A pergunta de Jesus, que
escutamos no Evangelho deste domingo: «Quem dizem as multidões que Eu sou?»,
continua a pedir uma resposta em cada geração. Permanecem muitas opiniões em
relação a Ele. É reconhecido como um homem que lutou pelo amor, fraternidade,
paz e justiça. É admirado pela preferência em favor dos pobres, desfavorecidos,
marginalizados, desprezados. É apreciado pela coragem que teve em afrontar o
poder instituído, a honestidade e nobreza de alma, a sua dignidade e
determinação perante a morte. Mas tal como os escribas e fariseus do seu tempo
não é reconhecido como o Messias prometido. Os próprios discípulos ainda não o
viam como tal. Não tinham compreendido que a Sua missão era o oposto daquilo
que pensavam.
À segunda pergunta: «E vós, quem
dizeis que Eu sou?», Pedro responde prontamente, porque entende que Jesus, no
momento próprio agirá como um simples líder humano e vitorioso. Daí a ordem de
silêncio que Jesus lhes impõe, pois o seu triunfo passava pela humilhação, pela
derrota e não pelo êxito e glória humanas.
Em Jesus, Deus mostrou que o
maior crime cometido pelos homens pode ser transformado num ato de supremo amor
que, como nos diz a primeira leitura, «lavou o pecado e a impureza» derrotando
a morte.
O que Jesus representa para mim?
Ainda hoje Jesus nos faz a
segunda pergunta: «Quem dizes tu que Eu sou?».
Acreditar em Jesus não significa
professar a fé num conjunto de verdades aprendidas quando se frequentou a
catequese. Acreditar em Jesus é segui-lo partilhando o Seu próprio destino,
fazendo-se um com Ele: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome
a sua cruz todos os dias e siga-Me».
O Senhor exige que se deixe de
centrar a vida em si mesmo e nas preocupações egoístas; que se tenha a coragem
de perder a própria vida; que cada um se empenhe diariamente em vencer as
dificuldades, as provas e as seduções mundanas que nos envolvem.
Para isso é preciso aprender com
Jesus a doar a própria vida permanentemente em casa, ao marido, à esposa, aos
filhos, aos pais, aos avós; no prédio onde habito, aos vizinhos; no trabalho,
compreendendo e auxiliando os companheiros; na escola, amparando aqueles que
sentem dificuldades; na sociedade, assistindo voluntariamente os mais
desfavorecidos; enfim, em tudo aquilo que possa fazer por amor dos outros,
abandonando o egoísmo.
Esse amor é o sinal de que estamos
revestidos de Cristo, como nos diz S. Paulo na segunda leitura. Todos devem
poder reconhecer no cristão a presença da pessoa de Jesus pelo modo como
procura compreender os outros, desculpar, ajudar e ir ao encontro daqueles que
erram, perdoando e amando os que lhe querem mal.


