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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O teu trono será firme para sempre


 

O rei David, depois de conquistar Jerusalém e fazer dela a capital do seu reino, quis construir para Deus um templo que fosse digno do Senhor. Até então o templo era uma tenda de peles, como Deus tinha indicado a Moisés no deserto do Sinai, de modo a ser transportada de um lado para o outro.
Deus mandou dizer pelo profeta Natã que essa tarefa seria para o filho que lhe sucedesse. Mas o Senhor recompensou a sua generosidade fazendo-lhe a promessa maravilhosa que vamos ouvir na primeira leitura, tirada de alguns versículos do capítulo 7 do Segundo Livro de Samuel: da sua descendência havia de nascer o Messias prometido a Abraão.
É uma lição muito importante para nós. Deus não fica a dever nada. É mais generoso do que nós. Vale a pena que sejamos cuidadosos com as coisas de Deus. Vale a pena que tratemos bem a Jesus que está conosco na Santíssima Eucaristia.
É um sinal da nossa fé e do nosso amor cuidar bem das nossas igrejas e dos objetos do culto. Que não sejam como o curral onde nasceu há dois mil anos porque não quiseram recebe -lo em suas casas.
Jesus continua a ser Deus conosco em nossas igrejas. Além do cuidado com as coisas litúrgicas, respeitemos o ambiente sagrado dos nossos templos, hoje que tantos cristãos não o sabem fazer. Até parece que estão na rua ou em um mercado.
Ali é casa de oração, é lugar para falar com o Senhor e não para conversar com os outros. Se alguma coisa fosse preciso dizer, teremos de falar baixo e só o estritamente necessário, com a consciência de que está ali Jesus, que, sendo nosso amigo, não deixa de ser o Senhor do Céu e da terra.
Aprendamos com Nossa Senhora a tratar bem Aquele que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem e que veio habitar entre nós e que Se encontra em nossos sacrários.
Nossa Senhora é para nós o modelo sempre atual para acolher a Jesus. A Igreja apresenta-nos neste último domingo do Advento a figura de Maria, a sugerir-nos que façamos como Ela para viver bem o Natal de Jesus.
No Evangelho da Missa deste domingo, tirado de São Lucas 1,26-38, vemos como o Arcanjo São Gabriel saúda-a em nome de Deus e diz-lhe que Ele a escolheu para mãe do Salvador prometido aos seus antepassados. A Virgem escuta com atenção, acredita sem duvidar naquilo que o mensageiro de Deus lhe diz. Não pede nenhum sinal como Zacarias.
E responde: – «Eis a escrava do Senhor. Faça-se em Mim segundo a tua palavra.» Naquele momento o Verbo de Deus, eterno com o Pai, toma a nossa natureza humana fazendo-se um de nós no seio puríssimo de Maria.
Podemos admirar a fé, a humildade e a obediência pronta e decidida da Virgem. É uma lição viva para todos nós. A fé e o amor de Deus manifestam-se na obediência fiel à vontade de Deus, no cumprimento amoroso dos Seus mandamentos.
Aprendamos com a Virgem a identificar-nos com Jesus, sempre prontos a fazer a vontade de Deus.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A missão de Jesus e a nossa missão

 
 
A missão de Isaías, que é profeticamente a Missão de Jesus e, unidos a Ele, a nossa missão como cristãos, dá-nos a visão verdadeira que devemos ter da nossa vida na terra.
Muitos entendem a vida como passar o tempo de qualquer maneira, procurando todas as oportunidades em que podem encontrar prazer dos sentidos, dinheiro para proporcioná-lo e poder que os engrandeça aos olhos dos seus semelhantes.
Totalmente oposta a esta é a visão que o Senhor nos dá da nossa existência terrena.
O Senhor confia-nos uma missão, como nos ensina a primeira Leitura da Missa deste 3º Domingo do Advento (Isaías 61,1-2ª.10-11). «O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu».
Ninguém está por acaso neste mundo. Cada pessoa que é chamada à vida pode não entrar nos planos dos pais, mas entra, com certeza, nos de Deus. O Senhor digna-Se contar com cada um de nós para realizar maravilhas no mundo, com a condição de que nos disponibilizemos a colaborar com Ele.
Também os doentes e os limitados em qualquer capacidade têm a sua missão em favor dos outros, porque fazemos parte de um corpo organizado. E no corpo, nenhum membro vive para si, mas para os outros.
Temos necessidade de mudar a nossa visão da vida. Todos viemos ao mundo para servir, e nesta comunhão de serviço, nos prepararmos para a felicidade eterna.
Todos recebemos do Senhor muitos dons: a vida, a inteligência, as qualidades e aptidões, o ambiente cristão em que vivemos...
Toda a vocação se concretiza nisto: receber para dar aos outros, e não para felicidade ou glória próprias.
A quem devemos ajudar? Na missão de Isaías concretizam-se aqueles que precisam da nossa ajuda.
Anunciar a Boa Nova aos pobres: a ignorância religiosa é o maior inimigo de Deus e do homem. Quando as pessoas perdem a referência de um Deus que é Pai e que há um conjunto de verdades para orientar a nos vida e de normas para viver, vivem desorientadas.
Curar os corações atribulados: hoje há quem sofra muito, tanto física como moralmente. Todos os que dedicam aos doentes, por profissão ou voluntariado, cumprem esta missão. Precisa-se também de quem conforte e aconselhe os que não encontram rumo para as suas vidas. Recordamos as palavras de Jesus: «Vinde a Mim, todos os que andais atribulados e Eu vos aliviarei».
Proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros: Libertar as pessoas que estão escravizadas pela droga, o álcool, a sensualidade, ou até problemas afetivos que não têm seguimento, é uma caridade urgente.
Promulgar o ano da graça do Senhor: É urgente ajudar as pessoas a recuperar, no Sacramento da Reconciliação e penitência, a graça, a alegria e a paz que perderam.
Vivamos este Advento como um tempo santo de escuta da Palavra de Deus.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O Senhor virá


 

 Celebrar o Natal não é apenas fazer uma comemoração festiva, recordar um acontecimento agradável, mas torná-lo presente e real, pela Liturgia, de tal modo que possamos participar nele, como se vivêssemos nesse tempo.
Logo a seguir à queda dos nossos primeiros pais, perante a sua miséria extrema, Deus prometeu um Redentor.

Com sabedoria infinita, foi preparando as condições ideais para vinda do Filho de Deus ao mundo e expansão da Sua mensagem.
Quando Jesus nasceu, havia as condições reunidas:

– uma unidade de governo que facilitava viajar com relativa segurança por todo o mundo de então, para levar a Boa Nova. Roma estabelecera um só poder, garantido pelas Legiões Romanas.
– Uma linguagem comum. Quem falasse o grego comercial ou o latim, era facilmente entendido. Assim aconteceu com os Apóstolos e com o grande S. Paulo.

– Os hebreus – um pequeno resto – tinham deixado de sonhar com um Messias que fosse exclusivamente para eles.
– Os judeus estavam espalhados pelo mundo – por causa do comércio ou mesmo por sucessivas deportações – e tinham levado a todo o mundo a esperança na vinda do redentor. (O poeta romano Virgílio fala da chegada de uma idade de ouro).

– As pessoas estavam cansadas e desiludidas com as paixões, com os falsos deuses e a escravatura clamava por uma Mensagem que ensinasse a todas as pessoas que somos irmão.
Havia, pois uma grande expectativa pouco antes de Jesus vir ao mundo. A viagem dos reis magos é uma demonstração disso mesmo.

E nós? Queremos a sério que Jesus tome conta da nossa vida e que modifique o nosso comportamento? Ou parece-nos que não temos necessidade de mudar?
Lancemos um olhar sobre nós. A primeira Leitura deste domingo nos ajuda a isto: «Porque nos deixais, Senhor, desviar dos vossos caminhos e endurecer o nosso coração, para que não Vos tema?» (Isaias, 63, 16b-17; 19b; 64, 2b-7).

Aos poucos, as pessoas vão-se desiludindo da capacidade dos homens para construir um mundo melhor.
Este mundo novo tem de ser construído por cada um de nós, de mãos dadas com o Senhor, pela conversão pessoal. O nosso Deus quer associar-nos à Sua vitória sobre o mal, com um pouco de esforço que façamos.

A melhor preparação para o natal é reconhecer que, de fato, temos muitas infidelidades e precisamos de mudar, com a ajuda de Deus.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Solenidade de Cristo Rei e Senhor do Universo

 
Celebramos neste final de semana a última Solenidade do ano litúrgico da Igreja, que é aquela de Cristo Rei e Senhor do Universo.
O título dado a Jesus, de “Rei e Senhor do Universo” tem um sentido messiânico: Jesus é o herdeiro do trono de Davi, segundo as promessas feitas pelos profetas. É Rei e Senhor não de um reino humano, mas do Reino Eterno, que não terá fim e não se sustenta no poder do domínio político, dos exércitos munidos de armas de destruição. O Reino e o Senhorio de Cristo são realidades sobrenaturais, de salvação eterna.
A realeza de Cristo permanece totalmente escondida até aos trinta anos, transcorridos em Nazaré. Depois, durante a vida pública Jesus inaugurou o novo Reino, que «não é deste mundo» (João 18, 36) e no final realizou-o plenamente com a sua morte e ressurreição.
Ao aparecer ressuscitado aos Apóstolos disse: «Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra». (Mateus 28, 18). Esta autoridade brota do amor, que Deus manifestou plenamente no sacrifício do Seu Filho.
O Reino de Cristo é dom oferecido aos homens de todos os tempos, para que aquele que acredita no Filho de Deus feito Homem «não morra mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16).
Há uma distinção entre Cristo  que é «rei» desde o seu nascimento até início da sua vida pública e «o novo Reino», que não é deste mundo, e que se realiza plenamente com a sua morte e ressurreição.
O Reino de Cristo é dom oferecido aos homens de todos os tempos, para que aquele que acredita no Filho de Deus feito Homem «não morra mas tenha a vida eterna» (João 3, 16).
Este Reinado realiza-se plenamente com a sua morte e ressurreição. Cristo obedeceu até à morte e morte de cruz.
O homem de hoje só é feliz, se descobrir que a submissão à vontade de Deus o eleva acima da mediocridade.
Submeter-se a Cristo Rei é tornar-se mais humano e mais divino. Opor-se a Cristo Rei é tornar-se escravo de seus instintos. A liberdade dos que amam e servem a Cristo Rei abre estradas e constrói pontes. Quando realizamos só o que nos apetece, geramos círculos fechados e abrimos as portas à violência, ao ódio, à guerra, à corrupção.
Acolher este reinado de Cristo em nossa vida, submeter-se ao seu senhorio de amor e paz, traz como resultado a nossa união a Cristo já nesta vida, que se encaminhará para a vida plena com Ele, no céu.
«Cristo Rei é o fim da história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da civilização, o centro do gênero humano, a alegria de todos os corações e a plenitude de todas as suas aspirações.
Vivificados e reunidos no seu Espírito, caminhamos em direção à perfeição final da história humana, que corresponde plenamente ao seu desígnio de amor: «recapitular todas as coisas em Cristo, tanto as do céu como as da terra» (Efésios 1, 10) (Gaudium et spes, 45)

 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Chamados ao testemunho


 

O 33º Domingo do Tempo Comum recorda a cada cristão a grave responsabilidade de ser, no tempo histórico em que vivemos, testemunha consciente, ativa e comprometida desse projeto de salvação que Deus Pai tem para os homens.
O Evangelho deste Domingo, tirado do Evangelista São Mateus, 25,14-30, apresenta-nos dois exemplos opostos de como esperar e preparar a última vinda de Jesus. Louva o discípulo que se empenha em fazer frutificar os «bens» que Deus lhe confia; e condena o discípulo que se instala no medo e na apatia e não põe a render os «bens» que Deus lhe entrega (dessa forma, ele desperdiça os dons de Deus e priva os irmãos, a Igreja e o mundo dos frutos a que têm direito).
Na segunda leitura (1 Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, 5,1-6), Paulo deixa claro que o importante não é saber quando virá o Senhor pela segunda vez; mas é estar atento e vigilante, vivendo de acordo com os ensinamentos de Jesus, testemunhando os seus projetos, empenhando-se ativamente na construção do Reino.
A primeira leitura (Provérbios 31, 10-13; 19-20; 30-31) apresenta, na figura da mulher virtuosa, alguns dos valores que asseguram a felicidade, o êxito, a realização. O «sábio» autor do texto propõe, sobretudo, os valores do trabalho, do compromisso, da generosidade, do «temor de Deus». Não são só valores da mulher virtuosa: são valores de que deve revestir-se o discípulo que quer viver na fidelidade aos projetos de Deus e corresponder à missão que Deus lhe confiou.
A Liturgia deste domingo nos ensina a encarar nossa vida como uma missão. São Paulo era homem de urgências apressadas e consciência aguda duma missão a cumprir. Acreditava na teoria da «vida passageira e breve» onde o tempo era bem escasso e a vida energia não renovável em contraste com o muito por fazer, este, sim, inesgotável. Preguiça não era com ele; desperdiçar o tempo muito menos. Homem de grandes causas e grandes lutas, coloca-se todo no que fazia. E tudo o que fazia, fazia-o por convicção. Tinha pressa antes que o Senhor chegasse, para no fim dos seus dias Lhe poder dizer: «Combati o bom combate», agora, Senhor, acolhe-me no teu Reino pelo qual gastei vida e talentos. Enervava-se com quem não trabalha («Quem não quiser trabalhar que não coma»). Hoje escreve aos Tessalonicenses: «Não durmamos como os outros» porque «não somos da noite» mas do dia. Até que o Senhor venha pedir contas da vida e do que fizemos com ela. São Paulo foi alguém capaz de responder à missão que Deus lhe confiou.
A Liturgia da palavra deste Domingo nos ensina que o Reino de Deus não é só um dom, mas também uma conquista do ser humano. Somos chamados a ser construtores deste reino, neste mundo. Tal construção e a posse final deste Reino são condicionados também pelo esforço e pelo exercício dos dons que Deus nos confiou, para que os usássemos com responsabilidade. Em cada santa Missa que participamos, Deus renova em nós este dom, que nos capacita e nos compromete no trabalho de ajudá-Lo na edificação de seu reino.
Aproveito esta Mensagem para pedir de todos as orações pelo descanso eterno de nosso eterno bispo Dom Bruno Maldaner. Estamos celebrando hoje os sete anos de seu falecimento. Deus lhe dê o merecido descanso eterno.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Festa da Dedicação da Basílica de Latrão





Celebramos neste final de semana uma Festa: a da Dedicação da Basílica de São João do Latrão.
A Basílica de S. João de Latrão, cuja “dedicação” ou consagração aconteceu no ano de 320, é a catedral do Papa, enquanto Bispo de Roma. Ela é a “mãe de todas as igrejas”, o símbolo das Igrejas de todo o mundo, unidas à volta do sucessor de Pedro.
A Festa da Dedicação da Basílica de Latrão convida-nos a tomar consciência de que a Igreja de Deus (que a Basílica de Latrão simboliza e representa) é hoje, no meio do mundo, a “morada de Deus”, o testemunho vivo da presença de Deus na caminhada histórica dos homens.
Na primeira leitura desta Festa, tirada do Livro do profeta Ezequiel (Ezequiel 47,1-2.8-9.12), o profeta, dirigindo-se ao Povo de Deus exilado na Babilônia, anuncia a chegada de um tempo de salvação e de graça. Deus vai estabelecer a sua morada no meio dos homens e vai derramar sobre a humanidade sofredora vida em abundância.

No Evangelho deste domingo (João 13, 2-22), Jesus apresenta-Se como o Novo Templo, o “lugar” onde Deus reside no mundo e onde os homens podem fazer a experiência do encontro com Deus. É através de Jesus que o Pai oferece aos homens o seu amor e a sua vida. Aquilo que a antiga Lei já não conseguia fazer – estabelecer relação entre Deus e os homens – é Jesus que, a partir de agora, o faz.
Na segunda leitura (1 Coríntios 3,9c-11.16-17), São Paulo recorda aos cristãos de Corinto (e aos cristãos de todos os tempos e lugares) que são, no mundo, o Templo de Deus onde reside o Espírito. Animados pelo mesmo Espírito, os cristãos são chamados a viver numa dinâmica nova, seguindo Jesus no caminho do amor, do serviço, da obediência a Deus e da entrega aos irmãos; vivendo dessa forma, eles tornam Deus presente e atuante no meio da cidade dos homens.
Celebrar a Dedicação de uma Igreja, e neste caso, a da Basílica Lateranense, significa para nós celebrar a Cristo, Cabeça deste Corpo que é a Igreja, do qual somos nós os membros. Nós todos formamos com Cristo, a Igreja, seu Corpo santo.
Esta celebração leva-nos a questionar-nos sobre qual é o verdadeiro culto que Deus espera? Evidentemente, não são os ritos solenes e pomposos, mas vazios de amor a Deus e de comprometimento com a sua Palavra e com a Eucaristia que recebemos em comunhão.
O culto cristão não é um simples culto ritual, de cumprimento mágico de algumas regras e normas.
O culto que Deus aprecia é uma vida vivida na escuta das suas propostas e traduzida em gestos concretos de doação, de entrega, de serviço simples e humilde aos irmãos. Quando, tendo participado da sagrada Liturgia, somos capazes de sair do nosso comodismo e da nossa autossuficiência para ir ao encontro do irmão, estamos dando a verdadeira resposta “litúrgica” adequada ao amor e à generosidade de Deus para conosco.

A Liturgia autêntica, celebrada com a dignidade exigida pelos Ritos indicados pela Igreja, deve nos levar ao encontro de Deus no meio das realidades do mundo, presente especialmente em nossos irmãos sofredores.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O Amor no centro da vida





 
A pergunta que fizeram a Jesus, relatada no Evangelho deste domingo (Mateus 22,34-40) era embaraçosa naquela época, porque a casuística judaica tinha elevado as prescrições da Lei a 613 e não era fácil eleger a que estava acima de todas, qual era a mais importante.
Na Sua pregação, Jesus ensinou que o homem não era para o sábado, mas o sábado para o homem
«’Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’. Este é o maior e o primeiro mandamento
Amar a Deus sobre todas as coisas é o primeiro Mandamento da Lei e a razão de ser dos outros nove. Tudo quanto fazemos na vida há de ser movido por este amor.
Não podemos imaginar uma vida agradável ao Senhor sem um esforço constante para fomentar a intimidade com Deus, pela fidelidade aos mandamentos, pela oração e pelo apostolado.
Temos de dar testemunho da nossa fé sendo profundamente piedosos. “Tudo por Amor. Assim não há coisas pequenas:” (S. Josemaria, Caminho).
Os amores e os interesses humanos devem estar centrados neste amor. Não faz sentido ofender a Deus para manifestar amor a qualquer pessoa. Quando isto acontece, o amor que se manifesta não é verdadeiro amor.
O amor a Deus concretiza-se em fazer a Sua vontade; e isto nem sempre agrada aos nossos sentidos, por causa da desordem que o pecado original introduziu em nós.
Também o amor humano exige sacrifício heróico. Não se alimenta só de consolações.
«‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’»
O Senhor planejou que iniciássemos na terra a vida de comunhão com os nossos irmãos.
Amamos tudo o que Deus ama. De outro modo, não O amaríamos com sinceridade. Sabemos que o homem é o único ser criado que Deus ama em razão de si mesmo. (Concílio Vaticano I, Constituição Pastoral Gaudium et Spes).
Este amor concretiza-se em desejar o maior bem às pessoas, porque amar é querer bem.
Mas como não somos exclusivamente espirituais, devemos transparecer este amor com boas obras. Não se trata apenas de parecermos simpáticos, mas de vivermos em comunhão de alegrias e sofrimentos com as outras pessoas.
Por vezes, este amor mistura-se com a dor, porque exige de nós sacrifícios e pode, por sua vez, mortificar os outros. Quando o médico trata um doente, vê-se obrigado, por vezes, a molestá-lo. E as mães conhecem bem o quanto sofrem pelos seus filhos.
Quando se trata do amor ao próximo, é preciso levantar o olhar para o alto, como quem guia um veículo olhando sempre em frente. Às vezes, os pais entendem como amor o fazer todas as vontades dos filhos. Se um médico fizesse todas as vontades ao doente, e pusesse de lado os medicamentos que eles se recusam a tomar, abandonava-o à sua doença e à morte.
O bem supremo para todas as pessoas é a comunhão eterna com Deus. Nunca podemos esquecer esta orientação fundamental da nossa vida.
Amamos as pessoas quando lhes damos a conhecer Deus e as ensinamos a amá-lo, cumprindo a Sua Lei.
Por isso, a evangelização missionária está no coração da Igreja e dos cristãos e constitui o testamento de Jesus, momentos antes de subir ao Céu. (São Mateus 28, 19).
Evangelizar não é mais uma devoção entre muitas outras. É uma preocupação nuclear para a nossa vida de filhos de Deus.
O nosso amor a Deus não seria verdadeiro, sincero, enquanto não procurássemos que Ele seja conhecido e amado por todas as pessoas. Ele é um Pai magnânimo e quer que todas as pessoas se sentem à Sua mesa na felicidade eterna do Céu.
Como poderemos viver este mandamento do Senhor?
Rezando pelos que lançam no mundo a semente do Evangelho. Sem a oração, a boa semente não germina. Ao rezar pela causa missionária fazemos um ato de humildade, porque reconhecemos que a evangelização não é fruto de uma ciência humana, mas obra de Deus. Os que evangelizam não fazem mais do que oferecer ao Senhor os cinco pães e dois peixes, ou encher a talhas de água. A partir daí, o Senhor fará o milagre de encher as redes de bom peixe.

Muitas pessoas – podiam ser muitas mais – entregam a sua vida à difusão do Evangelho. Além destas que dedicam a vida inteira a este amor, podemos e devemos evangelizar o nosso meio. 

Uma ação muito digna e nobre é esta de rezar pelos mortos


 
 Numa das leituras deste dia, do livro dos Macabeus (Macabeus 12,43-45), fala-nos do costume das pessoas piedosas de Israel de rezar pelos mortos e louva a sua ação. É uma afirmação da fé na realidade desse lugar de purificação e da possibilidade de ajudarmos os que morreram na graça de Deus.
Apoiados na união de todos em Cristo, através do Seu Corpo Místico de que todos fazemos parte, podem passar as ajudas para os nossos irmãos que sofrem as penas do Purgatório.
«Em virtude da Comunhão dos santos – diz também o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, n. 211 – os fiéis ainda peregrinos na terra podem ajudar as almas do Purgatório oferecendo as suas orações de sufrágio, em particular o Sacrifício eucarístico, mas também esmolas, indulgências e obras de penitência».
Vivamos esta caridade para com todas as almas, em especial com as das nossas famílias.
O Concílio Ecumênico Vaticano II lembrou: «Reconhecendo claramente esta comunicação de todo o Corpo Místico de Cristo, a Igreja dos que ainda peregrinam, cultivou com muita piedade, desde os primeiros tempos do Cristianismo, a memória dos defuntos e, 'porque é coisa santa e salutar rezar pelos mortos, para que sejam absolvidos de seus pecados' (2 Mac.12, 46), por eles ofereceu também sufrágios» (Lumen Gentium 50).
Santo Agostinho conta no livro das Confissões que a mãe, Santa Monica, lhes pedia a ele e seu irmão para não fazerem grandes despesas com o seu funeral, levando o seu corpo para a sua terra, no norte de África, mas para a lembrarem junto do altar de Deus. È uma lição bem atual. Hoje gasta-se muito dinheiro em flores nos funerais, que em nada podem ajudar os defuntos. Esquecem-se que poderiam sufragar os seus mortos mandando celebrar missas, dando esmolas e rezando mais por eles.
Ao rezar pelos que morreram avivamos a certeza de que havemos de ressuscitar, como lembra o texto de Macabeus. Avivamos também o desejo de nos encontrarmos com eles no céu.
Em relação à morte, temos de nos guiar pelos ensinamentos de Jesus e da Sua Igreja. São muito consoladoras as verdades da fé e, em concreto, as que se referem à vida eterna e à nossa comunhão em Cristo com os que morreram.
Podemos ajudá-los e também recorrer à sua intercessão. Podem pedir por nós, porque são almas santas amigas de Deus. Não podem ver-nos como os santos do céu, mas podem conhecer os nossos pedidos. Esta devoção às almas do Purgatório, enraizada em muitos cristãos, é uma forma muito bonita de viver a comunhão dos santos, a entre ajuda entre todos membros do Corpo Místico de Cristo.
Podemos lembrar também que o Purgatório não é apenas lugar de sofrimento. As almas sofrem antes de mais a privação da visão de Deus. Sofrem também o fogo purificador. É através do sofrimento que se purificam.
Mas gozam também duma alegria muito grande: saberem-se amadas por Deus e terem já a certeza de ir para o céu.
Pedimos à Virgem Santíssima, Nossa Senhora da Boa Morte, que nos ajude a passar já na terra o nosso purgatório, aproveitando os nossos sofrimentos e as nossas boas obras. E a vivermos melhor a fé nas verdades que hoje recordamos e a caridade para com os nossos irmãos que partiram.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Minha opinião sobre o atual Sínodo?




Apesar do temor e tremor que esta confusão toda faz surgir em minha alma, penso que seja bom tudo isto. Explico...
1. Um Sínodo tem sempre uma natureza consultiva, ou seja, não tem um poder de decisão sobre os assuntos e questões tratados. Serve "para favorecer uma estreita união entre o Romano Pontífice e os bispos, e auxiliar com seu conselho o Romano Pontífice" (Gianfranco Guirlanda). É sempre representativo do episcopado, um sinal do chamado "afeto colegial".
2. As finalidades principais de um Sínodo, segundo o cânon 342 do Código de Direito Canônico, são duas:
a. Favorecer uma estreita união entre o Romano Pontífice e os bispos, através de uma solicitude dos mesmos para com o Ministério do Papa, na fé, na caridade e na solicitude pastoral.
b. Auxiliar com o seu CONSELHO (!!!) o Romano Pontífice no exercício do Ministério Petrino, na preservação da fé e dos costumes, na observância e consolidação da disciplina eclesiástica, e ainda para estudar questões que se referem à ação da Igreja no mundo.
Portanto, o Sínodo não tem nenhum poder de decidir absolutamente nada... Não tem o poder de modificar a doutrina da Igreja, sua disciplina, seus costumes, sua ação pastoral. É um órgão consultivo. Importante, porque leva ao Santo Padre visões, pensamentos, opiniões, discussões, etc... Mas não tem nenhum poder decisório em relação à fé, à moral, aos costumes, etc.
3. A meu ver, o Santo Padre está agindo com sabedoria neste Sínodo. Há anos que todos nós, católicos, estamos escutando estas questões, estas intermináveis discussões, sobre a comunhão dos divorciados, sobre se se deve ou não abençoar as segundas uniões, sobre o "casamento" entre homossexuais, etc. Em muitos lugares, por iniciativa própria, há quem já tenha decidido dar a comunhão a casais nestas condições, há quem já abençoou estas uniões, etc., criando uma enorme confusão na Igreja e no mundo. A meu ver, o Santo Padre age com sabedoria, deixando que se fale sobre estas questões, que se apresente estas situações, a profunda divisão que já existe no seio da Igreja em relação a isto. Não é o Sínodo quem está criando a confusão: ela já existe, e em muitas realidades, vive-se no espírito do "salve-se quem puder", cada um decidindo, por conta própria o que fazer, sem dar a mínima para o que a Igreja tradicionalmente ensina... É mentira isto?
3. O fato de que se exponham estas realidades, estas posturas e suas fundamentações, ainda que esdrúxulas, com liberdade, a meu ver não é um mal. É bom isto, no sentido de que cada um possa dizer o que pensa, com sinceridade. Não consigo ver isto como um mal. Que falem, que exponham sua visão. Até agora, por medo e por falta de sinceridade mesmo (covardia...), estes assuntos eram tratados em surdina, em baixa voz. Pior ainda, alguns mudavam a disciplina da Igreja por conta própria, e pronto: problema resolvido! A atitude do Santo Padre, de incentivar que se fale é altamente positiva. Porque não posso imaginar, e tenho rezado muito por isso, que na hora de assinar uma Exortação pós Sinodal, o Santo Padre coloque sua assinatura em algo que seja contrário à fé, à disciplina, à moral e aos costumes da Igreja. 
4. Penso que, no final de toda esta discussão, de todas estas polêmicas, depois que cada um disse o que bem entender, e que o Santo Padre, na Exortação pós Sinodal, recolhendo aquilo que poderá ser aceitável no sentido da misericórdia, do acolhimento, colocar a sua assinatura final confirmando a doutrina tradicional da Igreja sobre estes assuntos, ninguém mais poderá reclamar de não ter podido falar, de não ter podido expressar sua opinião. Coerentemente, terão que assumir aquilo que Pedro disser e confirmar.
Esta é minha visão, fundamentada na fé de que, segundo as palavras do papa Emérito, Bento XVI, Cristo não abandona a sua Igreja!.
Penso que o momento presente, para nós que não estamos "dentro" do Sínodo seja o da oração. Pedindo a Deus que cada um dos sinodais diga o que pensa e o que os outros querem que seja dito. Pedir pelo Santo Padre, para que iluminado pelo Espírito Santo conduza a Igreja pelos caminhos da autêntica e verdadeira fé, pela qual, durante a história da Igreja, tantos e tantas, incluindo Papas, deram sua vida. 
Agora é o tempo da oração pela Igreja, pelo Papa e pelo Sínodo.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A soberania de Deus


 

 A Palavra de Deus fala-nos hoje, neste 29º Domingo do Tempo Comum A, da soberania de Deus: a 1ª leitura e o Evangelho falam-nos da soberania de Deus na condução da história do mundo; a 2ª leitura, da soberania de Deus na vida espiritual e na ação pastoral da Igreja.
A primeira leitura, tirada do livro do Profeta Isaías (Isaías 45,1.4-6)  dá-nos um exemplo dessa soberania na libertação do Povo de Deus do cativeiro da Babilônia. Humanamente falando, esse cativeiro terminou porque um rei estrangeiro conquistou a Babilônia e deu a liberdade aos prisioneiros. O profeta Isaías ensina que esse rei, Ciro, foi o instrumento de que Deus quis servir-se para realizar os seus planos. Sem haver conhecido o verdadeiro Deus, Ciro entra no plano de Deus ao libertar do cativeiro da Babilônia o Povo de Israel. Por isso, o profeta lhe chama de «Ungido do Senhor». «Deus é, em tudo e sempre, o Senhor».
A Providência de Deus está dentro e acima das ações dos homens. A ação constante da Providência não se capta na hora da sua execução, é algo em que se acredita, e só mais tarde, ao olhar os acontecimento do fim para o princípio, é que se descobre que andou ali a mão de Deus. «Ele é, em tudo e sempre, o Senhor».
 O texto do Evangelho, tirado de São Mateus (Mateus 22,1521), relata outra faceta dessa soberania absoluta de Deus. Dois partidos opostos (fariseus e herodianos) tentam comprometer Jesus na relação entre a fé e a política, apresentando-as como atitudes antagônicas. Jesus explica que uma não exclui a outra: Deus é o Senhor de tudo e só a Ele adoramos, mas não se alheia da atividade cívica e política, e o cristão deve ver aí um meio de ajudar a construir um mundo mais justo. Não afasta Deus do seu coração quando dá o seu voto e o contributo dos impostos justos. Faz tudo isso com os olhos em Deus, único juiz e Senhor da história. Mantém, porém um espírito lúcido e autônomo acerca dos atos governativos e, quando sentir que eles se afastam da lei de Deus e da justiça social, aquela fidelidade a Deus levá-lo-á a declarar a sua oposição a tais atos. César nunca é divino, nunca é absoluto, é somente César, alguém que exerce uma atividade humana, e os seus atos estão também sujeitos a Deus. Ao destruir a divinização da política, o cristão fez cair um dos mais poderosos ídolos da antiguidade e tornou humana a atividade política.
 A segunda leitura (1ª Carta de São Paulo aos Tessalonicenses 1,1-5b) convida a fazer uma reflexão sobre a soberania de Deus na vida espiritual e na ação pastoral da Igreja.
Paulo lembra que tudo o que se passou com os tessalonicenses, desde a sua pregação inicial até ao seu desenvolvimento, é obra do Espírito Santo. Na verdade, nós somos «servos necessários» na pregação da Palavra e na administração, mas a adesão interior das pessoas e a eficácia espiritual é obra da graça.
A Igreja é a vinha querida por Deus, como lembramos há dias, mas o viticultor é Deus. Nesse aspecto, confessamos a soberania de Deus e reconhecemo-nos a nós como «servos inúteis». Também aqui, «só Deus é o Senhor, só Ele é santo».
É essa soberania que proclamamos no Hino de Louvor da Missa (Glória) e que iremos cantar no «Sanctus» e na doxologia conclusiva da Prece eucarística.  

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