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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Seguir a Jesus


 
«Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir» (Jeremias 20, 7)
A experiência do exílio marcou a vida do povo de Israel. Foi um momento muito doloroso que exigiu professar a sua fé no Deus da Aliança. É neste marco histórico que se situa o Profeta Jeremias, e a 1ª Leitura da Missa de hoje.
A passagem da primeira leitura põe em destaque o clamor do profeta porque Deus o seduziu e o forçou, foi objeto de zombaria de todos e a palavra foi motivo de dor e desprezo. Por isso o profeta quis escapar da missão, mas a Palavra foi mais forte e venceu-o.
A maioria dos profetas bíblicos sofreu experiências similares às de Jeremias. São afastados pelos próprios irmãos e pelas autoridades correspondentes. Muitos deles sofreram a morte ou o desterro. No entanto, a fidelidade a Deus e a seu Povo foi mais forte que sua própria segurança e bem-estar. A Palavra de Deus age no profeta como um fogo abrasador que não o deixa tranquilo e o mantém sempre alerta no cumprimento de sua missão.
«Transformai-vos pela renovação espiritual» (Romanos 12, 2)
A segunda leitura da carta de Paulo aos cristãos de Roma utiliza uma linguagem imperativa e de exortação. Fala-lhes não só como irmão na fé, mas com a autoridade de Apóstolo. Convida-os a fazer de seu corpo uma oferenda permanente a Deus. O verdadeiro culto não é o que se reduz a ritos externos, mas o que procede de uma vida reta e transparente. O corpo, veículo da vida interior, deve ser um canto de louvor e gratidão a Deus. Nisto consiste a conversão para Paulo: numa vida totalmente transformada pelo Espírito de Deus, na mudança de mentalidade, de valores, de horizonte. Só assim se poderão ter critérios de discernimento para buscar, encontrar e realizar a vontade de Deus.
«Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (Mateus 21, 24)
No texto do Evangelho de hoje deparamo-nos com um belo esquema catequético sobre o discipulado como seguimento de Jesus até a cruz. Jesus manifesta a seus discípulos que o caminho da ressurreição está estritamente vinculado a experiência dolorosa da cruz. O núcleo principal é o primeiro anúncio da paixão.
No entanto, os discípulos simbolizados pela pessoa de Pedro, não compreenderam esta realidade. Eles estão convencidos do messianismo glorioso de Jesus que corresponde às expectativas messiânicas do momento. Jesus recusa enfaticamente esta proposta, pois a vontade do Pai não coincide com a expectativa de Pedro e dos discípulos. Por isso Pedro aparece como instrumento de Satanás diante de Jesus para obstruir a sua missão.
Os discípulos são convidados pelo Mestre a continuarem o seu caminho porque ainda não alcançaram a maturidade própria de discípulos. Imediatamente Jesus lembra que o caminho do seguimento também compreende a cruz. Não existe verdadeiro discipulado se não se assume o mesmo caminho do Mestre. O anúncio do evangelho traz consigo perseguição e sofrimento. Tomar a cruz significa participar na morte e ressurreição de Jesus. Perder a vida por causa de Jesus habilita o discípulo para alcançá-la em plenitude junto de Deus.
Desejaríamos viver um cristianismo cômodo, sem sobressaltos, sem conflitos. Mas Jesus é claro em seu convite: é preciso tomar sua cruz, arriscar a vida, perder os privilégios e seguranças oferecidos pela sociedade se quisermos ser fiéis ao Evangelho.
Como vivemos na nossa família e na comunidade cristã a dimensão profética do nosso batismo? Estamos dispostos a correr os riscos exigidos pelo seguimento de Jesus? Ainda hoje conhecemos pessoas que viveram a experiência do martírio pelo Evangelho. Ainda estamos no tempo de martírios de sangue. Que o digam os milhares e milhares de cristãos assassinados ou obrigados a deixar suas casas, suas terras e seus bens, no Iraque e na Síria, e em outros lugares do mundo.
Que a Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, faça de cada um de nós verdadeiros missionários e nos ajude a perceber que "é pela perseverança que alcançaremos a salvação" (cf. Lucas 21,19).

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Jesus Cristo serve-nos na Igreja.

 
Que pensam os homens acerca de Jesus «Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que é o Filho do homem?” (Mateus 16,13-20).
Que dizem as pessoas com quem vivemos todos os dias sobre Jesus Cristo?
Muitos o desconhecem e prescindem dele, embora não se esqueçam de marcar com o sinal cristão os momentos mais importantes da vida: nascimento, casamento e morte.
Muitos dos que seguem a Jesus, são tentados a desanimar. Perante a crise da família, com a infidelidade, o divórcio, o casamento (!) de homossexuais, contracepção e aborto, encaram Jesus e a Sua doutrina como um fracasso e algo que está fora de moda.
E para mim? Que influência real tem Jesus Cristo quando trabalho, vivo em família ou passeio? Não haverá o perigo de o cristianismo ficar reduzido a algumas práticas rotineiras?
Pensam de modo muito diferente os que vivem nos países onde o cristianismo é perseguido, como por exemplo na China. Quantos irmãos nossos, nestes últimos dias, estão sendo mortos por causa da fé cristã, na Síria e no Iraque. Famílias inteiras são obrigadas a deixar suas casas, suas terras, tão somente porque são cristãos.
«Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”.»
Jesus Cristo é o único Redentor do mundo. Ou somos salvos por Ele, pela fidelidade à Sua doutrina e aos Mandamentos, ou perdemo-nos eternamente. Não há salvação fora d’Ele. De que nos adianta ter um médico excepcional, se não fazemos caso dos seus conselhos e receitas?
É o nosso melhor Amigo, porque deu a vida para nos salvar e está sempre disponível para nos ajudar a qualquer momento. Basta que mostremos vontade de receber a Sua ajuda.
Oferece-Se a cada um de nós como alimento, especialmente nos Sacramentos da reconciliação e da Eucaristia. Precisamos de nos confessar bem e de não profanar a Eucaristia, mas comungar bem.
«Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela», diz Jesus a Pedro.
Jesus Cristo atua no mundo. Mas a Sua ação passa pela nossa generosidade. Ele é a Cabeça da Igreja. Mas numa pessoa não pode ser só a cabeça a trabalhar. Cada um dos membros deve fazer aquilo para que foi formado.
A Igreja é Cristo que atuar nos dias de hoje, ajudando as pessoas. Somos o coração de Cristo, os Seus pés e mãos, os lábios e os olhos.
Tem a governá-la em nome de Cristo o Santo Padre, Seu Vigário na terra. Por mais dificuldades que a Igreja tenha, está-lhe prometido por Jesus que não sucumbirá aos perigos e ciladas.
Esta verdade torna-se mais visível na santa Missa que celebramos.
Há uma só fé, um só batismo e um só Senhor que guarda para nós uma só recompensa eterna.
Ele serve-nos a Palavra de Deus e o Seu Corpo e Sangue, para que possamos viver em plenitude. Cristo torna-se visível pelo sacerdócio ministerial.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Bendita és Tu entre todas as mulheres...

 
 Maria é a mais bela das criaturas de Deus. O Senhor escolheu-A para Sua mãe. No Seu seio puríssimo viveu como num sacrário durante nove meses. O Seu Corpo, agora presente na Eucaristia, é o mesmo que dela nasceu. É o mesmo que ressuscitou, vencendo a morte e subindo ao Céu.
O Senhor quis glorificar aquela que não tinha sido manchada pelo pecado, causador da morte e da corrupção, levando-a em corpo e alma para o Céu. Hoje glorificamos a Mãe de Deus e glorificamos a vitória do Seu Filho sobre a morte e o pecado.
É para nós ocasião de aprofundarmos a nossa fé nestas verdades que a Igreja, guiada pelos ensinamentos de Deus, proclama desde os primeiros séculos.
É para nós também ocasião de avivarmos a nossa esperança. A ressurreição de Jesus e a assunção da Virgem ao Céu são como que as primícias da sorte maravilhosa que nos espera. Também nós estaremos com Ela no Céu e também o nosso corpo será restituído à vida e glorificado um dia.
Enchamo-nos de alegria ao celebrar esta festa tão bonita e tão antiga de Nossa Senhora. A Igreja celebra-a pelo menos desde o século VI. A maior parte das catedrais da Idade Média foram dedicadas à Assunção de Maria. Sinal da fé e do amor do povo cristão.
Pio XII, antes de proclamar como dogma esta verdade, comprovou a fé de toda a Igreja, consultando os bispos de todo o mundo. As cartas recebidas foram quase unânimes na manifestação da crença do povo de Deus nesta verdade que o papa proclamou em 1 de Novembro de 1950: ”Pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo e dos bem aventurados Apóstolos Pedro e Paulo e também pela nossa proclamamos, declaramos e definimos ter sido divinamente revelado o dogma de que Imaculada sempre Virgem Maria Mãe de Deus, terminado o curso da Sua vida na terra, foi elevada em corpo e alma à glória do Céu” (Const. Apostólica Munificentissimus Deus, em AAS 43 (1951) 638).
No mesmo documento Pio XII lembra os textos dos Santos Padres que testemunham a Tradição da Igreja, que afirmam esta verdade revelada, terminando assim: “Desde o século II a Virgem Maria é apresentada pelos Santos Padres como a nova Eva, estreitamente unida ao novo Adão, embora a Ele sujeita. Mãe e Filho aparecem intimamente unidos na luta contra o inimigo infernal, luta essa que, como foi preanunciado no Proto-evangelho, havia de terminar na vitória completa sobre o pecado e a morte“ (Ibid)
O Evangelho (Lucas 1,39-56) apresenta-nos a cena tão bela da visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel. A mãe do precursor, cheia do Espírito Santo dirige a Maria os mais belos elogios. Guiada também pelo Espírito de Deus, a Santa Igreja continuou ao longo dos séculos a louvar a Mãe do Senhor.
Ao ouvir aqueles elogios Maria não nega que sejam verdade. Diz mesmo que todas as gerações A chamarão bem aventurada. Mas encaminha para Deus todos os louvores: «A Minha alma glorifica o Senhor e o Meu espírito se alegra em Deus Meu Salvador…O Todo poderoso fez em Mim maravilhas: santo é o Seu nome»
 
A Virgem é para nós modelo da verdadeira humildade. Esta não consiste em negar as coisas boas que recebemos, mas em encaminhar para Deus, que no-las deu, os louvores recebidos. Escolhida para Mãe de Deus, foi pôr-se ao serviço da prima durante três meses, como simples criada, para a ajudar.
 
Contemplemos uma vez e outra o exemplo da nossa Mãe. Está tão perto de Deus. É a criatura mais perfeita, revestida da dignidade maior concedida a uma criatura. Ao mesmo tempo é a mais humilde, mais perto de cada um de nós: pelo Seu trabalho, que foi igual ao de tantas mulheres, pela Sua simplicidade, pelo Seu amor a cada homem, que o Senhor Lhe entregou como Seu filho.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O Deus do silêncio


 

 Deus chama-nos a estar com Ele. «O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo: “Sai e permanece no monte à espera do Senhor”.» (1 Livro dos Reis, 19,9;11-13)
Vivemos numa civilização do ruído, onde é difícil ouvir o que o Senhor nos quer dizer. Ao chamar Elias ao Monte, parece sugerir-nos que Ele precisa de silêncio para nos falar.

Temos necessidade, não apenas de silêncio físico – de ausência de ruídos externos – mas também de silêncio interior. Se não pusermos de parte as preocupações em que vivemos mergulhados, não conseguimos rezar. Podemos pronunciar palavras mecanicamente, mas não atendemos ao que dizemos.
É preciso fugir desta agitação constante e inútil de notícias banais, e deixar as preocupações sem importância fora da porta da nossa alma. Queremos, de fato, encontrar-nos com Deus?

«Diante d’Ele, uma forte rajada de vento fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava no ventoDeus não Se manifesta na forte rajada de vento. Pretendem dar-nos uma imagem de um Deus que nos assusta, nos mete medo.
Até alguns pais, com a melhor das intenções, falam repetidas vezes aos filhos de um Deus que só castiga...

A imagem de Deus é totalmente oposta a esta. Deus é o melhor dos pais, e ama-nos com loucura. Persegue-nos com o Seu Amor durante a vida inteira, dá-nos muitas oportunidades de Salvação e aceita a nossa liberdade quando Lhe fechamos a porta na última oportunidade da vida.
Deus não está no tremor de terra. Ele simboliza a insegurança, como se Deus fosse um estranho para nós e nós para Ele.

É verdade que não dispomos da nossa vida, no sentido de que não podemos prolongar a vida até quando quisermos. Encontramo-nos expostos a doenças e perigos.

Mas nada acontece sem que Ele o permita, quando o faz, é porque daí pode advir um bem para nós. Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus, como nos ensina São Paulo.

Deus não se manifesta no fogo. Temos de começar o nosso encontro com Deus fazendo esforço por apagar o fogo das paixões: da gula, da sensualidade, da inveja, do apego às coisas. Se não tivermos cuidado com as conversas, programas de TV, internet, perderemos toda a disposição para rezar.

O Senhor convida-nos também a queimar tudo o que é inútil, que nos estorva, para cuidarmos da vida eterna.

«Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa. Quando o ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta
Deus manifesta-se no silêncio, figurado nesta ligeira brisa. O ar fresco enche-nos os pulmões, purifica o ar, e causa-nos boa disposição.
A verdadeira imagem que havemos de ter acerca de Deus é a de um Pai que gosta de conversar conosco na intimidade.

Quando chega o momento de estar com Ele, o sentimento mais natural é o da alegria e felicidade. Perguntamos então a nós próprios: “de que Lhe vou falar hoje? Que problemas gostaria de Lhe apresentar?” Sairemos deste encontro com Ele rejuvenescidos, felizes porque sentimos a fortaleza que nos vem da Sua amizade.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A fome e a sede


 
 O profeta Isaías, na primeira leitura deste domingo (Isaías 55,1-3), prometia aos israelitas que abandonassem o exílio da Babilónia, onde se encontravam, a obtenção sem custo, do alimento indispensável para as suas vidas, em vez de consumirem o que possuíam naquilo que não satisfazia. Porém, os regressados da terra de cativeiro nada disso descobriram. Pelo contrário, foram mal recebidos e suportaram imensas dificuldades na sua própria terra.
O mesmo acontece, ainda hoje. Certamente, o homem precisa de pão, precisa do alimento do corpo, mas no íntimo de si mesmo precisa sobretudo da Palavra, do Amor, do próprio Deus. Quem lhe der isto dá-lhe «vida em abundância». E deste modo liberta também as forças pelas quais ele pode sensatamente modelar a terra, pode encontrar para si e para os outros os bens, que podemos possuir apenas mutuamente, pois estudos efetuados demonstram que o problema da fome mundial está relacionado com a distribuição de alimentos e concentração de lucros e não com a escassez de produtos.
Infelizmente nem sempre o homem procura a resposta às suas inquietações onde realmente a pode encontrar. Muitas vezes ele gasta dinheiro naquilo que não é pão e naquilo que não satisfaz.
Mas, se a Palavra de Deus é atual, qual é a terra de cativeiro (ás vezes doce e deliciosa) que hoje somos solicitados a repudiar? Do que sentimos fome? Com que guloseimas enchemos a nossa miséria e abafamos a nossa sede?
O que falta para que neste mundo em que vivemos se possa realizar a profecia anunciada, uma vez que o Messias já veio há mais de 2000 anos? Quando e como se realizará, então, a profecia?
A resposta a esta pergunta podem encontrá-la no Evangelho de hoje (Mateus 14,13-21).
Jesus, o novo Moisés que todos esperavam, realiza a profecia. É-nos mostrado com uma imensa multidão que o seguia em direção ao deserto.
A vida no deserto servira para ensinar Israel pois, desprovido de qualquer segurança humana, aprendera a acreditar somente em Deus.
Foi por esta razão que Jesus os conduziu ao deserto. A multidão sentiu fome e os discípulos de Jesus o aconselharam a afastar a multidão para que pudesse arranjar alimento. Como procedeu Jesus?
Sentiu compaixão perante as necessidades dos irmãos.
Sentir compaixão é a primeira circunstância para nos sentirmos motivados para a ação.
Depois, o Evangelho narra o que Ele começou a fazer: curou os doentes e, à tarde, satisfez a fome à multidão. Não se limitou a enunciar linguagem espiritual ou a fomentar orações; esforçou-Se de maneira concreta para resolver todos os reais problemas do homem. Não lançou sobre os outros a resolução do problema da fome: as pessoas que tinham fome não seriam expulsas, «os próprios discípulos deviam dar-lhes de comer».
Então, se queremos seguir Jesus, o que fazemos em concreto, individual ou coletivamente, para enfrentar os problemas que angustiam tantas pessoas?
Jesus não resolveu sozinho o problema da fome das multidões. Ele serviu-se daquilo que as pessoas colocaram à sua disposição: cinco pães e dois peixes, isto é, sete fatores materiais. Em linguagem bíblica este número simbólico representa a universalidade. Daí que a mensagem de Jesus se torne clara: a comunidade deve criar em comum tudo o que possui para se poder realizar o «milagre» de proporcionar alimento para todos. Ora, a fome não é o resultado de uma produção agrícola insuficiente, mas sim um grave problema socioeconómico. Não reside na falta de tecnologia apropriada, mas na distribuição de rendimento e de alimento entre a população mundial.
Só quando todos os homens, onde nos incluímos, se dispuserem a pôr em comum tudo o que têm – aptidões, proveitos, tempo – é que se poderão resolver as gigantescas dificuldades dos irmãos, mais próximos ou mais afastados de nós.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Um tesouro no céu


 

Corremos o risco de andar pela vida atrás de bolas de sabão. No evangelho deste XVII Domingo Comum A, Jesus fala do tesouro que todos podemos encontrar de verdade. Temos de vender tudo, pôr todas as coisas em segundo lugar por causa desse tesouro, que é a único pelo qual vale a pena viver e morrer.
Salomão pediu a Deus a sabedoria para governar bem o seu povo -ouvíamos na primeira leitura, tirada do livro 1º dos Reis, 3, 5; 7-12. E o Senhor fica contente com o seu pedido e dá não só a sabedoria mas também o que não Lhe pedira: a riqueza e o poder e uma vida longa.
Hoje o orgulho cegou muitos homens. Não têm a sabedoria verdadeira, que vem de Deus e fazem propaganda dos maiores disparates. Orgulham-se dos seus estudos e não passam de loucos. Porque a verdadeira sabedoria não se aprende nas escolas, mas no colo da mãe, nos bancos da catequese e na oração.
A verdadeira sabedoria anda ligada com a fé. Temos de pedi-la e cultivá-la na oração. Temos de alimentá-la com a escuta da Palavra de Deus na Santa Missa, no estudo pessoal e na leitura piedosa e nos meios de formação espiritual que Deus põe ao nosso alcance.
Temos de viver a nossa fé cumprindo fielmente os mandamentos na vida de cada dia.
Vamos sempre encontrar na Lei de Deus a nossa alegria. «A vossa lei faz as minhas delicias... Eu amo os vossos mandamentos mais que o ouro, o ouro mais fino» – dizia o salmista.
Aprofundemos a nossa fé, deixemo-nos guiar por ela sem condições e encontraremos a alegria verdadeira já neste mundo e saberemos comunicá-lo aos outros, porque este tesouro não é só para nós. E aumenta na medida em que se reparte.
São Paulo, na segunda Leitura deste domingo (Romanos, 8,28-30) dizia-nos que «Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam» (2ª leit.). Ser santo é ser feliz. Mesmo no meio das coisas desagradáveis da vida, que Deus permite para nosso bem. Tudo é para o bem se amamos a Deus. A única desgraça é o pecado, sobretudo o pecado mortal, porque nos afasta de Deus, fonte da alegria. Omnia in bonum – tudo é para bem – gostava de rezar como jaculatória São Josemaria, repetindo as palavras de São Paulo.
Deus escolheu-nos, chamou-nos à vida. E tem um projeto maravilhoso para cada um de nós. «Predestinou-nos para sermos à imagem do Seu Filho». Quer que sejamos santos e dá-nos as graças para isso, por meio de Jesus na Sua Igreja.
Ninguém pode desculpar-se que não pode ser santo. Essa é a meta de cada um dos cristãos, como lembrava São João Paulo II no começo do 3º milénio ao lançar um programa para toda a Igreja: «Colocar a programação pastoral sob o signo da santidade é uma opção carregada de consequências. Significa exprimir a convicção de que, se o Batismo é um verdadeiro ingresso na santidade de Deus, através da inserção em Cristo e da habitação do seu Espírito, seria um contrassenso contentar-se com uma vida medíocre, pautada por uma ética minimalista e uma religiosidade superficial... Como explicou o Concílio, este ideal de perfeição não deve ser objeto de equívoco vendo nele um caminho extraordinário, a ser percorrido apenas por algum ‘gênio’ da santidade. Os caminhos da santidade são variados e apropriados à vocação de cada um. Agradeço ao Senhor por me ter concedido, nestes anos, beatificar e canonizar muitos cristãos, entre os quais numerosos leigos que se santificaram nas condições ordinárias da vida. É hora de propor de novo a todos, com convicção, esta ‘medida alta’ da vida cristã ordinária: toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nesta direção. Mas é claro também que os percursos da santidade são pessoais e exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar ao ritmo dos indivíduos; deverá integrar as riquezas da proposta lançada a todos com as formas tradicionais de ajuda pessoal e de grupo e as formas mais recentes oferecidas pelas associações e movimentos reconhecidos pela Igreja».
Ser santo é parecer-se com Jesus Cristo, sermos conformes à Sua imagem. E isso realiza-se pela graça de Deus, que recebemos no batismo e nos identifica com Ele. À medida que vamos crescendo na graça vamo-nos parecendo cada vez mais com Jesus.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

A comunhão e a corresponsabilidade dos presbíteros na Igreja


A comunhão e a corresponsabilidade dos presbíteros na Igreja

 

Um dos elementos focalizados pelo Concílio Vaticano II foi, a partir do capítulo I da Lumen Gentium, em que se trata do mistério da Igreja, a acentuação de que ela é um povo reunido a partir da unidade, da comunhão do Pai e do Filho e do Espírito Santo. 
A fonte mais profunda de origem da Igreja encontra-se na Santíssima Trindade. A Igreja é, no mundo, o reflexo e a vivência do ministério trinitário, é a comunhão existente entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que deve caracterizar toda a comunhão eclesial. O Pai doa-se inteiramente ao Filho, de sorte que o Pai esteja todo no Filho e o Filho todo no Pai; o Pai e o Filho fazem proceder de Si o Espírito Santo, de sorte que o Pai e o Filho estejam totalmente no Espírito Santo e o Espírito Santo, todo no Pai e no Filho. Esse estar “todo” de uma pessoa divina na outra, que acontece pela comunicação do Pai para o Filho, denomina-se geração. É a geração eterna do Verbo! A comunicação do Pai e do Filho no Espírito Santo recebeu, em 1438, no Concílio de Florença, o nome de expiração.

Todo esse processo indica a comunhão mais íntima que se possa imaginar das três pessoas divinas. Essa comunhão é o modelo de qualquer comunhão. 
A comunhão é mais do que democracia, é fraternidade. Comunhão é diálogo, corresponsabilidade, participação, solidariedade. Não é imposição do parecer da maioria à minoria, mas é a simbiose harmônica de todos os pareceres.

São todos valores que se encontram no mistério trinitário e devem ser refletidos no mundo criado.
Comunhão implica sempre uma dupla dimensão: vertical (comunhão com Deus) e horizontal (comunhão com a humanidade). Essa comunhão com o Pai por Cristo no Espírito Santo se exprime visivelmente no perseverar unânime na doutrina dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações, e na obediência aos legítimos pastores (uma só fé, um só batismo, um só Senhor).

 É assim que Cristo exercita na história a Sua função profética, sacerdotal e régia para a salvação da humanidade.
A raiz e o centro da comunhão eclesial é a Sagrada Eucaristia. Fala-se em comungar. Entende-se, normalmente, a comunhão eucarística. Por isso, não pode comungar Jesus na comunhão quem não comunga com o Pai no cumprimento da sua vontade. Quem não vive em ordem com o plano salvador divino, não pode participar da salvação encerrada na Santíssima Eucaristia. A Eucaristia edifica o Corpo de Cristo, que é a Igreja. É o que diz o apóstolo Paulo: “Já que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão”.

  Aquilo que vedes sobre o altar de Deus [...] é o pão e o cálice: isto vos asseguram os vossos próprios olhos. Ao invés, segundo a fé que se deve formar em vós, o pão é o corpo de Cristo, o cálice é o sangue de Cristo. [...] Se quereis compreender [o mistério] do corpo de Cristo, escutai o apóstolo que disse aos fiéis: ‘vós sois o corpo de Cristo e seus membros’ [1Cor 12,27]. Se vós portanto sois o corpo e os membros de Cristo, sobre a mesa do Senhor está posto o mistério que sois vós: recebei o mistério que sois vós. Àquilo que sois, respondei: ‘Amém’, e respondendo o subscreveis. Diz-se a ti de fato: ‘O Corpo de Cristo’, e tu respondes: ‘Amém’. Sê membro do corpo de Cristo, a fim de que seja autêntico o teu Amém (Agostinho, 2003).”

 Outra força unificadora da Igreja é o bispo, alguém investido da plenitude do sacramento da Ordem. É a partir dessa plenitude que se tece visivelmente a comunhão eclesial. Essa plenitude do bispo supõe a comunhão com os demais bispos, revestidos também da plenitude sacramental, e, consequentemente, com o bispo de Roma, o Romano Pontífice, o santo padre. É a grande comunhão católica, dentro de cuja comunhão todos os cristãos do mundo inteiro se devem encontrar. A plenitude do bispo se exerce, pois, na plenitude da comunhão dos demais bispos e do Romano Pontífice. Vê-se também, por isso, que a comunhão eclesial é a espinha dorsal e todo o ser e agir da Igreja. Assim, pode-se também afirmar que, onde houver um bispo em comunhão, haverá a Igreja-Comunhão.
Esse aspecto da comunhão está na base da colegialidade episcopal. É a grande comunhão dos bispos entre si e com o papa e do papa com os bispos.

O destino de ser colaborador do episcopado é compartilhado por todos os presbíteros e os liga afetiva e ministerialmente numa profunda visão do mistério da Igreja, que é simultaneamente universal e particular. A pertença e a dedicação do presbítero a uma Igreja particular constituem elementos que qualificam para a edificação da Igreja “na pessoa” de Cristo Cabeça e Pastor e não limitam a sua missão, que é universal.
 O sentido de “pertença eclesial” surge do fato de que o viver do presbítero pertence à Igreja e esta a Cristo (a Igreja não pertence ao presbítero, não é propriedade sua). Por isso, no seu modo de pensar e operar – na qualidade de “homem de Igreja” – o presbítero deve viver em estreita comunhão com o Romano Pontífice, princípio e fundamento perpétuo e visível da unidade da fé e da comunhão (Concílio Vaticano II, 2007a, n. 18), com o seu bispo, em sintonia com os outros presbíteros e com os fiéis leigos (João Paulo II, 1991, p. 813). É importante sublinhar que a “comunhão eclesial” não se realiza plenamente no manter as relações somente com a Igreja particular, exige também a relação com a Igreja universal.

O presbítero não pode agir ignorando que a Igreja, edificada por Cristo, qual dom oferecido à humanidade, é universal. A Igreja particular, fora dela, não tem razão de ser, uma vez que esta é Igreja na medida em que nela torna-se presente e operante “a única Igreja de Cristo”.
 Desse modo, o sentido de pertença eclesial implica não somente uma relação com a Igreja universal, mas exige também a manutenção da relação com a Igreja particular, onde os presbíteros, de modo especial, formam um único presbitério, cujo serviço é executado sob a tutela do próprio bispo.

 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O joio e o trigo...

 
Habitualmente a proclamação do Evangelho dá o tom à liturgia da Palavra. A mensagem vem através de parábolas como é o caso do Evangelho deste Domingo, tirado de São Mateus, 13,24-43, a parábola do trigo e do joio. Ao ouvi -las e meditá-las, precisamos de não nos perdermos em interpretações fantasiosas, mas com a simplicidade do coração, devemos ir diretamente ao cerne das questões. Hoje somos convidados a meditar na parábola do grão de trigo e do joio. Esta nos aparece mais desenvolvida do que as outras e até enriquecida com o comentário que Jesus faz.
O trigo com o joio, os bons com os maus, os justos com os pecadores. Segundo o plano de Deus é nesta perspectiva que se deve desenrolar a nossa vida. Assim o Senhor respeita a liberdade humana, e torna possível as nossas opções. Dá tempo a que o pecador se arrependa e converta. Diante da nossa impaciência, que às vezes é mal intencionada e até vingativa, ou sinal de fraqueza ou medo, a paciência de Deus manifesta a sua grandeza e poder.
Esta parábola leva-nos por um lado a compreender a nossa própria fragilidade, e por outro lado deve ensina-nos a ser tolerantes com as fraquezas e desequilíbrios dos outros.
Uns e outros, até ao momento da ceifa, podem converter-se de pecadores em justos.
A primeira leitura, tirada do Livro da Sabedoria (12,13; 13,16-19), apresenta-nos uma reflexão do Sábio sobre a atitude de Deus em relação às suas criaturas. Apesar de ser o Senhor poderoso, Ele procede pela via da paciência: julga com brandura, governa com indulgência e sabe esperar os que prevaricaram. Esta perícope ajuda-nos a cair na conta de que, o Deus do Antigo Testamento, é mesmo do da Nova Aliança. As características fundamentais com que Se manifesta aos homens são sempre as mesmas. Antes de ensinar o justo a ser amigo dos homens, Deus pratica essa amizade no seu modo de proceder. Da dinâmica da Ressurreição nada nem ninguém fica votado ao anonimato, à surdez ou à paralisia. O nome de cada homem e de cada mulher ficou eternamente gravado no coração aberto de Cristo Salvador. É o início de uma nova era, de uma nova criação, de homens e mulheres que espalham no mundo o perfume da alegria, o qual perfuma.
O pequeno pretexto da carta aos Romanos, (8,26-27) que lemos na segunda leitura, continua a acentuar o papel do Espírito Santo na nossa vida, hoje concretamente no que diz respeito à oração. Lamentamo-nos que não sabemos rezar ou dizemos que, pela nossa fraqueza, não somos capazes de nos elevar até Deus. S. Paulo diz-nos que o Espírito Santo está junto de nós para nos orientar na oração e que Ele mesmo intercede por nós junto do Pai.
Confiado na presença e atuação do Espírito Santo devemos abrir-nos à sua ação e corresponder-lhe. Isto é, precisamos estar atentos, ser dóceis e quer corresponder ao seu amor.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Acolher a Palavra de Deus


 

A Palavra de Deus é Alguém, é uma Pessoa, é o mesmo Deus, o Verbo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Vivendo entre nós pelo mistério da Encarnação, escondida no silêncio da vida oculta, a Palavra de Deus, qual boa semente, germinou para se tornar luz dos homens, os esclarecer e sustentar no caminho da vida presente. Jesus Cristo é a Palavra de Deus!
Após o regresso do Verbo de Deus ao Pai, onde se encontra esta Palavra de Deus de que temos tanta necessidade?
Todas as ações divinas são portadoras desta Palavra de Deus. Lida na fé que vê os acontecimentos como sinais da presença de Deus atuando junto do seu povo e lida na Igreja, depositária da interpretação autêntica destes sinais, a Bíblia torna-se o lugar por excelência de encontro com a Palavra de Deus.
Sabemos que a mensagem bíblica se encontra formulada numa visão do universo que já não é a do mundo de hoje, do nosso mundo científico e técnico. Daí a necessidade de apresentar, defender e explicar as verdades da fé por meio de conceitos e termos mais compreensivos.
A Igreja proclama a Palavra de Deus para a contemplar, para a aprofundar e nos ajudar a dar uma resposta positiva a esta Palavra. «Quando vos reunis em Meu nome, Eu estou no meio de vós» (Mateus 18,20). Na celebração eucarística a Palavra de Deus nos é comunicada de diversas maneiras. Nos salmos que cantamos, nas leituras tomadas dos profetas, dos apóstolos e de outros escritores sagrados e finalmente por meio do mesmo Jesus que nos instrui com o seu Evangelho.
Quando Deus fala devemos escutar o que nos diz e aceitar o quanto nos propõe. Muito mal iríamos se não tratássemos de endireitar os maus caminhos antes percorridos. Jesus compara tais pessoas com um campo rochoso onde a semente não chega a lançar raízes.
Recitando o Credo após a homilia aceitamos a Palavra de Deus. A nossa vida dará testemunho da verdade desta aceitação.
Quer se trate da nossa vida pessoal, quer do que se passa no mundo, tudo se encontra relacionado com a Palavra da Revelação. Fazendo parte da história sagrada que continua, tais acontecimentos são portadores da Palavra. É preciso porém saber lê-los: investigar a todo o momento os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho. Daí a importância da revisão de vida que outra coisa não é senão uma leitura bíblica dos acontecimentos do nosso dia a dia.
A semente que nos fala o Evangelho deste Domingo (Mateus 13,1-23) deve ser lançada à terra a mãos cheias. O lavrador o faz confiadamente, mesmo sabendo de antemão que nem toda produzirá 100% mas apenas 60% ou 30%, na linguagem da parábola.
Precisamos de nos deixar evangelizar para evangelizarmos. A evangelização passa sempre pelo anúncio, pela celebração e pelo testemunho. Evangelizar o mundo – da família, do ensino, do trabalho, dos lazeres, da comunicação social, das leis, da ciência e da técnica, para poder ver estas realidades com outros olhos, os olhos da fé, na perspectiva dos valores cristãos.
É preciso evangelizar e, mais ainda, motivar as pessoas. Dar-lhes ideias claras sobre Deus, a vida, a graça, a religião, a liberdade, o casamento. E depois dar-lhes razões positivas das obrigações e das proibições que decorrem da aceitação das verdades da fé.
É preciso evangelizar. Sem desânimo. É longo o processo de conversão dos homens, distantes os seus resultados, mas também aqui, uns semeiam e outros colhem, Deus é que dá o incremento.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Caminhos de humildade


«Exulta de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo, filha de Jerusalém. Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta
O Senhor não procura aparatos de grandeza humana para vir salvar-nos. Anuncia a Sua chegada montado numa jumenta. É um modo figurado de nos convidar à humildade de atitudes.
Procura instrumentos humildes para realizar as Suas maravilhas no mundo, e não as pessoas importantes: escolhe como seus apóstolos a doze homens humildes, muitos deles pescadores.
«Destruirá os carros de combate de Efraim e os cavalos de guerra de Jerusalém; e será quebrado o arco de guerra
Jesus conquistou o mundo, no mistério da Encarnação, pela humildade. Quis ser apenas uma criança como qualquer outra que, concebida virginalmente pela força do Espírito Santo, espera serenamente nove meses pelo nascimento; é uma criança aos olhos de todos vulgar a quem é preciso prestar todos os cuidados e prestar todas as ajudas (para aprender a andar, a falar, a comer e a cuidar de si); aprende uma profissão como qualquer adolescente e exerce-a com esforço humano.
Na vida pública cansa-Se, sofre com o frio e o calor, alegra-Se e chora, comove-Se e doem-Lhe as mentiras e as injustiças. Não usa um escudo protetor de privilegiado.
E, no entanto, a Sua força é irresistível. Quem permanece unido a Ele, pela doutrina e pela vida, será invencível também.
«Anunciará a paz às nações: o seu domínio irá de um mar ao outro mar e do Rio até aos confins da terra
Quando os governos pensam em conquistar a paz, imaginam logo que o vão fazer pela força e, muitas vezes, esta mesma força é colocada a serviço da injustiça. A verdadeira paz é conquistada unicamente pela fidelidade ao Senhor.
O sonho dos grandes conquistadores foi precisamente reduzir o mundo ao silêncio pela força brutal das armas.
Hoje também falta a paz ao mundo. Não há justiça em muitas situações; há guerra contra a família, contra a vida e contra a natalidade; não há segurança, porque as agressões, os assaltos são contínuos e as violações dos mais elementares direitos são constantes; e as pessoas desconfiam umas das outras.
Tudo isto acontece porque, desde há anos para cá tem havido a preocupação de arrancar Deus e a graça santificante do coração das pessoas.
Jesus, é o Mestre da humildade. «“Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos
É importante que cada um de nós pergunte a si mesmo o que é que procura na vida: a glória de Deus ou a própria glória, o conforto e o gozo, ou a fidelidade a todos os Mandamentos?
Quando o Senhor nos fala assim não quer dizer que condena a sabedoria e a inteligência. Devemos estudar e progredir nos conhecimentos o mais possível.
O erro está em fazer da sabedoria um meio de glorificação pessoal, de colocar-se acima dos outros, de se afirmar e vangloriar. Os verdadeiros sábios são humildes e compreendem isto.
Muitas vezes, as crianças dão-nos respostas cheias de sabedoria que um adulto não seria capaz de dar.
«Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar
«Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei
O que é que nos oprime verdadeiramente?
Muitas vezes perdemos a paz e a alegria e andamos oprimidos, porque nos preocupamos demasiado com a nossa imagem, com o que dizem ou pensam de nós.
Centremos a nossa vida na preocupação de fazer a vontade de Deus e recuperaremos a paz. A prova está em que quando cometemos uma falta, mesmo grande, se ninguém viu, ficamos tranquilos; mas mesmo quando a falta é insignificante, se alguém a viu, ficamos tristes e procuramos dar uma desculpa ou atirar as culpas para cima dos ombros dos outros.
Como podemos entregar a Deus o que nos preocupa? Procurando fazer a Sua vontade, vivendo com reta intenção e confiando n’Ele e conversando com Ele na oração.
A Eucaristia é uma escola de humildade. O Senhor do Céu e da terra apaga-se completamente, aparecendo-nos como um insignificante pedaço de pão. Talvez por isso O tratamos com tão pouco respeito.

Aprendamos com Maria a entregar ao Senhor a nossa vida e a confiar n’Ele, mesmo nos momentos mais difíceis.

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