sexta-feira, 18 de abril de 2014

Páscoa, festa de alegria.

 

Cristo ressuscitou, como tinha prometido. Aleluia. Cristo vive. Cristo ressuscitou para nunca mais morrer.
A Páscoa é a festa da nossa Redenção, festa de ação de graças e de imensas alegrias. A Ressurreição de Jesus é o argumento supremo da sua Divindade. Cristo vive! Esta certeza enche de alegria os nossos corações. Ele triunfou da morte, do poder das trevas, da dor e da angústia. A sua Ressurreição é a grande luz que ilumina o mundo inteiro. A luz de Cristo que ressuscitou glorioso dissipou as trevas do nosso coração e do nosso espírito.
Alegremo-nos e exultemos, pois Cristo nossa Páscoa reina para sempre. Aleluia!
Na Morte e Ressurreição de Cristo fomos resgatados do pecado, do poder do demônio e da morte eterna. A Páscoa recorda-nos o nosso renascimento sobrenatural no Batismo, no qual fomos constituídos filhos de Deus; a ressurreição de Cristo é penhor da nossa própria ressurreição. Durante os cinquenta dias de Páscoa estão excluídos os jejuns e as penitências, pois trata-se de uma antecipação do banquete festivo que nos espera no Céu.
A alegria verdadeira não depende do bem-estar material, de não padecer necessidades, de ausência de dificuldades, de ter ou não ter saúde… A nossa alegria cristã não é «a alegria fisiológica de um animal são»; o nosso gozo de cristãos não tem relação com as falsas alegrias nem com as enganosas e momentâneas satisfações do pecado, nem com uma superficial tranquilidade de consciência; a nossa alegria não está dependente dos vaivens da afetividade nem dos caprichos da fortuna; ela é mais profunda, pois tem a sua origem em Cristo, no amor que Deus nos tem e na nossa correspondência a esse amor. Cumpre-se, agora também, a promessa do Senhor: «Dar-vos-ei uma alegria que ninguém vos poderá tirar»; ninguém: nem a dor, nem a calúnia, nem o desamparo, nem as próprias fraquezas, se voltarmos decididamente para o Senhor. Esta é a única condição para a nossa alegria: não separar-nos nunca, nem deixar que as coisas nos separem de Cristo e saber-nos em todos os momentos filhos bem amados de Deus.
A liturgia do tempo pascal repete-nos de mil modos diferentes as mesmas palavras: «Alegrai-vos, de novo vos digo, alegrai-vos!». Não devemos perder jamais a paz e a alegria! Devemos fomentar sempre a alegria verdadeira, o otimismo, rejeitando a tristeza, que é estéril e deixa a alma à mercê das tentações. Quando estamos alegres, animamos os demais. A tristeza obscurece o ambiente e faz muitos danos; deixa-nos sem forças; é como o barro que se pega às botas do caminhante e que, além de as sujar, o impede de caminhar.
Estar alegre é uma forma de dar graças ao Senhor pelos inúmeros benefícios que sempre nos está concedendo. Deus, nosso Pai, quer-nos contentes e fica radiante quando nos vê felizes e alegres com o gozo e a felicidade verdadeiras.
Devemos ser semeadores de paz e alegria, a exemplo dos primeiros cristãos, que irradiaram por toda a parte a fé em Cristo ressuscitado. Muitas pessoas podem encontrar Deus no nosso otimismo, no nosso sorriso habitual, nas nossas atitudes cordiais. Os nossos lares cristãos devem ser luminosos e alegres, onde reina o amor de Deus e a presença sempre viva de Jesus Cristo ressuscitado.
Pensemos na alegria da Santíssima Virgem: Ela foi a primeira a receber a visita de Cristo ressuscitado, porque foi a primeira a acreditar nessa Ressurreição. Ela é a causa da nossa alegria porque nos deu Jesus, nossa esperança e salvação. Alegremo-nos sempre no Senhor. O único inimigo da alegria é o pecado, sobretudo o pecado contra a fé que, por destruir o amor e a confiança em Deus, deixa o homem só e entregue a si mesmo.
Cristo vive. Ele prometeu-nos que estaria sempre conosco até ao fim dos tempos. Cristo ressuscitou para nunca mais morrer. Os cristãos são as únicas criaturas verdadeiramente alegres porque a fé em Cristo ressuscitado não nos decepciona nunca. Alegremo-nos e exultemos sempre no Senhor. Aleluia! Aleluia!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

HOMILIA PARA A MISSA CRISMAL 2014


 

HOMILIA PARA A MISSA CRISMAL

Quarta feira santa

16 de abril de 2014

Catedral Santo Antonio

DOM ANTONIO CARLOS ROSSI KELLER

PELA GRAÇA DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA

BISPO DE FREDERICO WESTPHALEN (RS)


“Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir” (Lucas 4,21)

Amados padres e seminaristas, caros religiosos, religiosas, irmãos e irmãs,

Nesta solene celebração da “Missa Crismal”, queremos mergulhar no mistério de Cristo, Sacerdote, Rei e Profeta, e reviver este Mistério em nós, com firme adesão, enquanto nos dispomos a celebrar sua paixão, morte e ressurreição, nesta Semana Santa.

As leituras bíblicas, tiradas do Profeta Isaías, do Livro do Apocalipse de São João e do Evangelho de São Lucas, estão em perfeita sintonia entre si. Jesus lê o trecho do Profeta Isaías (61,1-2), no qual o profeta anuncia a vinda do Senhor, que libertaria o povo das aflições. Esta profecia, diz o Senhor, cumpre-se na sua Pessoa, pois é Ele o Ungido, o Messias que o Padre enviou para seu povo sofredor. Para esta missão, Jesus recebe a unção do Espírito Santo: é a “primeira declaração messiânica” do Senhor, como que uma apresentação de Jesus ao mundo.

“O Espírito do Senhor está sobre mim,

porque ele me consagrou com a unção

para anunciar a Boa Nova aos pobres,

enviou-me para proclamar a libertação aos cativos

e aos cegos a recuperação da vista,

para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor.”

Cristo quis que a sua consagração sacerdotal fosse comunicada à sua Igreja, estabelecendo, desta forma, que o sacerdócio ministerial fosse distinto ontologicamente, e não só em grau, do sacerdócio batismal, chamado também de “sacerdócio comum dos fiéis”.

Caros padres, no dia de nossa ordenação sacerdotal, recebemos um dom e uma missão sem nenhum merecimento de nossa parte, mas por iniciativa divina fomos eleitos (dom) e enviados (missão) para continuar a missão de Cristo no mundo. É esta a nossa identidade: nós pertencemos a Deus, e pertencemos ao povo de Deus, do qual viemos, e ao qual somos enviados e do qual fazemos parte. A nossa identidade é, pois, uma pertença de comunhão, não de separação. E esta pertença se realiza através da obra do Espírito Santo: “O Espírito do Senhor está sobre mim” diz o profeta e diz Jesus de Si, usando as palavras do Profeta. O Espírito, na verdade, não só nos introduz no Mistério de Cristo sacerdote, mas nos conduz para a missão, realizando aquela harmonia de comunhão que, em Cristo, nos une ao Pai. É ação do Espírito Santo a edificação do corpo presbiteral (presbitério), bem como o fortalecer-nos para cuidar do rebanho que nos é confiado.

A ação de cuidar requer grande dedicação e afeto: cuida-se e dedica-se a cuidar daquilo que é frágil, daquilo que é precioso, daquilo que pode estar em perigo, em risco de perder-se. E a origem deste cuidar amoroso e apaixonado nasce e enraíza-se exatamente na consciência deste “pertencer a Cristo”, na comunhão eclesial e sacerdotal. Isto significa que no nosso ministério sacerdotal devemos evitar todo e qualquer “isolamento do eu” que, além de trazer graves danos ao próprio padre, diminui a eficácia do nosso serviço ministerial, para o bem das almas. Cuidamos do rebanho em nome de Cristo, e não em nome próprio... O centrar este cuidado em nós mesmos seria a causa de um autêntico desastre.

Se permitimos em nossa vida este isolamento, este centrar-se egoisticamente em nós mesmos, corremos o risco de não entendermos mais nossa condição de “enviados”, mas preferiremos andar por nossa conta, e terminaremos de forma desordenada, tendo a nós mesmos, aos nossos gostos, à nossa vontade, ao nosso querer como referenciais.

Irmãos padres: nosso único referencial é Cristo!

Para evitar este perigo de uma vida egoisticamente centrada em si mesmo, o remédio é a união pessoal a Cristo, de quem deriva o nosso sacerdócio. Um autêntico sacerdote de Cristo não pode jamais deixar de ser alguém sinceramente enamorado de Seu Senhor. Só deste amor-comunhão nasce a dedicação apaixonada à própria missão pastoral, o constante desejo de buscar aqueles que estão afastados, nas palavras do Papa Francisco, nas periferias existenciais do mundo de hoje. Jamais podemos nos contentar em sermos meros administradores, seja lá do que seja: ou de sacramentos, ou de construções, ou de ideologias, ou de qualquer outra realidade. Nesta ótica do sacerdócio como dom e missão, cada um de nós será capaz de superar o grave risco do “funcionalismo” burocrático, que poderia reduzir-nos a simples “gestores” das coisas sagradas.

Caros padres,

Hoje, reunidos nesta solene celebração eucarística, quero exortar-vos paternalmente a permanecerdes fiéis às promessas feitas no dia de vossa ordenação sacerdotal, e que dentro de alguns instantes ides renovar. Conheço o vosso espírito de serviço, o vosso ardor sacerdotal, a vossa doação total aos irmãos. Nunca, jamais aconteça em vossa vida vos permitir de perder o fervor espiritual. Conservai sempre a doce e confortante alegria de serdes sacerdotes e evangelizadores. Frente às angústias e às esperanças do mundo atual, nunca vos sintais tristes ou desencorajados, mas sede sempre ministros do Evangelho, irradiando fervor, acolhendo sempre, antes de tudo em vossas vidas, a alegria de Cristo. Aceitai sempre de colocar a vossa vida em jogo, eu diria mesmo, em risco se for preciso, a cada dia, afim de que o Reino seja anunciado e a Igreja seja implantada no coração do mundo.

Sede sempre firmes e corajosos diante das dificuldades que inexoravelmente aparecem. Sede sempre padres da misericórdia, sobretudo em relação aos mais simples e humildes, aos pobres e necessitados, aos que estão mais afastados da vida eclesial. Cuidai com especial carinho das Comunidades menores, mais abandonadas, mais distantes das sedes paroquiais, muitas delas pequenos restos de Israel. Sede promotores da prática da caridade e da cultura da autêntica solidariedade, prontos a ir pelas estradas em direção às periferias da vida, onde estão tantos irmãos e irmãs, reconhecendo em cada pessoa a dignidade de filhos de Deus, na imitação do Senhor Jesus que se fez próximo e companheiro de todos em cada gesto seu de amor e de misericórdia.

Configurados ao coração do Bom Pastor, dóceis às moções do Espírito, tende sempre uma profunda experiência de Deus. Vivei na intimidade com o Senhor Jesus, nutrindo-vos da Palavra de Deus, da Eucaristia, se possível celebrada diariamente e da oração constante. Sede missionários ardentes, movidos tão somente pela caridade pastoral para com todos, sem exceção. Vivei com sinceridade e alegria a vossa comunhão com o Bispo, com os irmãos padres, com os diáconos, com os religiosos e religiosas, muito especialmente com os nossos seminaristas diocesanos e com os nossos fiéis cristãos leigos.

Como guias, que por sua vez são guiados por Cristo e pela Igreja, sede servidores do vosso rebanho, fazendo-vos amigos e companheiros do povo santo de Deus, no seu difícil peregrinar em direção à Páscoa eterna.

Dirijo-me a vós, seminaristas de nossa Diocese.

Nesta solene celebração, tendes diante de vossos olhos e de vossos corações, os padres da Diocese de Frederico Westphalen, que, juntamente com o bispo, formam uma família, não unida por laços de sangue, mas pelos vínculos do Sacramento da Ordem.

Há um ditado castelhano que diz “sonhad e os quedares cortos”, que poderíamos traduzir assim como “sonhai e o sonho logo se transformará em realidade”. Preparai-vos bem, neste período de formação que é o Seminário, para que um dia, pela vontade de Deus, também vós possais fazer parte desta belíssima família espiritual. Todos, o bispo, os padres, os religiosos e religiosas e os leigos, rezamos, para que, um dia, estejais unidos a esta família sacerdotal. Ficai firmes na perseverança! Vale a pena ser padres, e dar a vida por Deus, pela Igreja e pelos irmãos.

Maria, Mãe a Igreja e de todo os cristãos, amavelmente venerada em nosso Seminário Menor com o título de “Nossa Senhora Medianeira”, assista, proteja e acompanhe os nossos padres , os nossos seminaristas e os nossos vocacionados. Amém.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Domingo de Ramos: O triunfo de Cristo pela Cruz.





O triunfo pela humildade. Com toda a clareza possível, Jesus desfaz o sonho triunfalista dos Seus conterrâneos. Esperavam um rei que se apresentasse revestido de glória e poder, que viria restaurar a grandeza e o esplendor perdidos de Israel, reduzindo as nações vizinhas à sua obediência. Na prática, era isto que esperavam. Quando Pedro ouve Jesus falar da Sua paixão, chama-O à parte, para O demover deste propósito; a mãe dos filhos de Zebedeu pede para eles um lugar de relevo no reino; e Jesus surpreende os Apóstolos discutindo entre si qual deles era o maior, o mais importante no reino.
Não é também este o sonho que muitas vezes acalentamos acerca da situação da Igreja no mundo? Não estamos à espera de triunfalismos dela que reduzam ao silêncio os seus adversários, enquanto, de fora, contemplamos e aplaudimos, felizes, a vitória dela? No falamos com tanta frequência no triunfo com um simples sabor mundano?
Jesus apresenta-Se humildemente montado num jumentinho, e não em um luxuoso cavalo; não ostenta quaisquer insígnias que lembrem a Sua realeza. Vem, como sempre, revestido de simplicidade e humildade e pede que a Igreja O imite.  
Na 1ª Leitura do Domingo de Ramos, Isaías (Isaías 50,4-7) apresenta o Servo do Yhaveh ‑ figura do Messias profetizado ‑ triunfando pelo sofrimento, pela paciência e pela mansidão.
Não trava com ninguém uma luta corpo a corpo, porque não é este o caminho que o Pai escolheu. Ele alcançará o triunfo pelo Amor sem limites.
Com toda a paciência, sem voltar o rosto, desarma os Seus adversários, que esperavam enfrentar dificuldades. O seu ouvido atento vai recolhendo o que o Senhor lhe manda.
Nós, porém, somos tentados a fazer da fuga a tudo o que exige de nós sacrifício o ideal da nossa vida e uma tática de combate. Por este caminho não chegaríamos nunca, com Jesus Cristo, ao Calvário e, por ele, à glorificação eterna.
A fidelidade é a grande lição do caminho da Cruz. Ao terminá-lo, Jesus pode exclamar: «Tudo está consumado!»
Tal como fora profetizado no servo de Yhaveh, Jesus não volta o rosto para Se esquivar aos golpes, não Se retrai perante o sofrimento, mas leva até ao fim, com divina fidelidade, os desígnios do Pai.
Este caminhar segundo a vontade de Deus, sem desvios nem paragens nos deveres, sem recuos, também quando a fidelidade não é aplaudida, é o ideal cristão.
A mensagem da Paixão de Jesus tem uma atualidade especial para os nossos dias em que muitos sonham com um cristianismo sem renúncias, sem mandamentos nem dificuldades.

A Paixão de Jesus é prova do Amor supremo. Perante o desconcerto dos Apóstolos, dos discípulos e também do nosso, Jesus entrega-Se à Paixão e Morte. É a passagem obrigatória pelo túnel que dá para a glorificação final, pela Ressurreição. 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Deus ama o Seu Povo


 
 
Desde toda a eternidade o Senhor pensa em nós. Como Ele ama o Seu Povo!...
No Antigo Testamento, através dos Profetas, transmite uma mensagem de salvação, como nos diz a 1.ª Leitura de hoje, tirada da Profecia de Ezequiel (Ezequiel 17,12-14).
Há dois mil anos veio Ele próprio à Terra para nos salvar. Prega através do exemplo. Não há nada imperfeito na Sua vida. Convida toda a gente a cumprir a Lei de Deus, os Mandamentos. Oferece as graças através dos Sacramentos. Aponta o caminho da felicidade, o caminho das bem-aventuranças.
Faz milagres: dá vista aos cegos, faz ouvir os surdos, ensina os mudos a falar, cura os doentes, ressuscita os mortos...
O Evangelho desta Missa do 5º Domingo da Quaresma (João 11,1-45) descreve com todos os pormenores a ressurreição de Lázaro. As suas irmãs, Marta e Maria, comunicam a Jesus o que estava acontecendo com Lázaro. Jesus, logo que pode, vai até Betânia. Ao ver o amigo Lázaro, morto, comove-se e chora...
Quando morre algum familiar ou algum amigo também nós choramos. É humano! Deixamos de falar com quem partiu. Ao vermos o seu lugar vazio sentimos saudades. Quem nos dera, nesses momentos de dor e angústia, termos o Senhor junto de nós para Lhe pedirmos a graça da ressurreição!...
Jesus, seguidamente, reza: «Pai, dou-Te graças por Me teres escutado...». Que bela oração! Mesmo nos dias de sofrimento devemos agradecer ao Senhor...
Só Deus tem poder sobre a morte. Nós já o sabemos. Sabemos porque temos Fé. Mas os ateus não acreditam. Por isso Jesus mostra que é Deus, que tem poder de ressuscitar. Junto ao seu túmulo, brada com voz forte para que todos ouçam bem: «Lázaro, vem para fora».
Quem se sentiu mais feliz nessa ocasião? Lázaro que volta à vida, quatro dias após ter morrido, para de novo acolher o Senhor? Marta e Maria que o recebiam em sua casa? Os discípulos de Jesus ao verem confirmada a Fé na Sua divindade? O próprio Jesus que iria morrer em breve para ressuscitar glorioso?
Nós, cristãos do século XXI, sentimo-nos muito felizes ao revivermos hoje a ressurreição de Lázaro.
Jesus há de ressuscitar-nos também um dia quando deixarmos este mundo. Depois será a felicidade eterna com Ele no Céu.
Mas até lá temos de cumprir a Sua vontade no mundo. O pecado não pode ser praticado por nós, como nos diz a 2ª Leitura de hoje, da Carta de São Paulo aos Romanos (Romanos 8,8-11). Amando as pessoas que o cometem, denunciamos as injustiças, os crimes, os atentados, a guerra, o homicídio, o suicídio, o aborto, a eutanásia...
Denunciamos e procuramos afastar o mal do mundo. Não queremos que as gerações futuras nos acusem de nada termos feito para tornar o mundo melhor. Procuramos apresentar os valores que dão sentido à vida.
Quando surgirem noites de insônia, céu sem estrelas, escuridão à nossa frente não desanimemos pois com os anjos, os santos e a Virgem Maria viveremos felizes com o Senhor para sempre.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Nota de Esclarecimento sobre a Igreja Católica Apostólica Conservadora do Brasil

Nota de Esclarecimento sobre a Igreja Católica Apostólica Conservadora do Brasil
Sex. 28 de Março de 2014
DOM ANTONIO CARLOS ROSSI KELLER
PELA GRAÇA DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
BISPO DE FREDERICO WESTPHALEN/RS


Nota de Esclarecimento

Em outubro do ano passado, foi inaugurado na localidade de Barra Bonita, município de Esperança do Sul/RS, um Santuário em honra a Nossa Senhora do Caravaggio, pertencente à Igreja Católica Apostólica Conservadora do Brasil (que tem sede no município de São Domingos/SC). Tomamos conhecimento de que muitos dos nossos fiéis católicos (de nossa Diocese de Frederico Westphalen/RS) têm acorrido a Santuário com o juízo errôneo de que se trata da nossa Igreja (Igreja Católica Apostólica Romana).
Assim, faz-se necessário vir de público esclarecer que o referido Santuário que se encontra em Esperança do Sul/RS não tem nenhuma ligação com a nossa Igreja, seja com a Paróquia de Três Passos/RS que atendem os católicos daquele município, seja com a nossa Diocese de Frederico Westphalen/RS ou mesmo com a Igreja Católica Apostólica Romana que tem sua sede na Cidade do Vaticano.
De fato, há alguns elementos um tanto semelhantes entre a Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja Católica Apostólica Conservadora do Brasil. Pode-se perceber certa semelhança nas vestes litúrgicas usadas no dia da inauguração do Santuário com as que os padres e bispos de nossa Igreja usam; como também a Igreja Católica Apostólica Conservadora do Brasil tem veneração por Nossa Senhora com seus vários títulos (como também nós temos), neste caso específico, Nossa Senhora de Caravaggio. Contudo, o fato de ter elementos parecidos não indica que a Igreja Católica Apostólica Conservadora do Brasil seja a Igreja Católica Apostólica Romana e que não haja diferenças entre elas. Há diferenças, inclusive doutrinais.
Respeitamos os nossos irmãos da Igreja Católica Apostólica Conservadora do Brasil no espírito com que Nosso Senhor pede que o façamos, mas precisamos reafirmar aos fiéis católicos de nossa Diocese que, caso desejem manifestar sua veneração à Virgem Santíssima sob o título de Nossa Senhora do Caravaggio, podem se dirigir às várias Igrejas que temos no interior de nossas paróquias e as têm como titular; ao Capitel em Taquaruçu do Sul/RS a ela dedicado ou dirigir-se ao Santuário de Farroupilha/RS, pertencente à Diocese de Caxias do Sul/RS, portanto, à Igreja Católica Apostólica Romana, que é o mais próximo que temos conhecimento ser aprovado pela nossa Igreja.
Quaisquer outras dúvidas a respeito disto, os fiéis católicos de nossa Diocese devem procurar resposta junto aos padres de nossa Diocese, presentes nas paróquias, pois eles poderão dar todas as informações necessárias para que não venham a incorrer em erros doutrinais devido às diferenças existentes entre a Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja Católica Apostólica Conservadora do Brasil.
Dado e passado nesta Sede Episcopal, aos vinte e sete dias do mês de março ano santo do Senhor de dois mil e catorze.

+ Antonio Carlos Rossi Keller
Bispo de Frederico Westphalen/RS


Côn. Jacson Rodrigo Pinheiro
Chanceler da Cúria de Frederico Westphalen/RS

Protocolo 23/14
Reg. Livro n. 01 fl. n. 144

Fonte: Assessoria de Imprensa/Diocese de Frederico Westphalen

Nota Pastoral




 
 
DOM ANTONIO CARLOS ROSSI KELLER

PELA GRAÇA DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA

BISPO DE FREDERICO WESTPHALEN (RS)

Nota Pastoral

Por ocasião dos atos de vandalismo realizados na Igreja Nossa Senhora de Lourdes, do Município de Novo Tiradentes.

 

Frente aos atos de vandalismo sofridos pela Capela da Comunidade de Nossa Senhora de Lourdes, do Município de Novo Tiradentes, pertencente à Paróquia Cerro Grande, o Bispo Diocesano vem publicamente:

1. Lamentar o ocorrido, já que estes atos criminosos ferem profundamente a alma católica de nosso povo;

2. Solidarizar-me com o pároco, Pe. Maurício Karpinski e com a Comunidade de Nossa Senhora de Lourdes de Novo Tiradentes, que veem sua Igreja violada, a Sagrada Eucaristia sacrilegamente desrespeitada, o altar destruído e as imagens sagradas vilipendiadas;

3. Solicitar respeitosamente às autoridades policiais e judiciais que a investigação em relação à autoria destes atos de vandalismo sejam levadas a efeito e os responsáveis devidamente indiciados e punidos pela lei;

 Outrossim, de acordo com o estabelecido no Cerimonial dos Bispos, quero determinar, através desta Nota Pastoral, o processo de volta à normalidade desta Igreja de Nossa Senhora de Lourdes de Novo Tiradentes.

Transcrevo abaixo, o que diz o referido Cerimonial, nestes graves casos de violação de Igrejas:

“1070. Os delitos cometidos numa igreja atingem e prejudicam em certa medida toda a comunidade dos irmãos que creem em Cristo, dos quais o edifício sagrado é sinal e imagem.

Devem considerar-se tais, não só os crimes e delitos que constituem ofensa grave aos sagrados mistérios, mormente às espécies eucarísticas, e se cometem em desprezo da Igreja, mas também os que ofendem gravemente a dignidade do homem e da sociedade humana.

A Igreja é violada com ações gravemente injuriosas, nela praticadas com escândalo dos fiéis, e, de tal modo graves e contrárias à santidade do lugar, que, a juízo do Ordinário do lugar, não é lícito exercer nela o culto, enquanto a injúria não for reparada por meio de rito penitencial.

1071. A injúria feita à igreja deve ser reparada quanto antes mediante rito penitencial. Enquanto não se efetuar este rito, não se pode celebrar nela a Eucaristia nem quaisquer outros sacramentos ou ritos litúrgicos.

Entretanto, através da pregação da Palavra de Deus e exercícios de piedade, convém preparar os fiéis para o rito penitencial, e, mais do que isso, renová-los interiormente por meio da celebração do sacramento da Penitência”.

Assim sendo, DETERMINO:

1. Que até o dia 03 de abril do corrente ano, nenhuma ação litúrgica sacramental seja realizada na referida Igreja, exceto o atendimento das Confissões;

2. Que o Pároco, Pe. Maurício Karpinski providencie uma oportuna explicação à Comunidade local da gravidade destes fatos, bem como uma Celebração Penitencial, oportunizando o atendimento das Confissões nos próximos dias;

3. Que no referido dia, às 19:00 horas, a Comunidade de Nossa Senhora de Lourdes de Novo Tiradentes, juntamente com seu Pároco, os sacerdotes que puderem estar presentes, bem como aqueles católicos e pessoas de boa vontade de outros locais que desejarem participar, juntamente com o Bispo Diocesano, nos encontremos diante da Prefeitura Municipal, para nos dirigirmos, em procissão penitencial até a Igreja violada, para lá realizar as Cerimônias prescritas pelo Cerimonial dos Bispos;

4. Que especialmente a Comunidade Católica de Novo Tiradentes, bem como todos os demais diocesanos rezemos, suplicando de Deus o perdão e a conversão daqueles que cometeram este grave delito.

 

Frederico Westphalen, 28 de março de 2014.

 

+ Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo de Frederico Westphalen

quarta-feira, 26 de março de 2014

Jesus Cristo, nossa Luz

É preciso procurar o Senhor.
Nascemos cegos para a vida eterna. Recebemos a virtude da fé no Batismo, como dom gratuito de Deus, como luz que brilha para a vida eterna. Mas depois temos de procurar desenvolvê-la. Fé que não se vive, é luz que se apaga.
O Evangelho deste 4º Domingo da Quaresma nos fala da cura do cego (João 9,1-41). Se não fora o encontro deste cego de nascença com Jesus, certamente viveria e morreria cego. O encontro deste homem com o Divino Mestre mudou completamente o rumo da sua vida.
Por vezes, as pessoas fogem dos meios de formação, de aprofundar a sua fé, para fugir às responsabilidades e exigências, para não terem que mudar hábitos de vida. Aquele que fecha os olhos à luz, que evita oportunidades de aprofundar a fé, peca contra a luz, fechando propositadamente os olhos para não ver.
Outras vezes, esta atitude apresenta-se com aparências de bondade: não se evita o esclarecimento das verdades, mas procura-se escutar apenas quem fala de acordo com os nossos gostos e não nos pede mudanças de vida. Em vez de prestar atenção ao que nos ensina Jesus e sua Igreja, agarram-se a uma opinião errada para continuar com os mesmos passos em falso.
Havemos de procurar a luz do Senhor com toda a lealdade e retidão, movidos pelo desejo de fazer tudo e só o que for da Sua vontade.
A fé é um dom sobrenatural. «Isto é realmente estranho: não sabeis de onde Ele é, mas a verdade é que Ele me deu a vista.», diz o cego aos que questionam sua cura.
Não podemos adquirir a fé pelo nosso esforço. Foi-nos oferecida gratuitamente no nosso Batismo. Deve ser alimentada pela formação doutrinal, crescer pelo nosso esforço em pô-la em prática, celebrá-la na Liturgia e proclamá-la no apostolado, especialmente com o nosso exemplo.
Mas não podemos fazer nada disto, se Deus não vier em nosso auxílio. Grandes inteligências da história da Igreja caíram em grandes erros. Como contraste, almas humildes, com uma formação intelectual escassa, penetraram nos mistérios da fé com mais profundidade do que muitos teólogos.
É com esta atitude de humildade que havemos de pedir ao Senhor que aumente a nossa fé, à semelhança dos cegos que Jesus encontrava na vida pública e Lhe pediam: «Mestre: que eu veja!»
Em relação à fé, cabe-nos colaborar com o Senhor. «Vai se lavar à piscina de Siloé [...] Ele foi, lavou-se, e ficou a ver.» Este homem colabora ativamente com o Senhor, caminhando até à piscina indicada, e lavando-se. Só então experimentou a alegria de ver.
Se queremos crescer na fé – ver cada vez melhor – é indispensável este esforço para ir pondo em prática aquilo que o Senhor nos vai ensinando, pouco a pouco. Há pessoas, antes bons cristãos, que agora se queixam: «Perdi a fé!» De fato, perderam-na, não porque alguém a roubou. A perda começou no momento em que, arrastados pelas paixões, deixaram de pôr em prática aquilo que o Senhor lhes ia mostrando como necessário.
Temos necessidade de testemunhar a fé, como este homem corajoso do Evangelho e tantos outros. A fé apresenta-se como um dom tão precioso, que muitos deram a vida para a defender.
A Eucaristia é o mistério da nossa fé, como proclama o celebrante, no final da Consagração. Ela é também alimento que a fortalece e transforma em alegria.