terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Acolher o dom de Deus





«Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: “Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus.”», nos fala o Evangelho desde domingo, tirado do Evangelho de São Marcos, 1,14-20.
Jesus passa continuamente junto de nós, para nos chamar à conversão, à mudança de vida.
Fala-nos por inspirações interiores, por uma boa leitura feita pessoalmente ou escutada na Liturgia; por uma conversa com uma pessoa amiga e de muitos outros modos.
E muitas vezes encontra-nos distraídos, hipnotizados por valores efêmeros que passam rapidamente. O importante é que nos esforcemos por ler a mensagem que Ele nos envia e procuremos segui-la.
A que Jesus nos convida? «Arrependei-vos e acreditai no EvangelhoEle quer mesmo uma resposta de nossa vida, dizendo-nos: “Vem e segue-Me!”. Segui-lo em que?
Em primeiro lugar, na vocação pessoal. O importante não é fazer aquilo que mais gosto, mas a vontade de Deus. Se uma pessoa começa uma caminhada enganando-se no caminho, como pode chegar à meta?
Devemos também segui-lo na oração. Estabelecemos um plano para cada dia, mas somos tentados pela preguiça, que até se disfarça
O trabalho profissional, momento a momento, é uma ótima expressão de como seguimos a Jesus: pontual, bem feito, com alegria e fomentando um bom ambiente entre os companheiros.
No encontrar tempo para os outros: parando um instante para os ouvir; visitando um doente ou idoso; prestando uma ajuda a quem dela precisa...
É numa conversão contínua, respondendo a estes apelos que nos parecem sem importância, que havemos de acolher o convite de Cristo que passa.
Apressemos o passo. «Disse-lhes Jesus: “Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens”. Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O
Para seguir a Jesus Cristo é preciso apressar o passo, vencer a nossa preguiça que nos instala em hábitos de comodismo.
Por vezes, encontramos pessoas convencidas de que, para seguir a Cristo, é preciso que nos desliguemos da realidade deste mundo.
Na verdade, há pessoas que recebem essa vocação de entregar a vida numa vocação contemplativa.
Mas a maioria dos cristãos são chamados à santificação pelas realidades deste mundo: na, família, na política, na economia e, em geral, em todas as atividades humanas honestas.
Às vezes hesitamos em fazer o que Deus quer, por medo a sermos infelizes. A realidade ensina-nos exatamente o contrário: cada chamamento de Jesus Cristo é para nos tornar felizes.
A Santa Missa que celebramos é um apelo a esta urgência, mesmo quando a decisão nos custa. Jesus Cristo dá-nos o exemplo desta fidelidade à vontade do Pai, sem olhar a sacrifícios.
Jesus Cristo passa na Missa Dominical e dirige-nos as mesmas palavras que ouviram os Pescadores da Galileia: “Vem e segue-Me!” Há sempre um pedido que Ele tem a fazer-nos.
Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, é o exemplo perfeito da docilidade ao que o Senhor lhe pede: procura conhecê-lo com a exatidão possível e, logo que vê o que o Senhor quer, entrega-se sem condições.

Peçamos-Lhe nos alcance a graça de respondermos aos apelos do Senhor com generosidade e alegria.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

“Mestre, onde moras?”




Dois discípulos de João Batista, como nos narra o Evangelho deste domingo, perguntam a Jesus: “Mestre, onde moras?”.
João Batista respondeu aos discípulos apontando-lhes para o «Cordeiro de Deus», que passava. E eles tiveram curiosidade de saber mais sobre Jesus, onde Ele morava, isto é, conhecê-Lo melhor. E acabaram por passar o resto do dia com o Senhor. Ficaram sabendo onde é que Ele morava, de que vivia, com quem vivia! «Vinde e vede!» Em última análise, a morada de Jesus é o amor do Pai. É desse amor que Jesus vem, a partir desse amor age, para o Amor do Pai conduz: «na casa de meu Pai há muitas moradas. … Vou preparar-vos um lugar» (João 14, 2).
Não basta ir ver. É preciso ficar, permanecer no seu amor (João 15, 9), na sua Palavra, na videira (João 15, 5) de que somos ramos. Na Eucaristia, Jesus diz-nos mais do que «Vinde e vede». Diz: «Comei e bebei». Ele se dá como alimento. E passamos nós a ser morada dele. Com os irmãos que comungam, somos sacrário ambulante, em que Ele está presente. Não o podemos esquecer!
«Onde moras
Foi o seu mestre, Heli, quem ensinou Samuel a reconhecer a voz de Deus, a escutá-la e a reagir a ela, como nos ensina a 1a Leitura (1o Samuel, 3,3b-10.19).
João Batista indicou aos seus discípulos o caminho para Jesus. André levou Pedro ao Messias. «Vinde e vede!» (João 1, 39). André viu como Jesus vivia e quis ficar. E gostou tanto, que fez propaganda: «encontramos o Messias!» Pedro também quis ver e «foi visto» e interpelado. Simão transforma-se em Pedro, sinal de mudança de vida.
Vocação é chamamento, é ser olhado com amor e responder com amor, depois de ser visto e de ter visto! Deus tem os olhos em mim. Devo pôr os meus olhos em Deus! E convidar outros! Deus serve-Se de pessoas para chamar outras pessoas. Somos todos intermediários daquele que chama, somos «embaixadores de Cristo» (2 Coríntios 5, 20) e enviados, como os Apóstolos, para transmitir a Boa Notícia.
Normalmente, a vocação depende de pessoas que chamam a atenção para ela, a interpretam e a fomentam: pais, sacerdotes, professores, catequistas. Quem é chamado ao seguimento de Cristo, deseja ver como vivem os intermediários da vocação, para se deixar convencer. Daí a responsabilidade de todos no que respeita às vocações de serviço na Igreja. Temos que ser coerentes, na vida, com a fé que professamos e com a mensagem que queremos comunicar. E, evidentemente, temos que pedir, em oração, que «o Senhor da messe envie trabalhadores para a sua messe» (Mateus 9, 37-38).
No início deste novo ano contemplemos de novo a disponibilidade de Maria, Senhora do “sim”, e saibamos, como ela, responder com toda a prontidão: “Eis-me aqui: faça-se a tua vontade!” (cf. Lucas 1, 38).


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Festa do Batismo do Senhor




Jesus veio de Nazaré. Nazaré era uma aldeia pobre, pequena, obscura e desconhecida. Ficava situada na Galiléia, que também era uma terra desprezada, por ser habitada por gente pagã. Isto significa que Jesus era desconhecido de todos, em Israel. Mas esta cena do Batismo vai dar início a uma vida pública. Jesus é apresentado por Deus Pai como Messias, Salvador! Os cerca de trinta anos de silêncio vão dar lugar a três anos de pregação luminosa que vão mudar a face da terra. A sua mensagem há de ressoar por toda a Palestina e por toda a terra! Jesus tornar-se-á o Senhor do tempo, da história e da eternidade!
O rio Jordão! Este é o rio mais singular, do mundo. Em hebraico, “Jordão” significa aquele que desce. Este rio tem a sua nascente no monte Hermon, a 520 metros de altitude. Percorre cerca de 220 quilómetros e vai desaguar no Mar Morto, o ponto mais baixo do globo: 394 metros abaixo do nível do mar! Que descida! Que significado espiritual tem esta descida? As pessoas vinham ter com João Batista para serem batizadas. Ele anunciava um novo batismo no Espírito Santo. Quem seria o autor desse novo Batismo? João fala de Alguém mais forte que ele. Esse Alguém é Jesus, o Filho de Deus, que sendo de condição divina, desceu até à nossa condição humana. Habitando no Céu, desceu até nós. Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, veio habitar conosco! Veio salvar os pecadores. Que humildade! Mas quem se humilha será exaltado! Desçamos nós também às águas do batismo para sermos elevados à dignidade máxima da filiação divina!
Abriram-se os céus! Há quem pense que o céu está fechado! Há quem diga que Deus não fala! Contudo, Deus faz ecoar aos nossos ouvidos a sua voz para nos repetir que Jesus é o seu Filho muito amado! Nós que acreditamos em Jesus e fomos batizados em seu nome também somos seus filhos! Filhos em quem Deus Pai coloca toda a Sua complacência! O Batismo abre-nos as portas do Céu! Nas águas do rio Jordão começou uma nova criação! Na água do nosso batismo renascemos para a vida nova da graça divina! “Pelo batismo fomos sepultados na morte de Jesus Cristo, para que, tal como Jesus ressuscitou de entre os mortos, também nós caminhemos numa vida nova e participemos na Sua ressurreição” (Romanos 6,4-5).
Vale a pena recordar o que nos ensinam alguns parágrafos do Catecismo da Igreja Católica sobre este Sacramento tão importante, o Batismo :
"§ 172 Há séculos, mediante tantas línguas, culturas, povos e nações, a Igreja não cessa de confessar sua única fé, recebida de só Senhor, transmitida por um único batismo, enraizada na convicção de que todos os homens têm um só Deus e Pai, São Irineu de Lião, testemunha desta fé, declara:
§ 1226 A partir do dia de Pentecostes, a Igreja celebrou e administrou o santo Batismo. Com efeito, São Pedro declara à multidão impressionada com sua pregação: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para a remissão de vossos pecados. Então recebereis o dom do Espírito Santo" (At 2,38). Os Apóstolos e seus colaboradores oferecem o Batismo a todo aquele que crer em Jesus: judeus, tementes a Deus, pagãos. O Batismo aparece sempre ligado à fé: "Crê no Senhor e serás salvo, tu e a tua casa", declara São Paulo a seu carcereiro de Filipos. O relato prossegue: "E imediatamente [o carcereiro recebeu o Batismo, ele e todos os seus" (At 16,31-33).
§ 1236 O anúncio da Palavra de Deus ilumina com a verdade revelada os candidatos e a assembléia, e suscita a resposta da fé, inseparável do Batismo. Com efeito, o Batismo é de maneira especial "o sacramento da fé", uma vez que é a entrada sacramental na vida de fé.'
§ 1253 O batismo é o sacramento da fé. Mas a fé tem necessidade da comunidade dos crentes. Cada um dos fiéis só pode crer dentro da fé da Igreja. A fé que se requer para o Batismo não é uma fé perfeita e madura, mas um começo, que deve desenvolver-se. Ao catecúmeno ou a seu padrinho é feita a pergunta: "Que pedis à Igreja de Deus?". E ele responde: "A fé!".
§ 1254 Em todos os batizados, crianças ou adultos, a fé deve crescer após o Batismo. E por isso que a Igreja celebra cada ano, na noite pascal, a renovação das promessas batismais. A preparação para o Batismo leva apenas ao limiar da vida nova. O Batismo é a fonte da vida nova em Cristo, fonte esta da qual brota toda a vida cristã.
§ 1255 Para que a graça batismal possa desenvolver-se, é importante a ajuda dos pais. Este é também o papel do padrinho ou da madrinha, que devem ser cristãos firmes, capazes e prontos a ajudar o novo batizado, criança ou adulto, em sua caminhada na vida cristã. A tarefa deles é uma verdadeira função eclesial ("officium"). A comunidade eclesial inteira tem uma parcela de responsabilidade no desenvolvimento e na conservação da graça recebida no Batismo.”




segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Festa da Sagrada Família de Nazaré

 
O Senhor aceita as boas intenções, os bons procedimentos, a sinceridade e a ajuda contra os inimigos, como ações justas e meritórias.
Abraão auxilia os prejudicados por roubos, assassinatos, liberta-os vencendo os maldosos, repondo a legalidade, resgatando os prisioneiros e castigando os traidores da usura e saque.
Respeita a aliança com seus amigos, reparte e só pretende aquilo a que tem direito. Isso agradou ao Senhor que lhe promete um desejado descendente, firma com ele uma aliança inquebrável.
Deus atende as queixas do primeiro patriarca do povo que convida a formar.
A atitude de Abraão, ensina-nos a:
Ouvir a voz de Deus e a ir em socorro de quem precisa,
A corrigir os que erram e a libertar os cativos das maldades,
A acreditar sempre na palavra de Deus que não engana, não erra e cumpre sempre, pois, no tempo devido e prometido, nasce Isaac.
Deus preparou a vinda de Seu Filho, o Messias, durante séculos e envia-o no tempo que julgou mais oportuno.
Foi herdeiro, aquele que resgata, vencedor dos inimigos do bem, operando a maior batalha contra os que desrespeitam Deus; ganhou pelos sofrimentos, paixão e morte.
Na atual revolução social, a célula familiar está particularmente em perigo. Seu direito tradicional, sua moral, sua economia, sua função são postos em discussão.
– Do ponto de vista moral, o divórcio, o espinhoso problema da limitação da natalidade, o aumento do número dos matrimônios fracassados obrigam os cristãos a retomar consciência de caráter sagrado da família cristã.
– São Paulo apresenta o amor dos esposos entre si para que a harmonia conjugal, querida por Deus, não seja desequilibrada. Para isto sugere uma terapia salutar: misericórdia e bondade, humildade, mansidão e paciência, e o cultivo da compreensão e caridade.
Cristo deu origem a esta instituição – o matrimonio – Sacramento – como fonte de graça, segundo o modelo do Seu amor pela Igreja. O amor conjugal é, portanto, um meio de santificação para o cumprimento dos deveres do estado conjugal (Gaudium et Spes, 48).
Estes deveres concretizam no estado conjugal dos deveres gerais, derivados da família do povo de Deus, como nos ensina a 2.ª Leitura da Missa de hoje (Colossenses 3,12-21).
A Família de Nazaré é o modelo de convivência e da mútua compreensão.
Este Evangelho de hoje (Lucas 2,22-40) apresenta, em sua primeira parte e na conclusão, a sagrada família cumprindo a lei, isto é, plenamente inserida na ordem social.
Tem um desenvolvimento teológico-pascal e a mãe aparece estreitamente unida, na dor, ao destino do filho. Jesus é aqui descrito como o Messias do Senhor, isto é, como o ungido por excelência, destinado a uma obra de salvação que cumprirá realizando em Si a figura do Servo sofredor.
Na Sagrada Família, como tidas as outras, há alegrias e tristezas, desde o nascimento até a infância e a idade adulta; ela amadurece através dos acontecimentos alegres e tristes para cada um de seus membros.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O teu trono será firme para sempre


 

O rei David, depois de conquistar Jerusalém e fazer dela a capital do seu reino, quis construir para Deus um templo que fosse digno do Senhor. Até então o templo era uma tenda de peles, como Deus tinha indicado a Moisés no deserto do Sinai, de modo a ser transportada de um lado para o outro.
Deus mandou dizer pelo profeta Natã que essa tarefa seria para o filho que lhe sucedesse. Mas o Senhor recompensou a sua generosidade fazendo-lhe a promessa maravilhosa que vamos ouvir na primeira leitura, tirada de alguns versículos do capítulo 7 do Segundo Livro de Samuel: da sua descendência havia de nascer o Messias prometido a Abraão.
É uma lição muito importante para nós. Deus não fica a dever nada. É mais generoso do que nós. Vale a pena que sejamos cuidadosos com as coisas de Deus. Vale a pena que tratemos bem a Jesus que está conosco na Santíssima Eucaristia.
É um sinal da nossa fé e do nosso amor cuidar bem das nossas igrejas e dos objetos do culto. Que não sejam como o curral onde nasceu há dois mil anos porque não quiseram recebe -lo em suas casas.
Jesus continua a ser Deus conosco em nossas igrejas. Além do cuidado com as coisas litúrgicas, respeitemos o ambiente sagrado dos nossos templos, hoje que tantos cristãos não o sabem fazer. Até parece que estão na rua ou em um mercado.
Ali é casa de oração, é lugar para falar com o Senhor e não para conversar com os outros. Se alguma coisa fosse preciso dizer, teremos de falar baixo e só o estritamente necessário, com a consciência de que está ali Jesus, que, sendo nosso amigo, não deixa de ser o Senhor do Céu e da terra.
Aprendamos com Nossa Senhora a tratar bem Aquele que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem e que veio habitar entre nós e que Se encontra em nossos sacrários.
Nossa Senhora é para nós o modelo sempre atual para acolher a Jesus. A Igreja apresenta-nos neste último domingo do Advento a figura de Maria, a sugerir-nos que façamos como Ela para viver bem o Natal de Jesus.
No Evangelho da Missa deste domingo, tirado de São Lucas 1,26-38, vemos como o Arcanjo São Gabriel saúda-a em nome de Deus e diz-lhe que Ele a escolheu para mãe do Salvador prometido aos seus antepassados. A Virgem escuta com atenção, acredita sem duvidar naquilo que o mensageiro de Deus lhe diz. Não pede nenhum sinal como Zacarias.
E responde: – «Eis a escrava do Senhor. Faça-se em Mim segundo a tua palavra.» Naquele momento o Verbo de Deus, eterno com o Pai, toma a nossa natureza humana fazendo-se um de nós no seio puríssimo de Maria.
Podemos admirar a fé, a humildade e a obediência pronta e decidida da Virgem. É uma lição viva para todos nós. A fé e o amor de Deus manifestam-se na obediência fiel à vontade de Deus, no cumprimento amoroso dos Seus mandamentos.
Aprendamos com a Virgem a identificar-nos com Jesus, sempre prontos a fazer a vontade de Deus.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A missão de Jesus e a nossa missão

 
 
A missão de Isaías, que é profeticamente a Missão de Jesus e, unidos a Ele, a nossa missão como cristãos, dá-nos a visão verdadeira que devemos ter da nossa vida na terra.
Muitos entendem a vida como passar o tempo de qualquer maneira, procurando todas as oportunidades em que podem encontrar prazer dos sentidos, dinheiro para proporcioná-lo e poder que os engrandeça aos olhos dos seus semelhantes.
Totalmente oposta a esta é a visão que o Senhor nos dá da nossa existência terrena.
O Senhor confia-nos uma missão, como nos ensina a primeira Leitura da Missa deste 3º Domingo do Advento (Isaías 61,1-2ª.10-11). «O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu».
Ninguém está por acaso neste mundo. Cada pessoa que é chamada à vida pode não entrar nos planos dos pais, mas entra, com certeza, nos de Deus. O Senhor digna-Se contar com cada um de nós para realizar maravilhas no mundo, com a condição de que nos disponibilizemos a colaborar com Ele.
Também os doentes e os limitados em qualquer capacidade têm a sua missão em favor dos outros, porque fazemos parte de um corpo organizado. E no corpo, nenhum membro vive para si, mas para os outros.
Temos necessidade de mudar a nossa visão da vida. Todos viemos ao mundo para servir, e nesta comunhão de serviço, nos prepararmos para a felicidade eterna.
Todos recebemos do Senhor muitos dons: a vida, a inteligência, as qualidades e aptidões, o ambiente cristão em que vivemos...
Toda a vocação se concretiza nisto: receber para dar aos outros, e não para felicidade ou glória próprias.
A quem devemos ajudar? Na missão de Isaías concretizam-se aqueles que precisam da nossa ajuda.
Anunciar a Boa Nova aos pobres: a ignorância religiosa é o maior inimigo de Deus e do homem. Quando as pessoas perdem a referência de um Deus que é Pai e que há um conjunto de verdades para orientar a nos vida e de normas para viver, vivem desorientadas.
Curar os corações atribulados: hoje há quem sofra muito, tanto física como moralmente. Todos os que dedicam aos doentes, por profissão ou voluntariado, cumprem esta missão. Precisa-se também de quem conforte e aconselhe os que não encontram rumo para as suas vidas. Recordamos as palavras de Jesus: «Vinde a Mim, todos os que andais atribulados e Eu vos aliviarei».
Proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros: Libertar as pessoas que estão escravizadas pela droga, o álcool, a sensualidade, ou até problemas afetivos que não têm seguimento, é uma caridade urgente.
Promulgar o ano da graça do Senhor: É urgente ajudar as pessoas a recuperar, no Sacramento da Reconciliação e penitência, a graça, a alegria e a paz que perderam.
Vivamos este Advento como um tempo santo de escuta da Palavra de Deus.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O Senhor virá


 

 Celebrar o Natal não é apenas fazer uma comemoração festiva, recordar um acontecimento agradável, mas torná-lo presente e real, pela Liturgia, de tal modo que possamos participar nele, como se vivêssemos nesse tempo.
Logo a seguir à queda dos nossos primeiros pais, perante a sua miséria extrema, Deus prometeu um Redentor.

Com sabedoria infinita, foi preparando as condições ideais para vinda do Filho de Deus ao mundo e expansão da Sua mensagem.
Quando Jesus nasceu, havia as condições reunidas:

– uma unidade de governo que facilitava viajar com relativa segurança por todo o mundo de então, para levar a Boa Nova. Roma estabelecera um só poder, garantido pelas Legiões Romanas.
– Uma linguagem comum. Quem falasse o grego comercial ou o latim, era facilmente entendido. Assim aconteceu com os Apóstolos e com o grande S. Paulo.

– Os hebreus – um pequeno resto – tinham deixado de sonhar com um Messias que fosse exclusivamente para eles.
– Os judeus estavam espalhados pelo mundo – por causa do comércio ou mesmo por sucessivas deportações – e tinham levado a todo o mundo a esperança na vinda do redentor. (O poeta romano Virgílio fala da chegada de uma idade de ouro).

– As pessoas estavam cansadas e desiludidas com as paixões, com os falsos deuses e a escravatura clamava por uma Mensagem que ensinasse a todas as pessoas que somos irmão.
Havia, pois uma grande expectativa pouco antes de Jesus vir ao mundo. A viagem dos reis magos é uma demonstração disso mesmo.

E nós? Queremos a sério que Jesus tome conta da nossa vida e que modifique o nosso comportamento? Ou parece-nos que não temos necessidade de mudar?
Lancemos um olhar sobre nós. A primeira Leitura deste domingo nos ajuda a isto: «Porque nos deixais, Senhor, desviar dos vossos caminhos e endurecer o nosso coração, para que não Vos tema?» (Isaias, 63, 16b-17; 19b; 64, 2b-7).

Aos poucos, as pessoas vão-se desiludindo da capacidade dos homens para construir um mundo melhor.
Este mundo novo tem de ser construído por cada um de nós, de mãos dadas com o Senhor, pela conversão pessoal. O nosso Deus quer associar-nos à Sua vitória sobre o mal, com um pouco de esforço que façamos.

A melhor preparação para o natal é reconhecer que, de fato, temos muitas infidelidades e precisamos de mudar, com a ajuda de Deus.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Solenidade de Cristo Rei e Senhor do Universo

 
Celebramos neste final de semana a última Solenidade do ano litúrgico da Igreja, que é aquela de Cristo Rei e Senhor do Universo.
O título dado a Jesus, de “Rei e Senhor do Universo” tem um sentido messiânico: Jesus é o herdeiro do trono de Davi, segundo as promessas feitas pelos profetas. É Rei e Senhor não de um reino humano, mas do Reino Eterno, que não terá fim e não se sustenta no poder do domínio político, dos exércitos munidos de armas de destruição. O Reino e o Senhorio de Cristo são realidades sobrenaturais, de salvação eterna.
A realeza de Cristo permanece totalmente escondida até aos trinta anos, transcorridos em Nazaré. Depois, durante a vida pública Jesus inaugurou o novo Reino, que «não é deste mundo» (João 18, 36) e no final realizou-o plenamente com a sua morte e ressurreição.
Ao aparecer ressuscitado aos Apóstolos disse: «Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra». (Mateus 28, 18). Esta autoridade brota do amor, que Deus manifestou plenamente no sacrifício do Seu Filho.
O Reino de Cristo é dom oferecido aos homens de todos os tempos, para que aquele que acredita no Filho de Deus feito Homem «não morra mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16).
Há uma distinção entre Cristo  que é «rei» desde o seu nascimento até início da sua vida pública e «o novo Reino», que não é deste mundo, e que se realiza plenamente com a sua morte e ressurreição.
O Reino de Cristo é dom oferecido aos homens de todos os tempos, para que aquele que acredita no Filho de Deus feito Homem «não morra mas tenha a vida eterna» (João 3, 16).
Este Reinado realiza-se plenamente com a sua morte e ressurreição. Cristo obedeceu até à morte e morte de cruz.
O homem de hoje só é feliz, se descobrir que a submissão à vontade de Deus o eleva acima da mediocridade.
Submeter-se a Cristo Rei é tornar-se mais humano e mais divino. Opor-se a Cristo Rei é tornar-se escravo de seus instintos. A liberdade dos que amam e servem a Cristo Rei abre estradas e constrói pontes. Quando realizamos só o que nos apetece, geramos círculos fechados e abrimos as portas à violência, ao ódio, à guerra, à corrupção.
Acolher este reinado de Cristo em nossa vida, submeter-se ao seu senhorio de amor e paz, traz como resultado a nossa união a Cristo já nesta vida, que se encaminhará para a vida plena com Ele, no céu.
«Cristo Rei é o fim da história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da civilização, o centro do gênero humano, a alegria de todos os corações e a plenitude de todas as suas aspirações.
Vivificados e reunidos no seu Espírito, caminhamos em direção à perfeição final da história humana, que corresponde plenamente ao seu desígnio de amor: «recapitular todas as coisas em Cristo, tanto as do céu como as da terra» (Efésios 1, 10) (Gaudium et spes, 45)

 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Chamados ao testemunho


 

O 33º Domingo do Tempo Comum recorda a cada cristão a grave responsabilidade de ser, no tempo histórico em que vivemos, testemunha consciente, ativa e comprometida desse projeto de salvação que Deus Pai tem para os homens.
O Evangelho deste Domingo, tirado do Evangelista São Mateus, 25,14-30, apresenta-nos dois exemplos opostos de como esperar e preparar a última vinda de Jesus. Louva o discípulo que se empenha em fazer frutificar os «bens» que Deus lhe confia; e condena o discípulo que se instala no medo e na apatia e não põe a render os «bens» que Deus lhe entrega (dessa forma, ele desperdiça os dons de Deus e priva os irmãos, a Igreja e o mundo dos frutos a que têm direito).
Na segunda leitura (1 Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, 5,1-6), Paulo deixa claro que o importante não é saber quando virá o Senhor pela segunda vez; mas é estar atento e vigilante, vivendo de acordo com os ensinamentos de Jesus, testemunhando os seus projetos, empenhando-se ativamente na construção do Reino.
A primeira leitura (Provérbios 31, 10-13; 19-20; 30-31) apresenta, na figura da mulher virtuosa, alguns dos valores que asseguram a felicidade, o êxito, a realização. O «sábio» autor do texto propõe, sobretudo, os valores do trabalho, do compromisso, da generosidade, do «temor de Deus». Não são só valores da mulher virtuosa: são valores de que deve revestir-se o discípulo que quer viver na fidelidade aos projetos de Deus e corresponder à missão que Deus lhe confiou.
A Liturgia deste domingo nos ensina a encarar nossa vida como uma missão. São Paulo era homem de urgências apressadas e consciência aguda duma missão a cumprir. Acreditava na teoria da «vida passageira e breve» onde o tempo era bem escasso e a vida energia não renovável em contraste com o muito por fazer, este, sim, inesgotável. Preguiça não era com ele; desperdiçar o tempo muito menos. Homem de grandes causas e grandes lutas, coloca-se todo no que fazia. E tudo o que fazia, fazia-o por convicção. Tinha pressa antes que o Senhor chegasse, para no fim dos seus dias Lhe poder dizer: «Combati o bom combate», agora, Senhor, acolhe-me no teu Reino pelo qual gastei vida e talentos. Enervava-se com quem não trabalha («Quem não quiser trabalhar que não coma»). Hoje escreve aos Tessalonicenses: «Não durmamos como os outros» porque «não somos da noite» mas do dia. Até que o Senhor venha pedir contas da vida e do que fizemos com ela. São Paulo foi alguém capaz de responder à missão que Deus lhe confiou.
A Liturgia da palavra deste Domingo nos ensina que o Reino de Deus não é só um dom, mas também uma conquista do ser humano. Somos chamados a ser construtores deste reino, neste mundo. Tal construção e a posse final deste Reino são condicionados também pelo esforço e pelo exercício dos dons que Deus nos confiou, para que os usássemos com responsabilidade. Em cada santa Missa que participamos, Deus renova em nós este dom, que nos capacita e nos compromete no trabalho de ajudá-Lo na edificação de seu reino.
Aproveito esta Mensagem para pedir de todos as orações pelo descanso eterno de nosso eterno bispo Dom Bruno Maldaner. Estamos celebrando hoje os sete anos de seu falecimento. Deus lhe dê o merecido descanso eterno.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Festa da Dedicação da Basílica de Latrão





Celebramos neste final de semana uma Festa: a da Dedicação da Basílica de São João do Latrão.
A Basílica de S. João de Latrão, cuja “dedicação” ou consagração aconteceu no ano de 320, é a catedral do Papa, enquanto Bispo de Roma. Ela é a “mãe de todas as igrejas”, o símbolo das Igrejas de todo o mundo, unidas à volta do sucessor de Pedro.
A Festa da Dedicação da Basílica de Latrão convida-nos a tomar consciência de que a Igreja de Deus (que a Basílica de Latrão simboliza e representa) é hoje, no meio do mundo, a “morada de Deus”, o testemunho vivo da presença de Deus na caminhada histórica dos homens.
Na primeira leitura desta Festa, tirada do Livro do profeta Ezequiel (Ezequiel 47,1-2.8-9.12), o profeta, dirigindo-se ao Povo de Deus exilado na Babilônia, anuncia a chegada de um tempo de salvação e de graça. Deus vai estabelecer a sua morada no meio dos homens e vai derramar sobre a humanidade sofredora vida em abundância.

No Evangelho deste domingo (João 13, 2-22), Jesus apresenta-Se como o Novo Templo, o “lugar” onde Deus reside no mundo e onde os homens podem fazer a experiência do encontro com Deus. É através de Jesus que o Pai oferece aos homens o seu amor e a sua vida. Aquilo que a antiga Lei já não conseguia fazer – estabelecer relação entre Deus e os homens – é Jesus que, a partir de agora, o faz.
Na segunda leitura (1 Coríntios 3,9c-11.16-17), São Paulo recorda aos cristãos de Corinto (e aos cristãos de todos os tempos e lugares) que são, no mundo, o Templo de Deus onde reside o Espírito. Animados pelo mesmo Espírito, os cristãos são chamados a viver numa dinâmica nova, seguindo Jesus no caminho do amor, do serviço, da obediência a Deus e da entrega aos irmãos; vivendo dessa forma, eles tornam Deus presente e atuante no meio da cidade dos homens.
Celebrar a Dedicação de uma Igreja, e neste caso, a da Basílica Lateranense, significa para nós celebrar a Cristo, Cabeça deste Corpo que é a Igreja, do qual somos nós os membros. Nós todos formamos com Cristo, a Igreja, seu Corpo santo.
Esta celebração leva-nos a questionar-nos sobre qual é o verdadeiro culto que Deus espera? Evidentemente, não são os ritos solenes e pomposos, mas vazios de amor a Deus e de comprometimento com a sua Palavra e com a Eucaristia que recebemos em comunhão.
O culto cristão não é um simples culto ritual, de cumprimento mágico de algumas regras e normas.
O culto que Deus aprecia é uma vida vivida na escuta das suas propostas e traduzida em gestos concretos de doação, de entrega, de serviço simples e humilde aos irmãos. Quando, tendo participado da sagrada Liturgia, somos capazes de sair do nosso comodismo e da nossa autossuficiência para ir ao encontro do irmão, estamos dando a verdadeira resposta “litúrgica” adequada ao amor e à generosidade de Deus para conosco.

A Liturgia autêntica, celebrada com a dignidade exigida pelos Ritos indicados pela Igreja, deve nos levar ao encontro de Deus no meio das realidades do mundo, presente especialmente em nossos irmãos sofredores.

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