.

.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Solenidade de Cristo Rei e Senhor do Universo

 
Celebramos neste final de semana a última Solenidade do ano litúrgico da Igreja, que é aquela de Cristo Rei e Senhor do Universo.
O título dado a Jesus, de “Rei e Senhor do Universo” tem um sentido messiânico: Jesus é o herdeiro do trono de Davi, segundo as promessas feitas pelos profetas. É Rei e Senhor não de um reino humano, mas do Reino Eterno, que não terá fim e não se sustenta no poder do domínio político, dos exércitos munidos de armas de destruição. O Reino e o Senhorio de Cristo são realidades sobrenaturais, de salvação eterna.
A realeza de Cristo permanece totalmente escondida até aos trinta anos, transcorridos em Nazaré. Depois, durante a vida pública Jesus inaugurou o novo Reino, que «não é deste mundo» (João 18, 36) e no final realizou-o plenamente com a sua morte e ressurreição.
Ao aparecer ressuscitado aos Apóstolos disse: «Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra». (Mateus 28, 18). Esta autoridade brota do amor, que Deus manifestou plenamente no sacrifício do Seu Filho.
O Reino de Cristo é dom oferecido aos homens de todos os tempos, para que aquele que acredita no Filho de Deus feito Homem «não morra mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16).
Há uma distinção entre Cristo  que é «rei» desde o seu nascimento até início da sua vida pública e «o novo Reino», que não é deste mundo, e que se realiza plenamente com a sua morte e ressurreição.
O Reino de Cristo é dom oferecido aos homens de todos os tempos, para que aquele que acredita no Filho de Deus feito Homem «não morra mas tenha a vida eterna» (João 3, 16).
Este Reinado realiza-se plenamente com a sua morte e ressurreição. Cristo obedeceu até à morte e morte de cruz.
O homem de hoje só é feliz, se descobrir que a submissão à vontade de Deus o eleva acima da mediocridade.
Submeter-se a Cristo Rei é tornar-se mais humano e mais divino. Opor-se a Cristo Rei é tornar-se escravo de seus instintos. A liberdade dos que amam e servem a Cristo Rei abre estradas e constrói pontes. Quando realizamos só o que nos apetece, geramos círculos fechados e abrimos as portas à violência, ao ódio, à guerra, à corrupção.
Acolher este reinado de Cristo em nossa vida, submeter-se ao seu senhorio de amor e paz, traz como resultado a nossa união a Cristo já nesta vida, que se encaminhará para a vida plena com Ele, no céu.
«Cristo Rei é o fim da história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da civilização, o centro do gênero humano, a alegria de todos os corações e a plenitude de todas as suas aspirações.
Vivificados e reunidos no seu Espírito, caminhamos em direção à perfeição final da história humana, que corresponde plenamente ao seu desígnio de amor: «recapitular todas as coisas em Cristo, tanto as do céu como as da terra» (Efésios 1, 10) (Gaudium et spes, 45)

 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Chamados ao testemunho


 

O 33º Domingo do Tempo Comum recorda a cada cristão a grave responsabilidade de ser, no tempo histórico em que vivemos, testemunha consciente, ativa e comprometida desse projeto de salvação que Deus Pai tem para os homens.
O Evangelho deste Domingo, tirado do Evangelista São Mateus, 25,14-30, apresenta-nos dois exemplos opostos de como esperar e preparar a última vinda de Jesus. Louva o discípulo que se empenha em fazer frutificar os «bens» que Deus lhe confia; e condena o discípulo que se instala no medo e na apatia e não põe a render os «bens» que Deus lhe entrega (dessa forma, ele desperdiça os dons de Deus e priva os irmãos, a Igreja e o mundo dos frutos a que têm direito).
Na segunda leitura (1 Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, 5,1-6), Paulo deixa claro que o importante não é saber quando virá o Senhor pela segunda vez; mas é estar atento e vigilante, vivendo de acordo com os ensinamentos de Jesus, testemunhando os seus projetos, empenhando-se ativamente na construção do Reino.
A primeira leitura (Provérbios 31, 10-13; 19-20; 30-31) apresenta, na figura da mulher virtuosa, alguns dos valores que asseguram a felicidade, o êxito, a realização. O «sábio» autor do texto propõe, sobretudo, os valores do trabalho, do compromisso, da generosidade, do «temor de Deus». Não são só valores da mulher virtuosa: são valores de que deve revestir-se o discípulo que quer viver na fidelidade aos projetos de Deus e corresponder à missão que Deus lhe confiou.
A Liturgia deste domingo nos ensina a encarar nossa vida como uma missão. São Paulo era homem de urgências apressadas e consciência aguda duma missão a cumprir. Acreditava na teoria da «vida passageira e breve» onde o tempo era bem escasso e a vida energia não renovável em contraste com o muito por fazer, este, sim, inesgotável. Preguiça não era com ele; desperdiçar o tempo muito menos. Homem de grandes causas e grandes lutas, coloca-se todo no que fazia. E tudo o que fazia, fazia-o por convicção. Tinha pressa antes que o Senhor chegasse, para no fim dos seus dias Lhe poder dizer: «Combati o bom combate», agora, Senhor, acolhe-me no teu Reino pelo qual gastei vida e talentos. Enervava-se com quem não trabalha («Quem não quiser trabalhar que não coma»). Hoje escreve aos Tessalonicenses: «Não durmamos como os outros» porque «não somos da noite» mas do dia. Até que o Senhor venha pedir contas da vida e do que fizemos com ela. São Paulo foi alguém capaz de responder à missão que Deus lhe confiou.
A Liturgia da palavra deste Domingo nos ensina que o Reino de Deus não é só um dom, mas também uma conquista do ser humano. Somos chamados a ser construtores deste reino, neste mundo. Tal construção e a posse final deste Reino são condicionados também pelo esforço e pelo exercício dos dons que Deus nos confiou, para que os usássemos com responsabilidade. Em cada santa Missa que participamos, Deus renova em nós este dom, que nos capacita e nos compromete no trabalho de ajudá-Lo na edificação de seu reino.
Aproveito esta Mensagem para pedir de todos as orações pelo descanso eterno de nosso eterno bispo Dom Bruno Maldaner. Estamos celebrando hoje os sete anos de seu falecimento. Deus lhe dê o merecido descanso eterno.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Festa da Dedicação da Basílica de Latrão





Celebramos neste final de semana uma Festa: a da Dedicação da Basílica de São João do Latrão.
A Basílica de S. João de Latrão, cuja “dedicação” ou consagração aconteceu no ano de 320, é a catedral do Papa, enquanto Bispo de Roma. Ela é a “mãe de todas as igrejas”, o símbolo das Igrejas de todo o mundo, unidas à volta do sucessor de Pedro.
A Festa da Dedicação da Basílica de Latrão convida-nos a tomar consciência de que a Igreja de Deus (que a Basílica de Latrão simboliza e representa) é hoje, no meio do mundo, a “morada de Deus”, o testemunho vivo da presença de Deus na caminhada histórica dos homens.
Na primeira leitura desta Festa, tirada do Livro do profeta Ezequiel (Ezequiel 47,1-2.8-9.12), o profeta, dirigindo-se ao Povo de Deus exilado na Babilônia, anuncia a chegada de um tempo de salvação e de graça. Deus vai estabelecer a sua morada no meio dos homens e vai derramar sobre a humanidade sofredora vida em abundância.

No Evangelho deste domingo (João 13, 2-22), Jesus apresenta-Se como o Novo Templo, o “lugar” onde Deus reside no mundo e onde os homens podem fazer a experiência do encontro com Deus. É através de Jesus que o Pai oferece aos homens o seu amor e a sua vida. Aquilo que a antiga Lei já não conseguia fazer – estabelecer relação entre Deus e os homens – é Jesus que, a partir de agora, o faz.
Na segunda leitura (1 Coríntios 3,9c-11.16-17), São Paulo recorda aos cristãos de Corinto (e aos cristãos de todos os tempos e lugares) que são, no mundo, o Templo de Deus onde reside o Espírito. Animados pelo mesmo Espírito, os cristãos são chamados a viver numa dinâmica nova, seguindo Jesus no caminho do amor, do serviço, da obediência a Deus e da entrega aos irmãos; vivendo dessa forma, eles tornam Deus presente e atuante no meio da cidade dos homens.
Celebrar a Dedicação de uma Igreja, e neste caso, a da Basílica Lateranense, significa para nós celebrar a Cristo, Cabeça deste Corpo que é a Igreja, do qual somos nós os membros. Nós todos formamos com Cristo, a Igreja, seu Corpo santo.
Esta celebração leva-nos a questionar-nos sobre qual é o verdadeiro culto que Deus espera? Evidentemente, não são os ritos solenes e pomposos, mas vazios de amor a Deus e de comprometimento com a sua Palavra e com a Eucaristia que recebemos em comunhão.
O culto cristão não é um simples culto ritual, de cumprimento mágico de algumas regras e normas.
O culto que Deus aprecia é uma vida vivida na escuta das suas propostas e traduzida em gestos concretos de doação, de entrega, de serviço simples e humilde aos irmãos. Quando, tendo participado da sagrada Liturgia, somos capazes de sair do nosso comodismo e da nossa autossuficiência para ir ao encontro do irmão, estamos dando a verdadeira resposta “litúrgica” adequada ao amor e à generosidade de Deus para conosco.

A Liturgia autêntica, celebrada com a dignidade exigida pelos Ritos indicados pela Igreja, deve nos levar ao encontro de Deus no meio das realidades do mundo, presente especialmente em nossos irmãos sofredores.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O Amor no centro da vida





 
A pergunta que fizeram a Jesus, relatada no Evangelho deste domingo (Mateus 22,34-40) era embaraçosa naquela época, porque a casuística judaica tinha elevado as prescrições da Lei a 613 e não era fácil eleger a que estava acima de todas, qual era a mais importante.
Na Sua pregação, Jesus ensinou que o homem não era para o sábado, mas o sábado para o homem
«’Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’. Este é o maior e o primeiro mandamento
Amar a Deus sobre todas as coisas é o primeiro Mandamento da Lei e a razão de ser dos outros nove. Tudo quanto fazemos na vida há de ser movido por este amor.
Não podemos imaginar uma vida agradável ao Senhor sem um esforço constante para fomentar a intimidade com Deus, pela fidelidade aos mandamentos, pela oração e pelo apostolado.
Temos de dar testemunho da nossa fé sendo profundamente piedosos. “Tudo por Amor. Assim não há coisas pequenas:” (S. Josemaria, Caminho).
Os amores e os interesses humanos devem estar centrados neste amor. Não faz sentido ofender a Deus para manifestar amor a qualquer pessoa. Quando isto acontece, o amor que se manifesta não é verdadeiro amor.
O amor a Deus concretiza-se em fazer a Sua vontade; e isto nem sempre agrada aos nossos sentidos, por causa da desordem que o pecado original introduziu em nós.
Também o amor humano exige sacrifício heróico. Não se alimenta só de consolações.
«‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’»
O Senhor planejou que iniciássemos na terra a vida de comunhão com os nossos irmãos.
Amamos tudo o que Deus ama. De outro modo, não O amaríamos com sinceridade. Sabemos que o homem é o único ser criado que Deus ama em razão de si mesmo. (Concílio Vaticano I, Constituição Pastoral Gaudium et Spes).
Este amor concretiza-se em desejar o maior bem às pessoas, porque amar é querer bem.
Mas como não somos exclusivamente espirituais, devemos transparecer este amor com boas obras. Não se trata apenas de parecermos simpáticos, mas de vivermos em comunhão de alegrias e sofrimentos com as outras pessoas.
Por vezes, este amor mistura-se com a dor, porque exige de nós sacrifícios e pode, por sua vez, mortificar os outros. Quando o médico trata um doente, vê-se obrigado, por vezes, a molestá-lo. E as mães conhecem bem o quanto sofrem pelos seus filhos.
Quando se trata do amor ao próximo, é preciso levantar o olhar para o alto, como quem guia um veículo olhando sempre em frente. Às vezes, os pais entendem como amor o fazer todas as vontades dos filhos. Se um médico fizesse todas as vontades ao doente, e pusesse de lado os medicamentos que eles se recusam a tomar, abandonava-o à sua doença e à morte.
O bem supremo para todas as pessoas é a comunhão eterna com Deus. Nunca podemos esquecer esta orientação fundamental da nossa vida.
Amamos as pessoas quando lhes damos a conhecer Deus e as ensinamos a amá-lo, cumprindo a Sua Lei.
Por isso, a evangelização missionária está no coração da Igreja e dos cristãos e constitui o testamento de Jesus, momentos antes de subir ao Céu. (São Mateus 28, 19).
Evangelizar não é mais uma devoção entre muitas outras. É uma preocupação nuclear para a nossa vida de filhos de Deus.
O nosso amor a Deus não seria verdadeiro, sincero, enquanto não procurássemos que Ele seja conhecido e amado por todas as pessoas. Ele é um Pai magnânimo e quer que todas as pessoas se sentem à Sua mesa na felicidade eterna do Céu.
Como poderemos viver este mandamento do Senhor?
Rezando pelos que lançam no mundo a semente do Evangelho. Sem a oração, a boa semente não germina. Ao rezar pela causa missionária fazemos um ato de humildade, porque reconhecemos que a evangelização não é fruto de uma ciência humana, mas obra de Deus. Os que evangelizam não fazem mais do que oferecer ao Senhor os cinco pães e dois peixes, ou encher a talhas de água. A partir daí, o Senhor fará o milagre de encher as redes de bom peixe.

Muitas pessoas – podiam ser muitas mais – entregam a sua vida à difusão do Evangelho. Além destas que dedicam a vida inteira a este amor, podemos e devemos evangelizar o nosso meio. 

Uma ação muito digna e nobre é esta de rezar pelos mortos


 
 Numa das leituras deste dia, do livro dos Macabeus (Macabeus 12,43-45), fala-nos do costume das pessoas piedosas de Israel de rezar pelos mortos e louva a sua ação. É uma afirmação da fé na realidade desse lugar de purificação e da possibilidade de ajudarmos os que morreram na graça de Deus.
Apoiados na união de todos em Cristo, através do Seu Corpo Místico de que todos fazemos parte, podem passar as ajudas para os nossos irmãos que sofrem as penas do Purgatório.
«Em virtude da Comunhão dos santos – diz também o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, n. 211 – os fiéis ainda peregrinos na terra podem ajudar as almas do Purgatório oferecendo as suas orações de sufrágio, em particular o Sacrifício eucarístico, mas também esmolas, indulgências e obras de penitência».
Vivamos esta caridade para com todas as almas, em especial com as das nossas famílias.
O Concílio Ecumênico Vaticano II lembrou: «Reconhecendo claramente esta comunicação de todo o Corpo Místico de Cristo, a Igreja dos que ainda peregrinam, cultivou com muita piedade, desde os primeiros tempos do Cristianismo, a memória dos defuntos e, 'porque é coisa santa e salutar rezar pelos mortos, para que sejam absolvidos de seus pecados' (2 Mac.12, 46), por eles ofereceu também sufrágios» (Lumen Gentium 50).
Santo Agostinho conta no livro das Confissões que a mãe, Santa Monica, lhes pedia a ele e seu irmão para não fazerem grandes despesas com o seu funeral, levando o seu corpo para a sua terra, no norte de África, mas para a lembrarem junto do altar de Deus. È uma lição bem atual. Hoje gasta-se muito dinheiro em flores nos funerais, que em nada podem ajudar os defuntos. Esquecem-se que poderiam sufragar os seus mortos mandando celebrar missas, dando esmolas e rezando mais por eles.
Ao rezar pelos que morreram avivamos a certeza de que havemos de ressuscitar, como lembra o texto de Macabeus. Avivamos também o desejo de nos encontrarmos com eles no céu.
Em relação à morte, temos de nos guiar pelos ensinamentos de Jesus e da Sua Igreja. São muito consoladoras as verdades da fé e, em concreto, as que se referem à vida eterna e à nossa comunhão em Cristo com os que morreram.
Podemos ajudá-los e também recorrer à sua intercessão. Podem pedir por nós, porque são almas santas amigas de Deus. Não podem ver-nos como os santos do céu, mas podem conhecer os nossos pedidos. Esta devoção às almas do Purgatório, enraizada em muitos cristãos, é uma forma muito bonita de viver a comunhão dos santos, a entre ajuda entre todos membros do Corpo Místico de Cristo.
Podemos lembrar também que o Purgatório não é apenas lugar de sofrimento. As almas sofrem antes de mais a privação da visão de Deus. Sofrem também o fogo purificador. É através do sofrimento que se purificam.
Mas gozam também duma alegria muito grande: saberem-se amadas por Deus e terem já a certeza de ir para o céu.
Pedimos à Virgem Santíssima, Nossa Senhora da Boa Morte, que nos ajude a passar já na terra o nosso purgatório, aproveitando os nossos sofrimentos e as nossas boas obras. E a vivermos melhor a fé nas verdades que hoje recordamos e a caridade para com os nossos irmãos que partiram.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Minha opinião sobre o atual Sínodo?




Apesar do temor e tremor que esta confusão toda faz surgir em minha alma, penso que seja bom tudo isto. Explico...
1. Um Sínodo tem sempre uma natureza consultiva, ou seja, não tem um poder de decisão sobre os assuntos e questões tratados. Serve "para favorecer uma estreita união entre o Romano Pontífice e os bispos, e auxiliar com seu conselho o Romano Pontífice" (Gianfranco Guirlanda). É sempre representativo do episcopado, um sinal do chamado "afeto colegial".
2. As finalidades principais de um Sínodo, segundo o cânon 342 do Código de Direito Canônico, são duas:
a. Favorecer uma estreita união entre o Romano Pontífice e os bispos, através de uma solicitude dos mesmos para com o Ministério do Papa, na fé, na caridade e na solicitude pastoral.
b. Auxiliar com o seu CONSELHO (!!!) o Romano Pontífice no exercício do Ministério Petrino, na preservação da fé e dos costumes, na observância e consolidação da disciplina eclesiástica, e ainda para estudar questões que se referem à ação da Igreja no mundo.
Portanto, o Sínodo não tem nenhum poder de decidir absolutamente nada... Não tem o poder de modificar a doutrina da Igreja, sua disciplina, seus costumes, sua ação pastoral. É um órgão consultivo. Importante, porque leva ao Santo Padre visões, pensamentos, opiniões, discussões, etc... Mas não tem nenhum poder decisório em relação à fé, à moral, aos costumes, etc.
3. A meu ver, o Santo Padre está agindo com sabedoria neste Sínodo. Há anos que todos nós, católicos, estamos escutando estas questões, estas intermináveis discussões, sobre a comunhão dos divorciados, sobre se se deve ou não abençoar as segundas uniões, sobre o "casamento" entre homossexuais, etc. Em muitos lugares, por iniciativa própria, há quem já tenha decidido dar a comunhão a casais nestas condições, há quem já abençoou estas uniões, etc., criando uma enorme confusão na Igreja e no mundo. A meu ver, o Santo Padre age com sabedoria, deixando que se fale sobre estas questões, que se apresente estas situações, a profunda divisão que já existe no seio da Igreja em relação a isto. Não é o Sínodo quem está criando a confusão: ela já existe, e em muitas realidades, vive-se no espírito do "salve-se quem puder", cada um decidindo, por conta própria o que fazer, sem dar a mínima para o que a Igreja tradicionalmente ensina... É mentira isto?
3. O fato de que se exponham estas realidades, estas posturas e suas fundamentações, ainda que esdrúxulas, com liberdade, a meu ver não é um mal. É bom isto, no sentido de que cada um possa dizer o que pensa, com sinceridade. Não consigo ver isto como um mal. Que falem, que exponham sua visão. Até agora, por medo e por falta de sinceridade mesmo (covardia...), estes assuntos eram tratados em surdina, em baixa voz. Pior ainda, alguns mudavam a disciplina da Igreja por conta própria, e pronto: problema resolvido! A atitude do Santo Padre, de incentivar que se fale é altamente positiva. Porque não posso imaginar, e tenho rezado muito por isso, que na hora de assinar uma Exortação pós Sinodal, o Santo Padre coloque sua assinatura em algo que seja contrário à fé, à disciplina, à moral e aos costumes da Igreja. 
4. Penso que, no final de toda esta discussão, de todas estas polêmicas, depois que cada um disse o que bem entender, e que o Santo Padre, na Exortação pós Sinodal, recolhendo aquilo que poderá ser aceitável no sentido da misericórdia, do acolhimento, colocar a sua assinatura final confirmando a doutrina tradicional da Igreja sobre estes assuntos, ninguém mais poderá reclamar de não ter podido falar, de não ter podido expressar sua opinião. Coerentemente, terão que assumir aquilo que Pedro disser e confirmar.
Esta é minha visão, fundamentada na fé de que, segundo as palavras do papa Emérito, Bento XVI, Cristo não abandona a sua Igreja!.
Penso que o momento presente, para nós que não estamos "dentro" do Sínodo seja o da oração. Pedindo a Deus que cada um dos sinodais diga o que pensa e o que os outros querem que seja dito. Pedir pelo Santo Padre, para que iluminado pelo Espírito Santo conduza a Igreja pelos caminhos da autêntica e verdadeira fé, pela qual, durante a história da Igreja, tantos e tantas, incluindo Papas, deram sua vida. 
Agora é o tempo da oração pela Igreja, pelo Papa e pelo Sínodo.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A soberania de Deus


 

 A Palavra de Deus fala-nos hoje, neste 29º Domingo do Tempo Comum A, da soberania de Deus: a 1ª leitura e o Evangelho falam-nos da soberania de Deus na condução da história do mundo; a 2ª leitura, da soberania de Deus na vida espiritual e na ação pastoral da Igreja.
A primeira leitura, tirada do livro do Profeta Isaías (Isaías 45,1.4-6)  dá-nos um exemplo dessa soberania na libertação do Povo de Deus do cativeiro da Babilônia. Humanamente falando, esse cativeiro terminou porque um rei estrangeiro conquistou a Babilônia e deu a liberdade aos prisioneiros. O profeta Isaías ensina que esse rei, Ciro, foi o instrumento de que Deus quis servir-se para realizar os seus planos. Sem haver conhecido o verdadeiro Deus, Ciro entra no plano de Deus ao libertar do cativeiro da Babilônia o Povo de Israel. Por isso, o profeta lhe chama de «Ungido do Senhor». «Deus é, em tudo e sempre, o Senhor».
A Providência de Deus está dentro e acima das ações dos homens. A ação constante da Providência não se capta na hora da sua execução, é algo em que se acredita, e só mais tarde, ao olhar os acontecimento do fim para o princípio, é que se descobre que andou ali a mão de Deus. «Ele é, em tudo e sempre, o Senhor».
 O texto do Evangelho, tirado de São Mateus (Mateus 22,1521), relata outra faceta dessa soberania absoluta de Deus. Dois partidos opostos (fariseus e herodianos) tentam comprometer Jesus na relação entre a fé e a política, apresentando-as como atitudes antagônicas. Jesus explica que uma não exclui a outra: Deus é o Senhor de tudo e só a Ele adoramos, mas não se alheia da atividade cívica e política, e o cristão deve ver aí um meio de ajudar a construir um mundo mais justo. Não afasta Deus do seu coração quando dá o seu voto e o contributo dos impostos justos. Faz tudo isso com os olhos em Deus, único juiz e Senhor da história. Mantém, porém um espírito lúcido e autônomo acerca dos atos governativos e, quando sentir que eles se afastam da lei de Deus e da justiça social, aquela fidelidade a Deus levá-lo-á a declarar a sua oposição a tais atos. César nunca é divino, nunca é absoluto, é somente César, alguém que exerce uma atividade humana, e os seus atos estão também sujeitos a Deus. Ao destruir a divinização da política, o cristão fez cair um dos mais poderosos ídolos da antiguidade e tornou humana a atividade política.
 A segunda leitura (1ª Carta de São Paulo aos Tessalonicenses 1,1-5b) convida a fazer uma reflexão sobre a soberania de Deus na vida espiritual e na ação pastoral da Igreja.
Paulo lembra que tudo o que se passou com os tessalonicenses, desde a sua pregação inicial até ao seu desenvolvimento, é obra do Espírito Santo. Na verdade, nós somos «servos necessários» na pregação da Palavra e na administração, mas a adesão interior das pessoas e a eficácia espiritual é obra da graça.
A Igreja é a vinha querida por Deus, como lembramos há dias, mas o viticultor é Deus. Nesse aspecto, confessamos a soberania de Deus e reconhecemo-nos a nós como «servos inúteis». Também aqui, «só Deus é o Senhor, só Ele é santo».
É essa soberania que proclamamos no Hino de Louvor da Missa (Glória) e que iremos cantar no «Sanctus» e na doxologia conclusiva da Prece eucarística.  

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Nossa Senhora da Conceição Aparecida


 
 
No ano de 1717, em uma pequena localidade do interior do Estado de São Paulo, nas águas do Rio Paraíba, foi encontrada uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição, que tornou-se objeto de crescente devoção dos brasileiros.
Conhecida como a imagem de “Nossa Senhora Aparecida”, ao seu redor iniciou-se um movimento de peregrinações que hoje atinge proporções gigantescas. Anualmente, cerca de doze milhões de romeiros dirigem-se à cidade de Aparecida, manifestando uma profunda devoção dirigida à Mãe de Deus, sob este título agora mundialmente conhecido.
No Santuário Nacional podem ser encontrados milhares de testemunhos da proteção celestial desta Mãe querida, carinhosamente chamada de Padroeira e Rainha do Brasil.
Esta devoção, arraigada na alma do povo brasileiro, dirige-se a esta mulher, Maria, figura eminente do Evangelho. A Palavra de Deus apresenta esta mulher como aquela que ouviu exemplarmente esta Palavra e que, como serva do Senhor, fez de sua vida uma generosa obediência ao Plano de Salvação realizado por Jesus.
Maria é aquela que diz “sim” ao Senhor, a “cheia de graça” que nos dá Jesus. Com sua fidelidade tornou-se modelo original da humanidade e da Igreja, aquela que se abre a Deus e se deixa enriquecer por Ele. Maria constitui um modelo essencial para a realização de qualquer existência cristã.
As Leituras bíblicas desta Solenidade refletem esta compreensão que a Igreja tem do mistério de Maria, inserido no Mistério de Cristo.
A primeira Leitura desta Solenidade é tirada do Livro de Ester (5,1b-2; 7,2b-3). O texto nos apresenta o desfecho de um episódio da história do povo hebreu, que estando exilado e cativo na Pérsia, viveu um grave risco de ser exterminado. Ester, sendo judia, sabendo da trama preparada por Aman, primeiro ministro que odiava os judeus, intercede a favor de seu povo e alcança as boas graças do rei. Ester é figura de Maria, enquanto intercessora pela salvação de seu povo.
A segunda Leitura é tirada do livro do Apocalipse de São João (12,1.5.13ª.15-16ª) nos apresenta a mulher adornada de todo esplendor (o sol, a lua, as doze estrelas). Esta mulher simboliza o novo Povo de Deus, a Igreja, o Corpo de Cristo. Esta mulher é vitima da perseguição do dragão infernal, Satanás, que pretende destruir o filho. Este menino dado à luz, sem dúvida, é o Cristo, o Messias de Deus. Este trecho do Apocalipse é, tradicionalmente aplicado à Santíssima Virgem. Já Santo Agostinho, como também São Bernardo, entre outros autores cristãos, viram na mulher do Apocalipse a representação de Maria, enquanto o mistério de sua existência se insere no Mistério de Cristo e de Sua Igreja.
No Evangelho da Missa de hoje, vamos ouvir o texto de São João (2,1-11) que nos fala das Bodas de Caná. Nossa Senhora, neste trecho, nos ensina uma lição magistral: “Fazei o que Ele vos disser”. Estas palavras de Nossa Senhora ressoam pelo mundo, até o final da história humana. Dela, aprendemos a obediência ativa a Jesus. Trata-se de “fazer”, que significa muito mais do que uma simples ação reflexa... É um “fazer” ativo, que exige antes de tudo a certeza de que Jesus tem o poder de modificar aquilo que representa a nossa incapacidade de corresponder com fidelidade ao Plano de Salvação de Deus. Neste sentido, Nossa Senhora nos dá uma indicação que tem repercussões de salvação. Fazer “o que Ele vos disser” significa abrir-se confiantemente ao Amor de Deus, amor este que Nossa Senhora experimentou sendo um instrumento eficaz de salvação, oferecendo-nos Jesus Cristo Nosso Senhor e Salvador.
Fazendo-se um de nós, Jesus Cristo não conheceu o pecado. Ele, santo e imaculado, para salvar-nos do pecado, quis que também sua Mãe fosse imune de culpa, um modelo de todos os que se salvam. Maria, unida ao Mistério de Cristo, vence definitivamente o mal do pecado. Agradeçamos e louvemos ao Pai por nos ter dado Maria, e alimentando-nos do Corpo do Senhor, sejamos como ela, vencedores do mal.
Peçamos a Nossa Senhora Aparecida que cuide da nossa Pátria e de todos os brasileiros.
 
 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Dignidade no Culto, onde está o eixo?







 
 

Escrevo, como se diz em italiano, "a braccio", sem Documentos específicos para justificar o que quero dizer... Se o Santo Padre arrisca-se, em seus discursos oficiais, em sair fora do texto e fazer isso, um pobre bispo do interior do RS terá maiores justificativas para o fazer.

Em uma recente postagem sobre a necessidade do respeito às Normas Litúrgicas vigentes e sobre o cuidado que devemos ter para com aquilo que se usa no culto litúrgico, li o comentário de um padre do Norte do Brasil, "das barrancas do Amazonas", dizendo que eu deveria ir trabalhar naquela região para entender melhor a situação, etc. e só depois falar. Segundo esta visão, então"os pobres" não tem direito a uma Liturgia celebrada segundo os parâmetros exigidos pela Igreja, pelo simples fato de que... são pobres. Bela e inteligente argumentação...: os ossos dos grande santos da Igreja, que viveram não só falando dos pobres, mas uma vida de autêntica pobreza, tais como São Francisco de Assis, o Cura d'Ars e tantos outros devem estar revolvendo-se em suas urnas mortuárias.

Primeiramente, a determinação de onde exerço meu Ministério Episcopal não depende de minha vontade própria. Vou onde a Santa Igreja me diz que eu deva ir. Se tivesse que exercer o Ministério em qualquer outro lugar, iria de bom grado, já que o melhor lugar para se estar e viver é onde Deus quer.

Em segundo lugar, o fato de que alguém viva nas barrancas do Amazonas, ou em uma favela de São Paulo, ou em um morro do Rio de Janeiro, ou em qualquer outro lugar ou situação, não lhe tira o direito de poder participar de uma Liturgia digna e bem celebrada. Como se a situação social, econômica, etc. de determinado lugar e Comunidade pudesse servir de desculpa para o relaxo, para a sujeira e para o descaso litúrgicos. A questão, na verdade, é bem outra. A meu ver, antes de tudo, é uma questão de fé: crer ou não crer no Mistério Eucarístico, tal como a Igreja sempre nos ensinou. A perda do sentido do sagrado reflete na verdade a falta de fé, a idéia de que ao homem deve-se dar tudo e a Deus não se deve dar nada. Melhor ainda, de que o eixo antropológico é muito mais importante do que o eixo teológico. Assim, cabe à Igreja preocupar-se com o homem tão somente pelo homem. Nesta visão, Deus está em segundo plano e não é mais referência para nada e para ninguém. Esta visão, infelizmente dominante em considerável parcela do clero, justifica todas as aberrações litúrgicas que hoje, como células cancerígenas, se espalham nas celebrações, pelo Brasil afora. O pior de tudo é que tal visão se faz sentida não só nos já tradicionais ambientes intra-eclesiais laicizados (sim, há um "tradicionalismo" fundado no chamado "espírito do Concílio Vaticano II", que ainda predomina em muitos ambientes eclesiais e que vive de um passado idealizado como "glorioso": o imediato pós Concílio e os anos subseqüentes, período durante o qual tudo era permitido, tolerado, até mesmo incentivado sob o prisma do tal "espírito do Concílio": experiências litúrgicas das mais aberrantes, magistério dogmático paralelo ao autêntico Magistério da Igreja e outros desvios).

Este princípio centrado exclusivamente no homem também se faz presente, no que se refere à Liturgia, em ambientes considerados alinhados a uma visão mais espiritualista da fé. Aí, tudo é permitido, desde que as pessoas gostem, desde que "faça bem" (qual é, em efeito, este bem procurado? O bem da salvação, da autêntica união com Deus, ou o “bem estar” fundado no pieguismo, em um devocionismo alienante?) àqueles que freqüentam estas celebrações, desde que tragam novamente as pessoas à Igreja, como se costuma dizer. Aí estaria a justificação de tudo: da mesma forma, a pessoa e seus gostos como critério do que é certo ou errado, do que se pode ou não se pode fazer com o Mistério de Deus. A partir deste princípio, agora nestes ambientes mais "espirituais", tudo se justifica. Portanto, todas as regras e Normas Litúrgicas estão submetidas às vontades não da Igreja, a quem cabe determiná-las e organizá-las, mas sim daquilo que, no momento, se tem como bom e necessário, segundo o critério subjetivo de alguém. Ou seja, deixa-se de lado o eixo teológico e cai-se no eixo antropológico, marcado pelo subjetivismo da decisão de quem decide derrubar um muro de tijolos de papelão com o ostensório nas mãos, depois de ter circulado entre as pessoas que a todo custo tocam no vidro do ostensório, que por sua vez é carregado por um sacerdote com capa pluvial, véu umeral, etc..: incongruências e mais incongruências.

A Liturgia é a obra com a qual Cristo, mediante sinais sensíveis, glorifica o Pai na unidade do Espírito e salva a humanidade, atuando como cabeça invisível da Igreja, por meio de seus ministros, para perpetuar a obra da redenção do mundo.

Nas celebrações litúrgicas, a Igreja oferece o culto público a Deus, de modo que toda a ação litúrgica é obra de Cristo sacerdote e de sua Igreja – ação sagrada por excelência -, cuja eficácia não se vê igualada por nenhuma outra ação da Igreja. A Liturgia, não se pode esquecer, é participação na oração de Cristo e fonte de vida que brota do Salvador. Isto e tão somente isto.

É preciso rezar muito pela Igreja de hoje.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

A Nova Vinha de Deus – a Igreja Católica


 

 
Deus escolheu o Povo de Israel como sua vinha predileta, libertou-o da escravidão do Egito, conduziu-o à terra prometida, cuidou dele com o mesmo carinho com que o vinhateiro cuida a sua vinha, defendeu-o dos inimigos que o cercavam, como nos diz a primeira Leitura deste Domingo, tirada do Profeta Isaías 5,1-7. Que mais poderia ter feito por este povo, para que desse frutos abundantes e saborosos de boas obras: de fidelidade à Aliança, de cumprimento fiel dos Mandamentos, de amor misericordioso? Porém, muitas vezes não foi assim. Israel deu frutos amargos, uvas más, obras perversas. Em lugar de frutos de justiça e de fidelidade, Israel abandonou o Senhor, desprezou o seu Deus, virou-se para os deuses dos povos pagãos que o rodeavam, caindo na idolatria. Revoltaram-se contra o dono da vinha, perseguiram e mataram muitos profetas e acabaram por matar o próprio Filho Unigênito, crucificando-O no Calvário.
A vinha do Senhor, por Israel ter abandonado o seu Deus, veio a ser vítima do seu próprio desregramento, até a queda de Jerusalém, a destruição do seu Templo e a dispersão dos judeus por todas as nações.

Porém, as promessas de Deus permanecem. O projeto salvífico do Senhor não mudou. A vinha do Senhor não acabou: foi dada a um outro povo que produza os seus frutos, ao novo Israel de Deus, à Igreja de Jesus Cristo. É o tema do Evangelho deste Domingo, tirado de São Mateus 21,33-43. Esta eleição tem como ponto de partida um ato de pura benevolência da parte de Deus, sem qualquer mérito da nossa parte. A nova Vinha, a Igreja, o povo cristão é o Corpo de Jesus Cristo. E porque Cristo é fiel, a Igreja também o será e dará fruto e fruto abundante. Ao longo dos séculos, o Povo de Deus tem trazido todas as nações aos pés de Jesus Cristo.
Porém, cada um de nós, como membros que somos desta Igreja Santa, como ramos desta Cepa que Jesus plantou, pode falhar e ser estéril e, o que é pior, pode ser infiel à sua vocação, ser cortado e ser lançado ao fogo. As próprias comunidades menores podem também desaparecer, se os seus membros não derem os frutos que Deus espera delas. Foi o drama das Igrejas da Ásia Menor de que fala o Apocalipse, de algumas comunidades cristãs do norte de África tão florescentes nos primeiros séculos do cristianismo, é o drama de países inteiros que caíram na indiferença religiosa e até na incredulidade depois de muitos anos de fidelidade e de boas colheitas.

Deus espera de nós frutos saborosos de boas obras. Mas só os daremos na medida da nossa união a Cristo: «Eu sou a Cepa, vós as varas. Aquele que permanece em Mim e em quem Eu permaneço é que dá muito fruto, porque, sem Mim, nada podeis fazer» (João 15,5). Esta vida íntima de união com Cristo na Igreja é alimentada pelos auxílios espirituais comuns a todos os fiéis, de modo especial, pela participação ativa na sagrada Liturgia e pela oração contínua.
Os nossos lares cristãos estão dando os frutos de filhos que Deus espera deles? Os esposos cristãos estão dando frutos de fidelidade que os faça cada vez mais felizes? As comunidades cristãs estão dando os frutos apostólicos que o mundo necessita? Nós cristãos estamos dando frutos de entrega aos nossos irmãos pobres e necessitados? Existem em nossa Diocese e em nossas Paróquias os frutos de generosidade e entrega neste mundo tão necessitado de mais vocações sacerdotais e religiosas?

Pesquisar este blog

Carregando...
Ocorreu um erro neste gadget