intenções dos paroquianos.
 Mas existem muitas dificuldades. «Ao verem a multidão, (os judeus) encheram-se de inveja e responderam com blasfémias
Esta atitude dos ouvintes de Paulo e Barnabé levanta dentro de nós uma pergunta a que cada um, no seu íntimo, deve responder: Por que, o anti-clericalismo do meio em que vivemos?
O sacerdote tem de ser incômodo. As pessoas encaram-no como um ‘polícial de costumes’, ou um ‘desmancha-prazeres’.
Afinal, é apenas um irmão mais velho que nos quer ajudar. Sendo cheio de defeitos e fraquezas, enquanto luta para tornar mais perfeita a sua vida, deixa transparecer a ação de Jesus Cristo. Assim compreendemos logo que o bem realizado não é obra de um homem frágil, mas de Deus.
É, por vocação, mensageiro da paz e da alegria. «Fiz de ti a luz das nações, para levares a salvação até aos confins da terra
Distribui a alegria e a paz de mãos cheias no Sacramento da Reconciliação e Penitência, no conselho amigo, quando o procuramos e lembramo-nos continuamente que vamos a caminho da felicidade eterna.
É um companheiro de viagem a caminho do Céu. Não diz: «ide!», mas: «vamos».
Deus quer fazer passar a nossa alegria de viver pela missão de homens que precisam também de quem os ajude a manter o otimismo na sua missão.
Rezemos hoje e sempre pelos sacerdotes, religiosos e religiosas, e especialmente, pelos nossos vocacionados e seminaristas. Para que Deus suscite muitas vocações entre nós, afim de que nunca nos falte a presença amiga de um sacerdote, de um religioso ou religiosa junto de nós.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

A necessidade de uma boa formação


 

A Primeira Leitura da  Missa deste 3.º Domingo da Páscoa apela à necessidade da formação religiosa de todos os cristãos.

Reparemos no diálogo entre o Sumo Sacerdote e os Apóstolos:

Sumo Sacerdote: «Já vos proibimos formalmente de ensinar em nome de Jesus; e vós encheis Jerusalém com a vossa doutrina e quereis fazer recair sobre nós o sangue desse homem».

Pedro e os Apóstolos respondem: «Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens». Depois, dão-lhe uma lição sobre vários temas. Donde lhes vem todos estes conhecimentos? Da escola de Jesus.

«Então os judeus mandaram açoitar os Apóstolos». Isto não impediu os Apóstolos de continuar a ensinar.

Hoje, os cristãos não têm a preocupação de ensinar. Isto acontece por várias causas: acanhamento, covardia, etc.

No Evangelho de hoje repare-se na sua verdadeira mensagem.

A Igreja de Jesus Cristo, constituída por Cristo, que é a Cabeça da Igreja, pela Hierarquia e os verdadeiros cristãos, que são o seu Corpo, formam o Cristo Total.

A quem compete a maior responsabilidade no seio da Igreja? A Jesus Cristo.

Reparem que os Apóstolos pescaram toda a noite e o seu trabalho foi em vão. Nada pescaram. Vem Jesus e pergunta: «Rapazes tendes alguma coisa de comer»? Eles responderam. «Não» Disse-lhes Jesus: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis».

Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes.

Qual a lição a tirar da síntese deste texto?

Sem Cristo nada pescaram. Com Cristo a pesca foi abundante.

Na Igreja de Cristo será sempre assim. Tudo depende de Cristo e da nossa colaboração.

Jesus Cristo faz-nos participantes da eficácia do trabalho de santificação de cada membro da Igreja. A salvação dos outros também depende de cada um de nós. Cada um deve fazer o melhor que sabe e pode. Não somos irresponsáveis. Cristo não prescinde do mais pobrezinho. Prestaremos contas daquilo que devíamos ter feito e não realizamos.

Para tal a formação religiosa é indispensável. Ninguém dá o que não tem. Se não cultivamos a nossa formação religiosa não teremos capacidade para ajudar os nossos amigos que vivem afastados da Missa dominical, da oração, do Sacramento da Penitência, etc.

Na Igreja de Cristo ninguém está dispensado de ajudar na pesca. Há lugar para todos.

Jesus não manda ninguém para férias.

Não esqueceremos que, primeiro que a nossa formação, está a nossa santificação. As duas coisas são simultâneas. Os santos, que são sábios, foram sempre os melhores conquistadores de almas.

Será sempre assim. Não prescindir de nenhuma das coisas. Os tempos de hoje são muito exigentes.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Rei por direito divino.

Rei por direito divino.
A renúncia de Bento XVI e a eleição de Francisco. Pergunta: quem é o Papa? O carisma jurídico de um bispo que tem um primado sobre os seus confrades. Por Cristo.
 
(Postagem de "Fratres in unum") www.fratresinunum.com
 
Por Roberto de Mattei 
Foglio Quotidiano, 28-03-2013 | Fratres in Unum.comTradução: Hélio Viana* - A pergunta “quem é o Papa?” surge espontaneamente toda vez que um novo Pontífice é eleito, sobretudo quando seu nome e sua história pessoal são desconhecidos do grande público. Tal não foi o caso do cardeal Joseph Ratzinger, romano de adoção, após tantos anos passados como prefeito da Congregação para a Fé; mas foi o caso de Karol Wojtyla, vindo de Cracóvia, e o é hoje o de Jorge Mario Bergoglio, proveniente de uma diocese ainda mais distante, nos confins do mundo, como ele disse no dia de sua eleição.
PapasVÉ compreensível que nos primeiros dias e semanas após a eleição procuremos sondar o passado próximo ou remoto do novo Pontífice, conhecer suas idéias, tendências e hábitos, para inferir, a partir de suas palavras e ações do passado, o programa do novo pontificado. O volume El Jesuita. Conversaciones con el cardenal Jorge Bergoglio s.j. (Vergara, Buenos Aires 2010, por Sergio Rubin e Francesca Ambrogetti) já delineia o rosto de um papabile e merece ser conhecido. Menos conhecida é a reação indignada que ao referido volume dedica um estudioso argentino de orientação tradicional, Antonio Caponnetto (La Iglesia traicionada, Editorial Apóstol Santiago, Buenos Aires, 2010). Tampouco se pode entender quem seja o novo Pontífice sem conhecer o julgamento que dele faz o padre Juan Carlos Scannone, um jesuíta discípulo de Karl Rahner que o teve como aluno e que inscreve o arcebispo de Buenos Aires na “escola argentina” da teologia da libertação (La Croix, 18 de março de 2013).
A “opção preferencial pelos pobres” do cardeal Bergoglio está enraizada em particular no ensinamento de Lucio Gera e Rafael Tello, expoentes de uma “teologia do povo” caracterizada pela substituição da ideologia da revolução armada pela praxis da pobreza. Analisando em La Nación de 21 de março o “Método Bergoglio de governar”, Carlos Pagni explica a razão teológica pela qual a “periferia” ocupa o lugar central na paisagem ideológica do arcebispo Bergoglio. O pobre para ele não é uma realidade sociológica para ajudar, mas um sujeito teológico do qual aprender: “Esta atitude pedagógica tem uma raiz religiosa: a relação do povo com Deus seria mais genuína porque carece de contaminações materiais”. Também Maurizio Crippa, no Foglio de 23 de março (“A pobreza é um sinal teológico, não sociologia”) enfatiza este aspecto, recordando as origens remotas dessa atitude: “A aposta é sempre transformar a Igreja na pessoa dos pobres em marcha, melhor ainda se autoconvocados: dos Pobres de Lyon, mais tarde chamados valdenses, a todas as correntes ortodoxas ou heréticas que atravessaram a Idade Média, como os Humilhados e Frei Dolcino de Novara, com desvios que chegaram até Tolstoi; e assim em diante, num percurso de privação e regeneração que retorna idêntico, desde as ‘Cinco chagas da Santa Igreja’ de Antonio Rosmini – a quinta é precisamente ‘a escravidão aos bens eclesiásticos’ – até as teologias conciliares da Igreja pobre”.
Trata-se de temas que seria útil aprofundar. Mas, no fundo, não é esse o ponto. A vida de um homem, mesmo de um Papa, não se mede pelos gestos do passado; ela muda a cada dia e pode a cada dia ser redefinida por mudanças, maturações e correções de rota novas e inesperadas.
Mais do que despertar tais interrogações a que só o futuro poderá responder, cada mudança de pontificado deveria proporcionar ocasião para se refletir sobre o que o novo eleito representa; refletir sobre o Papado como instituição mais do que sobre o Papa como pessoa individual. E isso especialmente após um período no qual, entre 11 de fevereiro e 13 de março de 2013, a própria constituição do Papado parece ter sido profundamente ferida.
O primeiro golpe dessa flagelação foi a renúncia de Bento XVI ao pontificado, um evento canonicamente legítimo, mas de impacto histórico devastador. “Um Papa que renuncia – observou Massimo Franco – já é um evento memorável na história moderna. Mas um Pontífice que o faz na plena posse de suas faculdades mentais, dando como razão simplesmente a fragilidade proveniente da idade, quebra uma tradição plurissecular” (A crise do império vaticano, Mondadori, Milão 2013, p. 9).
Um segundo golpe à instituição foi a escolha por Bento XVI de se autodefinir como “Papa emérito”, conservando o nome e a veste pontifícia e continuando a viver no Vaticano. Canonistas renomados como Carlo Fantappié destacaram a novidade do gesto, sublinhando como “a renúncia do Papa Bento XVI colocou graves problemas a respeito da constituição da Igreja, da natureza da primazia do Papa, bem como quanto ao âmbito e a extensão dos seus poderes após a cessação do ofício” (“Papado, sede vacante e ‘Papa emérito’. Equívocos a serem evitados”, em chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1350457).
A coexistência de um Papa que se apresenta como Bispo de Roma e de um bispo (porque tal é hoje Joseph Ratzinger) que se autodefine como Papa oferece a imagem de uma Igreja “bicéfala” e evoca inevitavelmente as épocas dos grandes cismas. Não se compreende a este propósito a ênfase midiática que as autoridades vaticanas quiseram dar ao ‘encontro dos dois papas’, no dia 23 de março, em Castel Gandolfo. As imagens que deram volta ao mundo e que o próprio Osservatore Romano publicou na primeira página no dia seguinte é a de dois homens que a linguagem dos símbolos coloca em pé de absoluta paridade, impedindo discernir de forma imediata quem fosse o autêntico Papa. O evento também contrasta com a garantia dada pela assessoria de imprensa da Santa Sé de que depois de 28 de fevereiro Bento XVI renunciaria ao cenário midiático, retirando-se no silêncio e na oração. Não teria sido mais prudente se o encontro tivesse se dado longe dos holofotes? Ou existe por acaso uma estratégia voluntária atrás dessa escolha midiática? Qual?
Estudioso da História do Cristianismo, Roberto Rusconi descreveu por sua vez o que vai resultar da encíclica inacabada de Joseph Ratzinger sobre a fé, em complemento das já promulgadas sobre a caridade e esperança. “A encíclica não terminada – observa Rusconi – poderia ser publicada depois como mais um texto de Joseph Ratzinger, quem durante seu pontificado sustentou repetidamente que seus últimos livros não deveriam ser considerados de nenhum modo como uma expressão direta de seu magistério pontifício” (Roberto Rusconi, A grande recusa. Por que um papa renuncia, Morcelliana, Brescia 2012, pp. 143-144). Se isso acontecer, o resultado vai ser o de minar pela base não só a autoridade dos documentos magisteriais promulgados anteriormente por Bento XVI, mas também daqueles futuramente exarados pelo seu sucessor, porque se dissolveria a distinção entre aquilo que é ato magisterial e aquilo que não é ato magisterial, diluindo o conceito de infalibilidade, do qual com freqüência se fala despro­positadamente.
Há defensores declarados de um redimensionamento do Papado, os quais geralmente invocam um texto de João Paulo II, na encíclica Ut unum sint, de 25 de maio de 1995, na qual o Papa Woytila se diz disposto a “encontrar uma forma de exercício do primado que, sem renunciar de modo algum ao que é essencial da sua missão, se abra a uma situação nova” (nº 95). Daí a distinção, feita por Giuseppe Alberigo e pela escola de Bolonha, entre a essência imutável do Papado e “as formas de exercício” nas quais ele se expressa na história (“Formas históricas de governo da Igreja”, em “O Reino”, 1º de dezembro de 2001, pp. 719-723). O inimigo de fundo é a idéia da “soberania pontifícia”, supostamente nascida na Idade Média, que estaria na origem do desvio do Papado de seu espírito original. A partir de meados do século XV, segundo outro historiador de Bolonha, Paolo Prodi, ter-se-ia iniciado uma metamorfose do Papado que modificou a instituição como um todo, levando não só a uma mudança das características institucionais dos Estados Pontifícios, convertidos em um principado temporal, mas também a uma reformulação do conceito de soberania eclesiástica inspirada na soberania política. Vitorioso sobre o conciliarismo, o Papado teria sido, no entanto, derrotado pelo Estado moderno, pois enquanto a Igreja se secularizava, o Estado se sacralizou (O Sumo Pontífice, Il Mulino, Bologna, 1983, p. 306). Porém, para os mesmos autores, a partir da Revolução Francesa, a Igreja, numa dialética frutífera com o mundo moderno, teria começado a se libertar dos grilhões do passado. Apesar de algumas fases regressivas, representadas principalmente pelos pontificados de Pio IX, Pio X e Pio XII, o Concílio Vaticano II marcaria finalmente, de acordo com Alberigo e seus discípulos, o momento da “virada”, descartando a dimensão jurídico-institucional da Igreja e abraçando uma nova visão desta, fundada nos conceitos de “comunhão” e de “povo de Deus”.
Essas teses foram novamente propostas, no plano teológico, em um recente livro dedicado ao ministério do Papa pelo decano dos eclesiólogos italianos Severino Dianich (Por uma teologia do Papado, Cinisello Balsamo, San Paolo, 2010). O fulcro da sua tese é a passagem de uma visão jurídica da Igreja, com base no critério de competência, a uma concepção sacramental, baseada na idéia de comunhão. O cerne do problema remonta à discussão havida no Vaticano II sobre a interpretação do nº. 22 da Lumen Gentium e da Nota prévia inserida por Paulo VI nesse documento, durante o que os progressistas apelidaram de “semana negra” do Concílio. As relações entre o Papa e os bispos, depois do Vaticano II, de acordo com Dianich, não podem mais ser baseadas na delegação e na subordinação. O Papa não governa “do alto” a Igreja, mas a guia na ordem da comunhão. Seu poder de jurisdição procederia, de fato, do sacramento da Ordem. E, sob esse aspecto sacramental, o Papa não é superior aos bispos. Ele, antes de ser Pastor da Igreja universal, é o Bispo de Roma, e a primazia que ele exerce sobre a Igreja universal não é de governo, mas de amor, porque, ontologicamente, como bispo, o Papa está em pé de igualdade com os outros bispos. Por isso Dianich quereria atribuir maior poder ao colégio episcopal, atribuindo a este a possibilidade de legislar com autoridade. O Papa deveria exercer de maneira nova o seu Primado, associando ao seu poder órgãos deliberativos e consultivos, tais as conferências episcopais, os sínodos ou até órgãos permanentes que o assistiriam no governo da Igreja. Tratar-se-ia de um Primado de “honra” ou de “amor”, mas não de governo e de jurisdição sobre a Igreja.
Porém, em primeiro lugar, essas teses são historicamente falsas. A história do Papado não é de fato a história de formas históricas diferentes e conflitantes entre si, mas a evolução homogênea do princípio de suprema jurisdição presente nas palavras que Jesus Cristo disse a São Pedro, e somente a ele: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16, 14-18). Quando São Clemente (ano 92-98 ou 100), terceiro sucessor de Pedro como Bispo de Roma, no início do império de Nerva (por volta de 97), interveio para restabelecer a unidade na igreja de Corinto, abalada por uma violenta discórdia, ele evocou o princípio da sucessão estabelecida por Cristo e pelos Apóstolos, exigindo obediência e até mesmo ameaçando com sanções se as suas disposições não fossem seguidas (Carta Propter subitas aos Coríntios, in Denz-H, nn. 101-102). O tom autoritário da carta e a veneração com que foi recebida são uma prova clara da Primazia do Bispo de Roma no final do primeiro século.
Cerca de dez anos mais tarde, Santo Inácio, Bispo de Antioquia, na viagem de Antioquia para Roma, onde foi martirizado, escreveu uma carta aos romanos na qual ele reconhece à Igreja de Roma uma posição de preeminência sobre toda a Igreja universal, dizendo: “Vós haveis instruído os outros e eu desejo que permaneçam firmes aquelas coisas que prescrevestes com o vosso ensinamento” (Epístola aos Romanos, 3, 1). Sua afirmação, tantas vezes mal interpretada, de que a Igreja de Roma “preside ao ágape”, deve ser entendida em seu sentido próprio. O “ágape” não é uma mera “caridade” genérica, mas, para Inácio, é a própria Igreja universal (que ele é o primeiro a chamar de “católica”), unida pelo vínculo do amor.
Ao longo dos séculos, o Primado pontifício, concebido como princípio ativo e central do governo da Igreja universal, permaneceu como a nota característica do Papado, assim como a constituição monárquica e hierárquica continuou a caracterizar a Igreja. Nas diferentes épocas que a Igreja percorreu, cada vez que o Papado esteve ausente ou foi fraco ou ineficaz, produziram-se cismas, heresias, agitações religiosas e sociais. Pelo contrário, as grandes reformas e a revitalização da Igreja se deram com papas que exerceram o governo usando a plenitude de seus poderes, de São Gregório VII a São Pio X.
O múnus específico do Sumo Pontífice não consiste em seu poder de Ordem, que ele tem em comum com todos os outros bispos do mundo, mas em seu poder de jurisdição, que o distingue de qualquer outro bispo, porque só no caso do Papa este poder é pleno e absoluto, e fonte do poder dos outros bispos. O poder de Magistério faz parte do Primado de jurisdição, e a infalibilidade constitui a expressão mais alta e perfeita do Primado pontifício, uma soberania ainda mais necessária do que aquela das sociedades temporais.
O poder de jurisdição é eminentemente um poder do governo. O Papa é tal porque governa a Igreja exercendo uma jurisdição doutrinária e disciplinar que não pode delegar senão parcialmente: não existe de fato uma diferença entre o poder jurídico de governo e o seu exercício, porque é inimaginável um governo cuja característica seja a de não governar. A essência do Papado tem neste sentido características imutáveis​​: é um governo absoluto que não pode ser delegado a outros no todo, mas apenas em parte. O Papado é uma monarquia absoluta na qual o Sumo Pontífice reina e governa, e que não pode ser transformada em uma monarquia constitucional em que o rei reina, mas não governa. Uma tal mudança de governo não feriria apenas sua forma histórica, mas a própria essência divina do Papado.
Não se trata de um debate abstrato, mas de um problema teológico com efeitos históricos concretos. Nossa época de mundialização dos mercados e de revolução informática assistiu ao colapso dos estados nacionais, substituídos por novos poderes, financeiros e midiáticos. Mas o caos, a fragmentação e o conflito dos novos cenários derivam precisamente desta perda de soberania, da qual é eloquente exemplo a União Europeia nascida do Tratado de Maastricht, que não se apresenta como um “super-Estado” europeu, mas como um não-estado, caracterizado pela multiplicação dos centros de decisão e pela confusão de poderes.
A autoridade e o poder dos estados nacionais e das democracias representativas se desintegram e o vazio é preenchido por lobbies ideológicos e financeiros, visíveis ou ocultos. Deverá a Igreja Católica remodelar-se com base num processo similar de pulverização, se autodemolindo? Face ao relativismo, deverá a Igreja deixar de lado a infalibilidade, como pediu o pastor valdense Paulo Ricca (​​“Il Foglio”, 19 de março de 2013), para se apresentar ao mundo fraca e demissionária, ou seja, não mais servindo-se desse carisma, que só ela possui, para contrapor sua soberania religiosa e moral aos escombros da modernidade? A alternativa é dramática, mas inevitável.
O certo é que a pergunta “quem é hoje o Papa?”, antes que à mídia deve ser dirigida à Teologia, à História e ao Direito Canônico da Igreja. Eles nos respondem que, por trás das pessoas de Bento XVI e de Francisco, há um trono papal instituído pelo próprio Cristo. O Papa São Leão Magno, que pode ser considerado o teólogo mais completo do Papado no primeiro milênio, explicou com clareza o significado da sucessão petrina, resumindo-a na fórmula: “Indigno herdeiro de São Pedro”. O Papa se tornava herdeiro de São Pedro no que dizia respeito à sua natureza jurídica e aos seus poderes objetivos, mas não em relação à sua situação pessoal e aos seus méritos subjetivos. A distinção entre o cargo e o detentor do cargo, entre a pessoa pública do Papa e a sua pessoa privada, é fundamental na história do Papado.
O Papa é o Vigário de Cristo que em seu nome e pelo seu mandato governa a Igreja. Mais do que uma pessoa privada é uma pessoa pública; mais do que um homem é uma instituição; mais do que o Papa é o Papado, no qual se resume e concentra a Igreja, que é o Corpo Místico de Cristo.

* A quem agradecemos a gentileza de nos fornecer a sua tradução.