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terça-feira, 22 de julho de 2014

Um tesouro no céu


 

Corremos o risco de andar pela vida atrás de bolas de sabão. No evangelho deste XVII Domingo Comum A, Jesus fala do tesouro que todos podemos encontrar de verdade. Temos de vender tudo, pôr todas as coisas em segundo lugar por causa desse tesouro, que é a único pelo qual vale a pena viver e morrer.
Salomão pediu a Deus a sabedoria para governar bem o seu povo -ouvíamos na primeira leitura, tirada do livro 1º dos Reis, 3, 5; 7-12. E o Senhor fica contente com o seu pedido e dá não só a sabedoria mas também o que não Lhe pedira: a riqueza e o poder e uma vida longa.
Hoje o orgulho cegou muitos homens. Não têm a sabedoria verdadeira, que vem de Deus e fazem propaganda dos maiores disparates. Orgulham-se dos seus estudos e não passam de loucos. Porque a verdadeira sabedoria não se aprende nas escolas, mas no colo da mãe, nos bancos da catequese e na oração.
A verdadeira sabedoria anda ligada com a fé. Temos de pedi-la e cultivá-la na oração. Temos de alimentá-la com a escuta da Palavra de Deus na Santa Missa, no estudo pessoal e na leitura piedosa e nos meios de formação espiritual que Deus põe ao nosso alcance.
Temos de viver a nossa fé cumprindo fielmente os mandamentos na vida de cada dia.
Vamos sempre encontrar na Lei de Deus a nossa alegria. «A vossa lei faz as minhas delicias... Eu amo os vossos mandamentos mais que o ouro, o ouro mais fino» – dizia o salmista.
Aprofundemos a nossa fé, deixemo-nos guiar por ela sem condições e encontraremos a alegria verdadeira já neste mundo e saberemos comunicá-lo aos outros, porque este tesouro não é só para nós. E aumenta na medida em que se reparte.
São Paulo, na segunda Leitura deste domingo (Romanos, 8,28-30) dizia-nos que «Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam» (2ª leit.). Ser santo é ser feliz. Mesmo no meio das coisas desagradáveis da vida, que Deus permite para nosso bem. Tudo é para o bem se amamos a Deus. A única desgraça é o pecado, sobretudo o pecado mortal, porque nos afasta de Deus, fonte da alegria. Omnia in bonum – tudo é para bem – gostava de rezar como jaculatória São Josemaria, repetindo as palavras de São Paulo.
Deus escolheu-nos, chamou-nos à vida. E tem um projeto maravilhoso para cada um de nós. «Predestinou-nos para sermos à imagem do Seu Filho». Quer que sejamos santos e dá-nos as graças para isso, por meio de Jesus na Sua Igreja.
Ninguém pode desculpar-se que não pode ser santo. Essa é a meta de cada um dos cristãos, como lembrava São João Paulo II no começo do 3º milénio ao lançar um programa para toda a Igreja: «Colocar a programação pastoral sob o signo da santidade é uma opção carregada de consequências. Significa exprimir a convicção de que, se o Batismo é um verdadeiro ingresso na santidade de Deus, através da inserção em Cristo e da habitação do seu Espírito, seria um contrassenso contentar-se com uma vida medíocre, pautada por uma ética minimalista e uma religiosidade superficial... Como explicou o Concílio, este ideal de perfeição não deve ser objeto de equívoco vendo nele um caminho extraordinário, a ser percorrido apenas por algum ‘gênio’ da santidade. Os caminhos da santidade são variados e apropriados à vocação de cada um. Agradeço ao Senhor por me ter concedido, nestes anos, beatificar e canonizar muitos cristãos, entre os quais numerosos leigos que se santificaram nas condições ordinárias da vida. É hora de propor de novo a todos, com convicção, esta ‘medida alta’ da vida cristã ordinária: toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nesta direção. Mas é claro também que os percursos da santidade são pessoais e exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar ao ritmo dos indivíduos; deverá integrar as riquezas da proposta lançada a todos com as formas tradicionais de ajuda pessoal e de grupo e as formas mais recentes oferecidas pelas associações e movimentos reconhecidos pela Igreja».
Ser santo é parecer-se com Jesus Cristo, sermos conformes à Sua imagem. E isso realiza-se pela graça de Deus, que recebemos no batismo e nos identifica com Ele. À medida que vamos crescendo na graça vamo-nos parecendo cada vez mais com Jesus.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

A comunhão e a corresponsabilidade dos presbíteros na Igreja


A comunhão e a corresponsabilidade dos presbíteros na Igreja

 

Um dos elementos focalizados pelo Concílio Vaticano II foi, a partir do capítulo I da Lumen Gentium, em que se trata do mistério da Igreja, a acentuação de que ela é um povo reunido a partir da unidade, da comunhão do Pai e do Filho e do Espírito Santo. 
A fonte mais profunda de origem da Igreja encontra-se na Santíssima Trindade. A Igreja é, no mundo, o reflexo e a vivência do ministério trinitário, é a comunhão existente entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que deve caracterizar toda a comunhão eclesial. O Pai doa-se inteiramente ao Filho, de sorte que o Pai esteja todo no Filho e o Filho todo no Pai; o Pai e o Filho fazem proceder de Si o Espírito Santo, de sorte que o Pai e o Filho estejam totalmente no Espírito Santo e o Espírito Santo, todo no Pai e no Filho. Esse estar “todo” de uma pessoa divina na outra, que acontece pela comunicação do Pai para o Filho, denomina-se geração. É a geração eterna do Verbo! A comunicação do Pai e do Filho no Espírito Santo recebeu, em 1438, no Concílio de Florença, o nome de expiração.

Todo esse processo indica a comunhão mais íntima que se possa imaginar das três pessoas divinas. Essa comunhão é o modelo de qualquer comunhão. 
A comunhão é mais do que democracia, é fraternidade. Comunhão é diálogo, corresponsabilidade, participação, solidariedade. Não é imposição do parecer da maioria à minoria, mas é a simbiose harmônica de todos os pareceres.

São todos valores que se encontram no mistério trinitário e devem ser refletidos no mundo criado.
Comunhão implica sempre uma dupla dimensão: vertical (comunhão com Deus) e horizontal (comunhão com a humanidade). Essa comunhão com o Pai por Cristo no Espírito Santo se exprime visivelmente no perseverar unânime na doutrina dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações, e na obediência aos legítimos pastores (uma só fé, um só batismo, um só Senhor).

 É assim que Cristo exercita na história a Sua função profética, sacerdotal e régia para a salvação da humanidade.
A raiz e o centro da comunhão eclesial é a Sagrada Eucaristia. Fala-se em comungar. Entende-se, normalmente, a comunhão eucarística. Por isso, não pode comungar Jesus na comunhão quem não comunga com o Pai no cumprimento da sua vontade. Quem não vive em ordem com o plano salvador divino, não pode participar da salvação encerrada na Santíssima Eucaristia. A Eucaristia edifica o Corpo de Cristo, que é a Igreja. É o que diz o apóstolo Paulo: “Já que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão”.

  Aquilo que vedes sobre o altar de Deus [...] é o pão e o cálice: isto vos asseguram os vossos próprios olhos. Ao invés, segundo a fé que se deve formar em vós, o pão é o corpo de Cristo, o cálice é o sangue de Cristo. [...] Se quereis compreender [o mistério] do corpo de Cristo, escutai o apóstolo que disse aos fiéis: ‘vós sois o corpo de Cristo e seus membros’ [1Cor 12,27]. Se vós portanto sois o corpo e os membros de Cristo, sobre a mesa do Senhor está posto o mistério que sois vós: recebei o mistério que sois vós. Àquilo que sois, respondei: ‘Amém’, e respondendo o subscreveis. Diz-se a ti de fato: ‘O Corpo de Cristo’, e tu respondes: ‘Amém’. Sê membro do corpo de Cristo, a fim de que seja autêntico o teu Amém (Agostinho, 2003).”

 Outra força unificadora da Igreja é o bispo, alguém investido da plenitude do sacramento da Ordem. É a partir dessa plenitude que se tece visivelmente a comunhão eclesial. Essa plenitude do bispo supõe a comunhão com os demais bispos, revestidos também da plenitude sacramental, e, consequentemente, com o bispo de Roma, o Romano Pontífice, o santo padre. É a grande comunhão católica, dentro de cuja comunhão todos os cristãos do mundo inteiro se devem encontrar. A plenitude do bispo se exerce, pois, na plenitude da comunhão dos demais bispos e do Romano Pontífice. Vê-se também, por isso, que a comunhão eclesial é a espinha dorsal e todo o ser e agir da Igreja. Assim, pode-se também afirmar que, onde houver um bispo em comunhão, haverá a Igreja-Comunhão.
Esse aspecto da comunhão está na base da colegialidade episcopal. É a grande comunhão dos bispos entre si e com o papa e do papa com os bispos.

O destino de ser colaborador do episcopado é compartilhado por todos os presbíteros e os liga afetiva e ministerialmente numa profunda visão do mistério da Igreja, que é simultaneamente universal e particular. A pertença e a dedicação do presbítero a uma Igreja particular constituem elementos que qualificam para a edificação da Igreja “na pessoa” de Cristo Cabeça e Pastor e não limitam a sua missão, que é universal.
 O sentido de “pertença eclesial” surge do fato de que o viver do presbítero pertence à Igreja e esta a Cristo (a Igreja não pertence ao presbítero, não é propriedade sua). Por isso, no seu modo de pensar e operar – na qualidade de “homem de Igreja” – o presbítero deve viver em estreita comunhão com o Romano Pontífice, princípio e fundamento perpétuo e visível da unidade da fé e da comunhão (Concílio Vaticano II, 2007a, n. 18), com o seu bispo, em sintonia com os outros presbíteros e com os fiéis leigos (João Paulo II, 1991, p. 813). É importante sublinhar que a “comunhão eclesial” não se realiza plenamente no manter as relações somente com a Igreja particular, exige também a relação com a Igreja universal.

O presbítero não pode agir ignorando que a Igreja, edificada por Cristo, qual dom oferecido à humanidade, é universal. A Igreja particular, fora dela, não tem razão de ser, uma vez que esta é Igreja na medida em que nela torna-se presente e operante “a única Igreja de Cristo”.
 Desse modo, o sentido de pertença eclesial implica não somente uma relação com a Igreja universal, mas exige também a manutenção da relação com a Igreja particular, onde os presbíteros, de modo especial, formam um único presbitério, cujo serviço é executado sob a tutela do próprio bispo.

 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O joio e o trigo...

 
Habitualmente a proclamação do Evangelho dá o tom à liturgia da Palavra. A mensagem vem através de parábolas como é o caso do Evangelho deste Domingo, tirado de São Mateus, 13,24-43, a parábola do trigo e do joio. Ao ouvi -las e meditá-las, precisamos de não nos perdermos em interpretações fantasiosas, mas com a simplicidade do coração, devemos ir diretamente ao cerne das questões. Hoje somos convidados a meditar na parábola do grão de trigo e do joio. Esta nos aparece mais desenvolvida do que as outras e até enriquecida com o comentário que Jesus faz.
O trigo com o joio, os bons com os maus, os justos com os pecadores. Segundo o plano de Deus é nesta perspectiva que se deve desenrolar a nossa vida. Assim o Senhor respeita a liberdade humana, e torna possível as nossas opções. Dá tempo a que o pecador se arrependa e converta. Diante da nossa impaciência, que às vezes é mal intencionada e até vingativa, ou sinal de fraqueza ou medo, a paciência de Deus manifesta a sua grandeza e poder.
Esta parábola leva-nos por um lado a compreender a nossa própria fragilidade, e por outro lado deve ensina-nos a ser tolerantes com as fraquezas e desequilíbrios dos outros.
Uns e outros, até ao momento da ceifa, podem converter-se de pecadores em justos.
A primeira leitura, tirada do Livro da Sabedoria (12,13; 13,16-19), apresenta-nos uma reflexão do Sábio sobre a atitude de Deus em relação às suas criaturas. Apesar de ser o Senhor poderoso, Ele procede pela via da paciência: julga com brandura, governa com indulgência e sabe esperar os que prevaricaram. Esta perícope ajuda-nos a cair na conta de que, o Deus do Antigo Testamento, é mesmo do da Nova Aliança. As características fundamentais com que Se manifesta aos homens são sempre as mesmas. Antes de ensinar o justo a ser amigo dos homens, Deus pratica essa amizade no seu modo de proceder. Da dinâmica da Ressurreição nada nem ninguém fica votado ao anonimato, à surdez ou à paralisia. O nome de cada homem e de cada mulher ficou eternamente gravado no coração aberto de Cristo Salvador. É o início de uma nova era, de uma nova criação, de homens e mulheres que espalham no mundo o perfume da alegria, o qual perfuma.
O pequeno pretexto da carta aos Romanos, (8,26-27) que lemos na segunda leitura, continua a acentuar o papel do Espírito Santo na nossa vida, hoje concretamente no que diz respeito à oração. Lamentamo-nos que não sabemos rezar ou dizemos que, pela nossa fraqueza, não somos capazes de nos elevar até Deus. S. Paulo diz-nos que o Espírito Santo está junto de nós para nos orientar na oração e que Ele mesmo intercede por nós junto do Pai.
Confiado na presença e atuação do Espírito Santo devemos abrir-nos à sua ação e corresponder-lhe. Isto é, precisamos estar atentos, ser dóceis e quer corresponder ao seu amor.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Acolher a Palavra de Deus


 

A Palavra de Deus é Alguém, é uma Pessoa, é o mesmo Deus, o Verbo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Vivendo entre nós pelo mistério da Encarnação, escondida no silêncio da vida oculta, a Palavra de Deus, qual boa semente, germinou para se tornar luz dos homens, os esclarecer e sustentar no caminho da vida presente. Jesus Cristo é a Palavra de Deus!
Após o regresso do Verbo de Deus ao Pai, onde se encontra esta Palavra de Deus de que temos tanta necessidade?
Todas as ações divinas são portadoras desta Palavra de Deus. Lida na fé que vê os acontecimentos como sinais da presença de Deus atuando junto do seu povo e lida na Igreja, depositária da interpretação autêntica destes sinais, a Bíblia torna-se o lugar por excelência de encontro com a Palavra de Deus.
Sabemos que a mensagem bíblica se encontra formulada numa visão do universo que já não é a do mundo de hoje, do nosso mundo científico e técnico. Daí a necessidade de apresentar, defender e explicar as verdades da fé por meio de conceitos e termos mais compreensivos.
A Igreja proclama a Palavra de Deus para a contemplar, para a aprofundar e nos ajudar a dar uma resposta positiva a esta Palavra. «Quando vos reunis em Meu nome, Eu estou no meio de vós» (Mateus 18,20). Na celebração eucarística a Palavra de Deus nos é comunicada de diversas maneiras. Nos salmos que cantamos, nas leituras tomadas dos profetas, dos apóstolos e de outros escritores sagrados e finalmente por meio do mesmo Jesus que nos instrui com o seu Evangelho.
Quando Deus fala devemos escutar o que nos diz e aceitar o quanto nos propõe. Muito mal iríamos se não tratássemos de endireitar os maus caminhos antes percorridos. Jesus compara tais pessoas com um campo rochoso onde a semente não chega a lançar raízes.
Recitando o Credo após a homilia aceitamos a Palavra de Deus. A nossa vida dará testemunho da verdade desta aceitação.
Quer se trate da nossa vida pessoal, quer do que se passa no mundo, tudo se encontra relacionado com a Palavra da Revelação. Fazendo parte da história sagrada que continua, tais acontecimentos são portadores da Palavra. É preciso porém saber lê-los: investigar a todo o momento os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho. Daí a importância da revisão de vida que outra coisa não é senão uma leitura bíblica dos acontecimentos do nosso dia a dia.
A semente que nos fala o Evangelho deste Domingo (Mateus 13,1-23) deve ser lançada à terra a mãos cheias. O lavrador o faz confiadamente, mesmo sabendo de antemão que nem toda produzirá 100% mas apenas 60% ou 30%, na linguagem da parábola.
Precisamos de nos deixar evangelizar para evangelizarmos. A evangelização passa sempre pelo anúncio, pela celebração e pelo testemunho. Evangelizar o mundo – da família, do ensino, do trabalho, dos lazeres, da comunicação social, das leis, da ciência e da técnica, para poder ver estas realidades com outros olhos, os olhos da fé, na perspectiva dos valores cristãos.
É preciso evangelizar e, mais ainda, motivar as pessoas. Dar-lhes ideias claras sobre Deus, a vida, a graça, a religião, a liberdade, o casamento. E depois dar-lhes razões positivas das obrigações e das proibições que decorrem da aceitação das verdades da fé.
É preciso evangelizar. Sem desânimo. É longo o processo de conversão dos homens, distantes os seus resultados, mas também aqui, uns semeiam e outros colhem, Deus é que dá o incremento.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Caminhos de humildade


«Exulta de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo, filha de Jerusalém. Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta
O Senhor não procura aparatos de grandeza humana para vir salvar-nos. Anuncia a Sua chegada montado numa jumenta. É um modo figurado de nos convidar à humildade de atitudes.
Procura instrumentos humildes para realizar as Suas maravilhas no mundo, e não as pessoas importantes: escolhe como seus apóstolos a doze homens humildes, muitos deles pescadores.
«Destruirá os carros de combate de Efraim e os cavalos de guerra de Jerusalém; e será quebrado o arco de guerra
Jesus conquistou o mundo, no mistério da Encarnação, pela humildade. Quis ser apenas uma criança como qualquer outra que, concebida virginalmente pela força do Espírito Santo, espera serenamente nove meses pelo nascimento; é uma criança aos olhos de todos vulgar a quem é preciso prestar todos os cuidados e prestar todas as ajudas (para aprender a andar, a falar, a comer e a cuidar de si); aprende uma profissão como qualquer adolescente e exerce-a com esforço humano.
Na vida pública cansa-Se, sofre com o frio e o calor, alegra-Se e chora, comove-Se e doem-Lhe as mentiras e as injustiças. Não usa um escudo protetor de privilegiado.
E, no entanto, a Sua força é irresistível. Quem permanece unido a Ele, pela doutrina e pela vida, será invencível também.
«Anunciará a paz às nações: o seu domínio irá de um mar ao outro mar e do Rio até aos confins da terra
Quando os governos pensam em conquistar a paz, imaginam logo que o vão fazer pela força e, muitas vezes, esta mesma força é colocada a serviço da injustiça. A verdadeira paz é conquistada unicamente pela fidelidade ao Senhor.
O sonho dos grandes conquistadores foi precisamente reduzir o mundo ao silêncio pela força brutal das armas.
Hoje também falta a paz ao mundo. Não há justiça em muitas situações; há guerra contra a família, contra a vida e contra a natalidade; não há segurança, porque as agressões, os assaltos são contínuos e as violações dos mais elementares direitos são constantes; e as pessoas desconfiam umas das outras.
Tudo isto acontece porque, desde há anos para cá tem havido a preocupação de arrancar Deus e a graça santificante do coração das pessoas.
Jesus, é o Mestre da humildade. «“Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos
É importante que cada um de nós pergunte a si mesmo o que é que procura na vida: a glória de Deus ou a própria glória, o conforto e o gozo, ou a fidelidade a todos os Mandamentos?
Quando o Senhor nos fala assim não quer dizer que condena a sabedoria e a inteligência. Devemos estudar e progredir nos conhecimentos o mais possível.
O erro está em fazer da sabedoria um meio de glorificação pessoal, de colocar-se acima dos outros, de se afirmar e vangloriar. Os verdadeiros sábios são humildes e compreendem isto.
Muitas vezes, as crianças dão-nos respostas cheias de sabedoria que um adulto não seria capaz de dar.
«Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar
«Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei
O que é que nos oprime verdadeiramente?
Muitas vezes perdemos a paz e a alegria e andamos oprimidos, porque nos preocupamos demasiado com a nossa imagem, com o que dizem ou pensam de nós.
Centremos a nossa vida na preocupação de fazer a vontade de Deus e recuperaremos a paz. A prova está em que quando cometemos uma falta, mesmo grande, se ninguém viu, ficamos tranquilos; mas mesmo quando a falta é insignificante, se alguém a viu, ficamos tristes e procuramos dar uma desculpa ou atirar as culpas para cima dos ombros dos outros.
Como podemos entregar a Deus o que nos preocupa? Procurando fazer a Sua vontade, vivendo com reta intenção e confiando n’Ele e conversando com Ele na oração.
A Eucaristia é uma escola de humildade. O Senhor do Céu e da terra apaga-se completamente, aparecendo-nos como um insignificante pedaço de pão. Talvez por isso O tratamos com tão pouco respeito.

Aprendamos com Maria a entregar ao Senhor a nossa vida e a confiar n’Ele, mesmo nos momentos mais difíceis.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

O Senhor confia em pecadores como nós



 

Celebramos a solenidade dos dois santos fundadores da Igreja, S. Pedro e S. Paulo, dois santos que antes de o serem foram dois grandes pecadores, como muitos de nós.
Pedro e Paulo, os dois pilares da Igreja, como costumamos dizer; dois fundadores, mas sem que a iniciativa tenha sido sua, pois ambos foram chamados. A massa de que eram feitos era a mesma – eram pessoas humanas; as origens, bem diferentes, um do grupo dos doze, conterrâneo, judeu, o outro, um perseguidor de Cristo em terras longínquas. A Cristo, o pecado, a diferença de temperamentos e de origens, não importa. É sobre esta dupla, que à luz dos nossos critérios dificilmente aconteceria, que a Igreja começa a se construir.

Desde o princípio, a Igreja é esta comunidade aberta à diferença, onde todos são chamados e têm lugar; ou seja, há diferentes maneiras de ser cristão, são muitos os caminhos e as possibilidades de seguir Cristo e O levar aos homens e mulheres do nosso tempo. A Igreja é querida por Cristo como sacramento de salvação, e a sua missão é bem maior do que os seus membros, pois é através de homens e mulheres fracos que a Igreja anuncia Cristo vencedor do mal e da morte. O Senhor confia-Se, não a puros e perfeitos, mas a pecadores como nós.
Uma alegria e um dom que se tornam também uma grande missão porque nos torna¸ ainda que pecadores, corresponsáveis na missão da igreja e da construção do reino de Deus entre nós.

Nesta celebração, urge uma pergunta que exige uma resposta comprometedora: «E vós, quem dizeis que eu sou?», pergunta Jesus a Pedro. E eu? E você? Quem é Jesus Cristo para mim… para você?
É uma pergunta incontornável. Pedro e Paulo não lhe resistiram, deixaram-se seduzir por Alguém mais forte que eles com quem conformaram toda a sua vida.

Face a face comigo mesmo, face a face com o Senhor que no silêncio do encontro ou na azáfama da vida me fala, no mais íntimo de mim, onde ninguém pode entrar, ouvir ou espreitar, onde eu não me posso trair – que resposta Lhe dou? Quem é Cristo para mim? Contar com Ele na minha vida, onde me leva?
A Pedro, que na docilidade ao Espírito respondeu, rendido ao Messias esperado, mas sempre inesperado, Cristo declarou «Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja….»

A identidade de Pedro é confirmada pela resposta dada. Sabendo quem é Cristo, toma consciência de quem é ele e para que serve a sua vida. Aí está o seu princípio, o seu fundamento, o sentido para o qual deve convergir a sua existência.
Hoje, se à luz do dia, das nossas relações, sob os ruídos da vida, um amigo, um colega, um vizinho, um desconhecido me perguntar «Quem é Cristo para você, que lugar você Lhe dá na sua vida?»

Da resposta encontrada e do que a nossa vida falar, virá a resposta para os outros. Do que realmente for a presença de Cristo em nossas vidas, dependerá continuarmos a ser, nós, pecadores, no século XXI, fundadores como Pedro e Paulo, construtores da Igreja onde não há uma só forma de ser, de estar, de celebrar, de rezar, mas onde o que conta é sabermo-nos filhos do mesmo Pai, chamados pelo mesmo Senhor, convidados a anunciar uma Boa Notícia que não é invenção nem fruto de inspiração humana.
Que São Pedro e São Paulo, tão diferentes um do outro, mas ambos chamados e seduzidos pelo amor do mesmo Deus, nos ajudem a sermos capazes de incluir, de entrar e nos mantermos em diálogo com os que são e pensam diferente de nós.

 

 

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Confiança inabalável em Deus


 
 
 
Na 1ª Leitura deste Domingo, tirada do Livro do Profeta Jeremias (Jeremias 20,10-13), o profeta encontra-se dramaticamente só, por causa da sua fidelidade ao Senhor.
Tentara alertar o povo contra o perigo duma aliança com o Egito, perante a eminência da invasão de Nabucodonosor.
Ela servirá apenas para inflamar a ira do grande conquistador, precipitando a destruição de Jerusalém e o cativeiro da Babilônia; e colocará o Povo de Deus em grave risco de se deixar corromper pelo Egito, em virtude da intensificação das relações comerciais, militares e políticas, levando-o a trair a Aliança feita com Deus.
Os interesseiros da nova política – sempre atentos a tirar dividendos das situações, sem olhar a meios – perseguem-no sem tréguas, tentam matá-lo, e repetem-lhe, em tom de escárnio, as palavras proféticas: (Haverá) «terror por toda a parte.»
O profeta é lançado em um canal, com lama até ao pescoço, e foi salvo da morte certa pelo rei, que vivia também atemorizado com os conspiradores.
Aprendemos neste texto sagrado que a nossa confiança está em Deus. No meio de qualquer solidão humana, é preciso recorrer ao Senhor com toda a confiança.
A nossa fé concretiza-se na fidelidade ao Senhor, mesmo quando isso nos faz correr perigo, ou exige de nós a perda de prestígio, ou perigos materiais.
A atitude de Jeremias é também reprovação daqueles que se deixam arrastar pelo respeito humano; que escondem ou disfarçam a verdade, para não passarem um mau momento.
Deus nunca abandona os seus. Jeremias espera ver ainda o Senhor fazer brilhar a sua inocência aos olhos dos inimigos. De fato, em breve os acontecimentos lhe darão razão.
No entanto, conhecemos a história de muitos santos que partiram para a eternidade sem verem a sua fama restituída.
Não é triunfo pessoal em que estamos interessados, mas o da verdade, o de Deus. Que nos importam os louvores humanos, se nos aguarda uma eternidade feliz?
Também aqui podem ter aplicação as palavras de S. Paulo na segunda Leitura de hoje, (Romanos 5,12-15): «Onde abundou o pecado, superabundou a graça.»
Não temais! Foram estas as primeiras palavras de São João Paulo II, de saudosa memória, quando fez a primeira aparição na sacada da Basílica de S. Pedro.
A missão dos discípulos do Senhor de todos os tempos é proclamar abertamente a mensagem da salvação recebida.
Uma a uma, Jesus vai eliminando a razão da nossa timidez que nos leva a hesitar no caminho.
Os que atuam nas trevas têm muito medo à luz do dia. Também nós podemos ser vítimas desta tentação, tomando atitudes de covardia diante dos homens, para não passarmos por dificuldades.
Não vale a pena fazê-lo, porque tudo será posto à luz do dia, pelo menos no juízo final.
Nem ao menos devem assustar-nos as ameaças de morte. Eles não podem roubar-nos uma eternidade feliz. De resto, tanto faz partir mais cedo ou mais tarde para o Céu. «Não tenhais medo aos que matam o corpo, mas não podem matar a alma.», como nos ensina Jesus no Evangelho deste Domingo (Mateus 10,26-33).
A única coisa que nos deve meter medo é o pecado, a infidelidade à nossa aliança com Deus no Batismo.
 
 
 
 
 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Solenidade da Santíssima Trindade




Se alguém Me ama, guardará a minha Palavra, e meu Pai o amará, e viremos a ele e faremos nele a nossa morada (João 14,23)

«Bendito seja Deus Pai e o Filho Unigénito de Deus e o Espírito Santo, que usou para conosco de Sua misericórdia» (Antífona de entrada).
O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em Si mesmo. É, pois, a fonte de todos os demais mistérios da fé; é a luz que os ilumina. É o centro da Liturgia da Igreja, a substância do Novo Testamento. A maior obra do Filho foi dar-nos a conhecer o Pai. Com a revelação deste mistério, Deus quis incorporar-nos na sua vida íntima, fazendo-nos participantes da natureza divina: «Esta é a vida eterna: que Te conheçam a Ti, Pai, e Àquele que enviaste, Jesus Cristo», como nos diz Jesus no Evangelho de São João.
«Toda a história da salvação não é outra coisa senão a história do caminho e dos meios pelos quais o Deus único e verdadeiro, Pai, Filho e Espírito Santo, se revela, reconcilia consigo os homens, afastados pelo pecado, e se une com eles» (Catecismo da Igreja Católica, nº 234).
A devoção à Santíssima Trindade é a devoção das devoções. Traduz-se num empenho amoroso em identificar-nos com Cristo, contemplar a sua vida e viver como filhos de Deus.
«A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco» (2a Coríntios, 3,16-13), nos diz São Paulo, na segunda Leitura da Missa de hoje.
«A verdade revelada da Santíssima Trindade esteve, desde as origens, na raiz da fé viva da Igreja, principalmente no ato do Batismo. Encontra a sua expressão na regra de fé batismal, formulada na pregação, na catequese e na oração da Igreja. Estas formulações encontram-se já nos escritos apostólicos, com a saudação recolhida na liturgia eucarística.» (2 Coríntios 13, 13) (Catecismo da Igreja Católica, nº 249).
Toda a liturgia da Igreja é um louvor à Santíssima Trindade. Ela é a grande verdade que importa conhecer cada vez melhor e amar. A nossa piedade pessoal, alimentada com as orações tradicionais do Pai Nosso, da Ave Maria, do Glória ao Pai, e de outras orações vocais leva-nos a relacionar-nos com cada uma das Pessoas Divinas e com todas ao mesmo tempo.
«Deus amou tanto o mundo que lhe deu o Seu Filho Unigênito…para que o mundo fosse salvo por Ele» (Evangelho de hoje, João 3,16-18).
É admirável a solicitude das três Pessoas Divinas por cada um de nós:
«O Pai, para redimir o servo, não perdoou ao Filho; o Filho, por amor do Pai, entregou-se à morte gostosamente, para nos salvar; um e outro enviaram-nos o Espírito Santo que pede por nós com gemidos inenarráveis» (São Bernardo).
Aprendamos de um grande Santo da Igreja, que é São Josemaría Escrivá, a nos relacionarmos com a Santíssima Trindade. São dele os conselhos abaixo:
«Aprende a louvar o Pai e o Filho e o Espírito Santo. Aprende a ter uma devoção particular à Santíssima Trindade: creio em Deus Pai, creio em Deus Filho, creio em Deus Espírito Santo; espero em Deus Pai, espero em Deus Filho, espero em Deus Espírito Santo; amo a Deus Pai, amo a Deus Filho, amo a Deus Espírito Santo. Creio, espero e amo a Santíssima Trindade».

Voltemo-nos para Maria: Ela é a melhor mestra do amor de Deus. «Ela é Rainha, é Senhora, é Mãe, que tem a relação mais íntima com a Santíssima Trindade: Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, Esposa de Deus Espírito Santo. E ao mesmo tempo nossa Mãe».

terça-feira, 3 de junho de 2014

A descida do Espírito Santo




Celebramos hoje a festa do Pentecostes como dom do Ressuscitado, o envio do Espírito Santo prometido por Jesus aos seus discípulos.
Lucas e João, cada um à sua maneira, completam-se para tentarem fazer-nos compreender por meio de símbolos, como se deu essa efusão do Espírito sobre os Apóstolos.
Lucas, quando coloca a descida do Espírito Santo cinquenta dias após a Páscoa, como acontecera com o povo israelita na sua comemoração da saída do Egipto, quer ensinar-nos uma só coisa: indicar que o Espírito substituíra a antiga lei e passara a ser a nova lei para o cristão. Assim, para ser entendido pelos seus contemporâneos orientais serviu-se de imagens semelhantes para evocar a vinda do Espírito sobre os Apóstolos. Daí o apresentar a Sua descida acompanhada de trovões e relâmpagos de idêntico modo como fora apresentada por Deus a antiga lei a Moisés, no Monte Sinai.
Por seu lado, S. João manifesta a efusão do Espírito Santo no próprio dia de Páscoa, no primeiro encontro de Jesus com os seus Apóstolos, mediante o gesto de soprar sobre eles. Ora, o mistério pascal é único e constituído pela Morte, Ressurreição, Ascensão e dom do Espírito Santo e, decerto, aconteceram em simultâneo. Jesus deu o seu Espírito no mesmo instante em que entrou na glória do Pai, conforme nos narra S. João. São duas maneiras de apresentar a mesma realidade como fonte de unidade para o cristão.
Na realidade, na Igreja primitiva a efusão do Espírito era acompanhada pelos fiéis com manifestações de louvar e exaltação tais que os levava a pronunciar palavras estranhas noutras línguas. Por isso S. Lucas se referia ao dom das línguas por eles recebidas, mas como dom simbólico e sinal da universalidade da Igreja.
O Espírito destina-se a todos os povos e perante este dom não existem barreiras de língua, raça ou nação. Todo aquele que se deixa transformar pela palavra do Evangelho e pelo Espírito fala a língua do amor que transforma a humanidade numa mesma e única família, em que todos se entendem e se amam, distribuindo a cada um determinados dons que constituem a riqueza universal da Igreja de Cristo.
Por isso S. Paulo escreve aos cristãos de Corinto lembrando que os dons e qualidades que cada um possui foram concedidos não para criar divisões e discórdias, mas para favorecer a unidade com a multiplicidade desses dons. Eles devem ser colocados ao serviço de todos, adverte, porque a sua origem é obra do Espírito Santo.
Ao celebrarmos hoje a dádiva da vinda do Espírito Santo que recebemos no dia do nosso Batismo e confirmamos com a recepção da santa unção do Crisma, temos a obrigação de agradecer a Deus as qualidades com que fomos cumulados pelo mesmo Espírito e colocá-las ao serviço de todos de modo a criarmos condições para que o amor entre no coração de cada homem.
Não podemos conservar os dons recebidos para nós mesmos, mas temos obrigação de os comunicar a todos aqueles que fazem parte do nosso universo familiar, social e comunitário.

Será assim que tenho procedido? Que interpelação me faz hoje o Espírito à minha atuação como cristão?

terça-feira, 27 de maio de 2014

A Ascensão de Jesus, nosso caminho



 

Celebrando a Ascensão do Senhor aos céus, tomamos consciência de que também nós caminhamos para o Céu, mas o Senhor confia-nos um programa para realizar antes, na vida presente.
Para que possamos desempenhar-nos bem desta missão, temos necessidade de conhecer bem o que Deus quer de nós.
Jesus Cristo ensina-nos cuidadosamente, não só o que é preciso realizar, mas também como fazê-lo. A preparação de cada fiel para a ação apostólica é indispensável. Não basta a boa vontade dos que se disponibilizam para tomar parte na ação da Igreja.
Quando tanto se exalta a qualificação profissional, a preparação especializada para cada trabalho, como poderíamos esperar uma Igreja eficiente na sua atuação, se os fieis dão tudo por sabido e não se preparam para evangelizar? Deus não quer dispensar-nos daquilo que podemos fazer, como não substituiu o jovem na oferta dos pães e dos peixes, nem os serventes de Caná da Galileia no enchimento das talhas de água.
Os Apóstolos escutaram com a melhor atenção os ensinamentos de Jesus, quer ao longo da vida pública, quer neste momento das últimas recomendações.
Somos nós hoje os guardiões da fé na Ressurreição. «Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus.» (Atos 1,1-11).
A Ressurreição de Cristo é o fundamento da nossa esperança. «Pois se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, é também vã a nossa fé.» (I Coríntios 15, 13-14).
Precisamos estar preparados para aguentar com firmeza o choque com as outras mentalidades, a tentação de nos deixarmos nivelar e correr, como os outros e com eles, atrás de banalidades.
Como poderíamos ser, pela nossa esperança, um chamado permanente ao amor de Cristo para os nossos irmãos? Ele preveniu-nos no Cenáculo: «haveis de chorar e gemer, e o mundo há de se alegrar; haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza vai se converter em alegria. [...] Vós, pois, agora estais tristes, mas eu vos verei de novo, e o vosso coração se alegrará, e ninguém tirará a vossa alegria.» (João 16, 20. 22.)
Encaramos a Ascensão do Senhor com alegria, porque este acontecimento faz parte da Boa Nova. O Senhor coroou a Sua obra redentora com a subida gloriosa ao encontro do Pai. Nós iremos ao Seu encontro, terminada esta prova de amor na terra. Foi à nossa frente, para nos preparar um lugar, como ensinou no discurso da Última Ceia.
Vivamos em ação de graças, ao contemplar tudo quanto Ele fez por nós.
Após a Ascensão do Senhor, temos um programa para realizar.
Dois Anjos apresentaram-se como homens vestidos de branco, para libertar os Apóstolos de ilusões que ainda acalentavam. Esperavam, talvez, que Jesus voltasse dentro de momentos, revestido de glória, para inaugurar triunfalmente o Reino. Eles seriam felizes espectadores do grande acontecimento. Os Anjos recordam-lhes que chegou a hora de se entregarem à missão que Jesus lhes confiou.
É o tempo de Jesus atuar no mundo com o nosso rosto, de falar com o tom da nossa voz, de realizar milagres de Amor com a nossa generosidade.
Jesus tinha anunciado que seríamos testemunhas d’Ele em toda a terra, até ao fim do mundo. Testemunha é a tradução latina da palavra grega mártir. Muitas vezes, este testemunho de Cristo será selado com o sangue dos Seus amigos.
Quando nos anunciou que seríamos Suas testemunhas em todo o mundo, Jesus lançou-nos um desafio que ouvimos constantemente na boca dos homens: «Mostrai-nos com as vossas obras que Jesus Cristo vive e nos ama!»
Esta é hoje, a nossa Missão.

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