quarta-feira, 4 de março de 2015

Purificação do culto prestado a Deus



Tudo quanto Jesus encontra no átrio do Templo de Jerusalém destinava-se ao culto: câmbio de dinheiro para esmolas, animais para os sacrifícios, cereais e outros produtos para oferecer (azeite, perfumes, etc.).

Jesus chama a atenção de que isso não deve ser pretexto para transformar a Casa de Deus numa feira.

A O Evangelho deste domingo (João 2, 13-25) ensina-nos, entre outras coisas, a afastar tudo o que não é digno do templo de Deus, tudo o que o profana. «Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio”.»

Na casa de Deus – o nosso Templo – tudo deve respirar dignidade e amor, tanto mais que temos aqui os nossos Sacrários.

Alguns detalhes práticos podem ser recordados, neste domingo, em relação aos nossos templos.

– O silêncio. Na igreja devemos falar o indispensável e em voz baixa, também para não perturbar a oração e recolhimento das outras pessoas.

- Quando chegamos à igreja, se ela tem Sacrário, fazemos a genuflexão com respeito e saudamos, durante uns momentos, o Senhor que está ali.

– As celebrações litúrgicas devem ser dignas, desde os cânticos, às orações e cerimônias.

– As festas religiosas são, muitas vezes, uma mistura incrível de sagrado e profano e até com músicas e divertimentos que ofendem a Deus. É preciso cuidar muito deste aspecto nas festas das Comunidades.

Qual é o verdadeiro culto que Deus espera? Evidentemente, não são os ritos solenes e pomposos, mas vazios e estéreis. O culto que Deus aprecia é uma vida vivida na escuta das suas propostas e traduzida em gestos concretos de doação, de entrega, de serviço simples e humilde aos irmãos. Quando somos capazes de sair do nosso comodismo e da nossa autossuficiência para ir ao encontro dos que sofrem, do estrangeiro, do doente, estamos dando a resposta “litúrgica” adequada ao amor e à generosidade de Deus para conosco.

Jesus Cristo é o verdadeiro Templo de Deus. «”Destruí este templo e em três dias o levantarei.” [...] Jesus, porém, falava do templo do seu corpo.»

Ele é o Templo em que devemos entrar e nos recolher, para orar com toda a confiança. Os santos são intermediários, apenas mediadores. Acrescentamos os seus merecimentos para tornar mais rica a nossa oração. Eles não alcançam graças independentemente de Deus nem contra a vontade d’Ele.

Ao gesto profético de Jesus, os líderes judaicos respondem com incompreensão e arrogância. Consideram-se os donos da verdade e os únicos intérpretes autênticos da vontade divina. Instalados nas suas certezas e preconceitos, nem sequer admitem que a denúncia que Jesus faz esteja correta. A sua autossuficiência impede-os de ver para além dos seus projetos pessoais e de descobrir os projetos de Deus. Trata-se de uma atitude que, mais uma vez, nos questiona… Quando nos escondemos atrás de certezas absolutas e de atitudes intransigentes, podemos estar, na verdade, fechando o nosso coração aos desafios e à novidade de Deus.

Nós somos templos de Deus. “Não sabeis que sois templos de Deus e que o Espírito Santo habita em vós?” (I Cor 3, 16)»

Somos, desde o Batismo, Templos da Santíssima Trindade que habita em nós. Isto traz exigências à nossa vida:

– Modo de vestir. Há um modo próprio de vestir para estar presente nos atos do culto. Devemos ser capazes de distinguir a ida para da Igreja. Trata-se de bom senso e de respeito para com Deus.

– Atitudes. Não nos comportamos do mesmo modo no templo, num campo de futebol ou na rua.

Esta certeza da fé de que somos templos ajuda-nos a rever as nossas atitudes para conosco, mesmo quando estamos sós (pudor e modéstia). Quando tratamos do nosso arranjo pessoal podemos recordar que estamos cuidando de um templo.

Imitemos Nossa Senhora no trato com Jesus, quando tinha de cuidar d’Ele.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A fé de Abraão, modelo para a nossa fé


 

A primeira leitura que vamos ouvir neste Domingo II da Quaresma (Genesis 22,1-2.9a.10-13.15-18) é uma mensagem muito importante para todos nós. Nela é relatada a grande fé de Abraão na promessa que Deus lhe havia feito.

Naquele tempo (há mais de 3000 anos atrás) era muito comum nas religiões pagãs que as pessoas, de um modo geral as personagens mais importantes, imolassem os seus próprios filhos aos deuses que adoravam, acreditando que desse modo obteriam os seus favores nas situações mais difíceis da sua vida.

Deus, todavia, não lhe impõe tal sacrifício e nega a prática idólatra do sacrifício de Isaac. Ele é o Deus da vida, não da morte. A resposta de Deus à fé decidida de Abraão transmite-lhe coragem e ajuda-o a prosseguir a luta no caminho da fé, passando pela oferta quotidiana das contrariedades da sua vida.

A sua fé constitui para nós um exemplo no início desta Quaresma. Ela convida-nos a saber abandonar certos comportamentos incompatíveis com a prática cristã. Na realidade desejamos alegria, tranquilidade, conciliação interior, mas a vida traz-nos muitas vezes desilusões, sofrimentos, angústias, tristezas, momentos muito difíceis. Face às desgraças que se acumulam, perdemos a esperança e continuamos a acreditar que Deus continua presente na nossa vida?

Quem pretende seguir o caminho proposto por Deus também tem de ouvir e acreditar com toda a firmeza em Jesus, conforme Ele quis apontar aos discípulos que o acompanharam ao cimo do monte. Na realidade só pela via da cruz e do dom de si mesmo se consegue a renovação que a Páscoa de Cristo nos veio comunicar

Os discípulos escolhidos por Jesus, em determinada altura, começaram a acreditar que Ele era o Messias prometido. Todavia, pensavam erradamente que Ele seria um rei triunfante, cheio de glória, poder e riqueza; que transformaria a situação dos homens e estabeleceria prodigiosamente o reino de Deus sobre a terra.

Para compreendermos o que se passou na transfiguração, narrada no Evangelho deste Domingo (Marcos 9,2-10), teremos de saber entender os símbolos que a narração do Evangelho nos apresenta.

O fato de Jesus os ter levado a um lugar retirado é sinal de que lhes quer revelar, como seus discípulos, um conteúdo verdadeiramente importante. O relato prossegue referindo que o lugar era o alto de um monte. Na Bíblia o monte significa um momento de amizade com Deus. Assim aconteceu em todas as revelações feitas por Deus aos homens.

As vestes brancas, no mundo israelita, simbolizam o mundo de Deus e sinal de solenidade, de alegria e de felicidade.

Elias e Moisés são apresentados para confirmar que Jesus é o profeta por eles anunciado.

Ao pedir para fazer três tendas, Pedro refere-se ao significado alegórico da «festa das tendas» que se celebrava no fim do ano e durava uma semana. Nelas o povo armava tendas junto do templo para recordar o período que passara no deserto e ao mesmo tempo como anúncio de um reino futuro em que o Messias se divulgaria numa contínua «festa das tendas». Pedro não sabia o que dizia, como refere o evangelista, pois ainda não compreendera que para entrar no reino de Deus só é possível aceitando o sacrifício da vida.

O medo na Bíblia não significa receio, mas uma experiência admirável de assombro e de deslumbramento de quem entra em comunicação com o mundo divino.

A nuvem e a sombra indicam, no Antigo Testamento, a presença de Deus.

Ora, o grande significado da transfiguração é a revelação aos discípulos de que para estabelecer o reino de Deus é necessário passar, com grande coragem, pelos sacrifícios que a vida nos reserva.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Mensagem para a Quaresma


 

Caros irmãos e irmãs,

Estamos vivendo o tempo santo da Quaresma.

Este tempo nos ajuda a retornar ao Senhor desde a dispersão da nossa vida, para redescobrir a nossa realidade de homens e mulheres frágeis, necessitados de perdão e de misericórdia. Todos precisamos do Amor dos amores, que é Deus.

Na vida, sofremos tantos medos. Tantas vezes, estes medos tomam conta de nós, nos fazem sofrer, nos isolam dos demais e principalmente, nos afastam de Deus.

Neste tempo santo, o Senhor vem ao nosso encontro, fala conosco, convida-nos suavemente a voltar para Ele, com todo o nosso coração e com toda a nossa alma.

O Senhor nos reúne como povo, como comunidade: “Reuni o povo, organizai uma assembleia solene; chamai os velhos, reuni as crianças, os bebes que se alimentam de leite, saia o esposo de seu quarto e a esposa de seu tálamo”. O Senhor quer que neste tempo estejamos juntos, sejamos um povo, não indivíduos separados, sós, quem sabe até em contraste uns para com os outros.

Temos necessidade que o Senhor reconstitua o seu povo, temos necessidade de tornar a ser o seu povo, a sua família, temos necessidade que as nossas cidades e os nossos interiores sejam comunidade, não lugares de solidão, sem um centro e sem um coração.

Mas como ser um povo? Como tornar a ser comunidade de fé nos lugares onde vivemos, quando, tantas vezes, fugimos uns dos outros, nos fechamos em nós mesmos, estamos sempre com pressa, não nos escutamos e não nos falamos com paciência, não temos tempo porque somos prisioneiros de nós mesmos? O Senhor nos conhece, compreende nossas fragilidades e nossos medos.

Na quarta feira de Cinzas, a Igreja nos propõe o rito antigo das cinzas, que foram colocadas sobre a nossa cabeça, enquanto o sacerdote repetia: “Lembra-te que és pó e em pó te hás de tornar”. Sim, somos pó, homens e mulheres fracos, mesmo que alguém se esforce de mostrar-se forte aos demais. O Senhor também sabe que a vida é, tantas vezes, dura. Ela não nos permite de parar...  Por isso, neste tempo, Ele nos acolhe de novo: quer ajudar-nos, curar o nosso coração e a nossa alma, fazer-nos repousar nele.

Já desde o seu início, a Quaresma nos indica este caminho.

Há quem viva para ser admirado, considerado, querido, no bem e no mal. Na verdade, há quem até mesmo faz o mal, quem se impõe sobre os demais com a prepotência para ser admirado e considerado. Basta pensar, por exemplo, nos inúmeros escândalos públicos que estamos assistindo. Pessoas que se tornam “pessoas honradas”, poderosas, cercadas de dinheiro e de bens materiais, que são admiradas pelo poder que detém, tudo isto a custa de roubos, desonestidades, golpes que prejudicam a inteira população.

Mas isto também acontece na vida comum e de pessoas comuns. Homens e mulheres que vivem de exterioridades, que desejam sempre estar no centro das atenções. Ficam com raiva e se entristecem quando não conseguem ser o centro de tudo. Um mundo cheio de aparências e de exterioridades. Julga-se e se olha só a partir do exterior, do aspecto físico, da riqueza, da força, da capacidade de impor-se aos demais.

Este é um mundo e uma Comunidade sem misericórdia, porque quem olha os demais só pelo exterior os julga segundo aquilo que consegue ver, em geral, quase nada de verdade. Um mundo cheio de protagonismos, de gente que faria de tudo para ser e estar sempre no centro das atenções. E, infelizmente, isto pode acontecer também em nossas Comunidades cristãs. Por isso, Jesus vem em nosso meio e nos indica de como viver este tempo santo, falando-nos da conversão, da esmola, da oração e do jejum.

A esmola que é um gesto de absoluta gratuidade, daquele que não espera receber nada em troca. Voltar-se, nesta Quaresma para os mais pobres e abandonados, os mais sofredores. Neles está Jesus.

A oração intensificada, que abre e cura a alma. Abre-nos ao Senhor, ensina-nos a Sua palavra, os seus gestos de amor. Aproveitar este tempo santo para receber o perdão de Deus no sacramento da Reconciliação e da penitência, confessando os nossos pecados. Viver, neste tempo, a Via Sacra. Visitar muitas vezes a Jesus no sacrário...

O jejum liberta o corpo da moleza, da escravidão dos sentidos. Mas há também um jejum espiritual, o jejum de nós mesmos, do próprio eu. O jejum do julgar os outros, o jejum do fofocar, o jejum do destruir a fama alheia...

Irmãos e irmãs, o tempo da Quaresma nos oferece a oportunidade de reentrar em nós mesmos, de aprender a doar e a doar-se com gratuidade, vivendo a misericórdia. É o tempo de rezar mais, de jejuar. É o tempo das decisões santas, o tempo de deixar que Deus nos mude. Há uma segunda frase que pode ser dita, na imposição das cinzas: “Convertei-vos e crede no Evangelho”.

Aproveitemos este tempo santo da Quaresma. Façamos a nossa parte. Deus não nos faltará com sua Graça, com o seu amor.

Boa e santa Quaresma a todos.

 

+ Dom Antonio Carlos Rossi Keller
Bispo de Frederico Westphalen


Convertei-vos e crede no Evangelho


 

O Evangelho deste I Domingo da Quaresma (Marcos 1,12-15) refere-se o retiro de Jesus no deserto durante quarenta dias e quarenta noites para preparar a sua missão. Jesus apresenta-se como um novo Moisés: assim como Moisés esteve quarenta dias no monte Sinai em intimidade com Deus e, no final, recebeu de Deus a garantia de conduzir o Povo de Israel até á terra prometida (é isso que chamamos a «Aliança de Moisés»), de modo semelhante Jesus viveu um tempo de plena intimidade com o Pai antes de iniciar a sua pregação e, no Calvário, selou a «Nova Aliança» com a humanidade, Aliança Nova e Eterna. Convém fixarmos bem estas palavras que aparecem repetidas na consagração da Missa.

Na 1ª leitura, tirada do livro do Genesis, 9,8-15) aparece a figura de Noé que viveu o dilúvio de quarenta dias e quarenta noites, e, no final do dilúvio, Deus estabeleceu uma Aliança. Essa Aliança é a «aliança da natureza», a garantia de que os tempos e as estações do ano se alternam de um modo regular para a terra produzir os seus frutos. O símbolo dessa Aliança é o arco-íris. Ainda hoje se mantém essa «aliança da natureza», devendo a atividade política e as invenções técnicas não agredir doentiamente a natureza para garantir aos vindouros os recursos e o equilíbrio da terra.

Na 2ª leitura, S. Pedro (1 Pedro 3,18-22) compara o dilúvio ao batismo, pois assim como o dilúvio destruiu o que era mau e deu início a um mundo novo, assim o batismo lava o que há de mau em nós e dá início à vida nova de filhos de Deus. 

A partir destes exemplos, compreendemos melhor a Quaresma e o Batismo e a Páscoa.

A Quaresma é esse longo período de preparação da Páscoa, e como a Páscoa começa em nós no dia do Batismo, a Quaresma é o tempo de aqueles que fomos batizados em crianças tomarmos consciência do que é o Batismo. Sem esse esforço de educação da fé, corre-se o perigo de a ver definhar. Os padrinhos foram aceitos como testemunhas da fé e auxiliares dos pais na educação futura, e devem também tomar consciência disso.

O batismo não é uma cerimônia para dar um nome a uma criança nem para a inscrever nos livros da Igreja. Se fosse isso, poderia um dia «desbatizar-se» como se faz ao abandonar um clube desportivo. O Batismo é um «nascimento», um processo de ressurreição com Jesus ressuscitado, uma relação vital indelével.

Podemos dizer que, pelo batismo, entramos na «Nova Aliança» que Jesus estabeleceu com o mundo. Para designar o mistério do Batismo há muitas expressões bíblicas e dos autores cristãos, todas muito belas e expressivas: o Batismo (dos adultos) é dilúvio – fim dos vícios e começo de vida nova; é iluminação – abertura a novas perspectivas de vida; é ressurreição – começo de um modelo de vida que incluirá a vitória sobre a morte a consumar-se um dia.

Além destas expressões, S. Paulo usa outra comparação dizendo que o batismo é um «enxerto»: «somos enxertados em Cristo». Esta comparação é muito fecunda, e como em muitas regiões a Quaresma coincide com o tempo da poda, isso pode ajudar a perceber a importância da Quaresma como tempo de purificação da vida mais verdadeira. O enxerto supõe cortes na vara que o recebe e na vara que é «semente», fazendo que a seiva circulante conduza a nova produção. O podador liberta a videira dos ramos velhos ou que estão a mais, e orienta os novos para produzirem melhor. Sem esse cuidado o enxerto morre ou definha. O Batismo é, como o enxerto, morte e ressurreição: deixar a vida mundana para assumir a vida de Jesus ressuscitado

A catequese na infância e os exercícios espirituais da Quaresma destinam-se a desenvolver essa consciência batismal: a recepção do Sacramento da Penitência (Confissão), mais tempo de oração em casa e nas igrejas (nomeadamente a Via Sacra), alguma penitência pessoal pelos pecados próprios e dos outros, a abstinência de carne às sextas-feiras em espírito de unidade e de obediência à Igreja, e, finalmente, a partilha de alguns bens materiais, conforme determinou a Igreja.

Toda a Quaresma deve ser vivida com os olhos na Páscoa, como o viticultor faz o seu trabalho com os olhos postos no futuro, nunca separando a poda da perspectiva da vindima. O Evangelho diz que Jesus foi para o deserto conduzido pelo Espírito Santo. Isto convida-nos a viver os exercícios da Quaresma com alegria do Espírito santo recebido no batismo – filhos de Deus, membros da Igreja, atentos aos apelos da graça e fortes perante as tentações do mundo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O Leproso.


 
A Palavra de Deus neste domingo leva-nos ao fenómeno da lepra. Tal fenómeno complexo era semelhante à própria morte. A pessoa infectada com tal doença sofria horrivelmente em todas as dimensões: no seu corpo e no seu espírito.
Era motivo de marginalização, de exclusão, isolamento. Era sinónimo de impureza legal, sinal de maldição de Deus.
Na realidade o “coração” de um leproso era espaço de verdadeira amargura, de rejeição e morte.
A Lei determinava alguns procedimentos em ordem sanitária. Mas o ato de interpretar tal doença como uma maldição e como impureza legal fez com que os corações se tornassem duros, e as pessoas leprosas, totalmente excluídas, vivessem num sofrimento horrível e entregues a uma morte lenta e dolorosa.
Para o leproso crente certamente havia um caminho de busca do conforto de Deus, e uma oração sofredora que permitisse abrir horizontes.
O leproso do evangelho (Marcos 1,40-45) é um buscador do rosto de Deus. Nele reside uma esperança que é Jesus Cristo.
São significativos os passos que ele realiza como um verdadeiro discípulo: reconhece a sua fragilidade e o seu mal, aproxima-se com confiança, suplica com fé, realiza um encontro de vida, sente em si uma profunda transformação, parte cheio de alegria, testemunha Jesus Cristo! Ele que saiu do mundo da vida (a comunidade) e vivia nos espaços da morte, passa agora a viver com alegria no meio de todos e, cheio de vida, proclama o segredo de tal manifestação: Jesus Cristo.
Jesus Cristo é verdadeiramente maravilhoso e belo. É a beleza de Deus no magnífico esplendor de humanidade. O acolhimento que faz do leproso revela a personalidade tão cativante e encantadora, cheia de bondade e misericórdia. O Seu rosto não se desvia do rosto do leproso, possivelmente afetado já pela doença que desfigura!
Para O encontrar não há barreira de nenhum gênero. Ele destrói os preconceitos. Ele tem um olhar de vida voltado para os seus irmãos, por quem oferece a vida.
À súplica de cura Ele responde: quero! Ele é um Deus que quer os homens e mulheres libertos e felizes! Ele quer destruir todo o pecado e toda a morte. Ele quer tocar-nos na nossa miséria para nos curar. Ele quer a nossa humanidade. Ele quer cada um, mesmo que para isso seja crucificado!
Ele quer! E a Cruz e a Ressurreição é este querer de amor! E a Eucaristia é este amor tornado atual e próximo! É este querer contínuo.
Tocou-o. As mãos da mãe tocam o seu filho dando-lhe certeza de amor e segurança. As mãos do cirurgião tocam com finura, destreza, clareza e determinação. As mãos do médico tocam para analisar, “ver”, diagnosticar; as mãos da enfermeira são instrumento indispensável de tratamento. Jesus Cristo toca o leproso! Toca o cego! Toca os pés de Pedro e dos outros discípulos, lavando! Ele toca a nossa miséria mais entranhada e portadora de morte para dar vida.
Jesus Cristo é revelado nas palavras e nos gestos do leproso como verdadeiro Deus: O leproso prostrou-se, suplicou, apregoou como um profeta as maravilhas operadas nele. Na pessoa do leproso está patente o Mistério Pascal de Jesus Cristo. Ele pede ao leproso para não dizer nada a ninguém. Não quer ser confundido com um messias ao sabor do triunfalismo, da arrogância e do poder! Quer que primeiro aconteça a sua morte e ressurreição para se perceber que é dando-se totalmente que nos salva.
Em cada Missa nós vivemos a experiência intensa do amor de Cristo. Não é mera recordação, mas presença viva de um amor totalmente doado a nós- para que o mesmo mistério pascal- nos penetre e nos faça saltar de alegria e entusiasmo.
 
 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Jesus nos ensina a verdade sobre o sofrimento



Deus não quer o sofrimento, como nos ensina o Evangelho deste Domingo (São Marcos, 1,29-39). «A sogra de Simão estava de cama com febre [...]. Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los
O Evangelho apresenta exemplos claros de como Jesus procurava acabar com o sofrimento, quando se cruzava com ele no seu caminho. Cura a sogra de Pedro e todos os doentes que a Ele acorrem. Também o sofrimento causado diretamente pelo demônio é sanado.
Mas não é possível acabar com todo o sofrimento do mundo. A nossa falta de aceitação de muitas coisas que até poderiam deixar-nos felizes é a primeira fonte de muitas dores.
O obsessão em fugir de tudo o que custa algum sacrifício, a procura obstinada do caminho mais fácil são outras tantas fontes de onde jorram lágrimas.
Além disso, é preciso ter presente que a mesma limitação da nossa natureza – uma capacidade que se desgasta com o andar dos anos – e a necessidade que temos de uma contínua correção do caminho a seguir, custam-nos.
Ao retirar-se para fazer oração e ao cumprir inteiramente a missão que o Pai Lhe confiou, Jesus ensina-nos como havemos de encontrar remédio para os nossos sofrimentos ou tirar proveito deles.
«Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios
A passagem de Jesus faz surgir uma esperança em todos os que sofrem e um movimento de solidariedade, de tal modo que uns quantos voluntários transportam os doentes ao encontro de Jesus, para que os cure.
A ajuda que o Senhor nos pede é aproximá-los de Jesus pela oração e pelos sacramentos, além da ajuda amiga que lhes podemos prestar no alívio das suas dores.
Rezar com e pelos que sofrem, ajudando-os a ver a sua cruz à luz da fé é uma ajuda indispensável que lhes devemos prestar.
Quando visitamos um doente – sem cair na crueldade de despertar nele falsas esperanças de cura – havemos de deixá-lo mais conformado, mais otimista, vendo o seu sofrimento com outros olhos. Temos o melhor bálsamo para lhes aplicar que são as verdades da nossa fé.
Um dos tormentos que os acompanham é a convicção de que são inúteis, um peso insuportável para os seus. Isto não é verdade. Eles atraem sobre quem os trata as melhores bênçãos do Céu, porque é Jesus Cristo em pessoa que veneraramos no doente, com Ele nos disse: «O que fizerdes ao mais pequenino destes é a Mim que o fazeis
Além disso, possibilitam em quem os trata lucrar muitos merecimentos e expiar os seus pecados.
Eles são grandes corredentores. É preciso interessá-los para que ofereçam os sofrimentos pelos grandes problemas da Igreja.
«Simão e os companheiros foram à procura d’Ele e, quando O encontraram, disseram-Lhe: “Todos Te procuram”.»
Como os doentes contemporâneos de Jesus na terra, também nós temos necessidade de O procurar onde Ele Se encontra.
Podemos encontrá-lo na luz da Sua Palavra, na intimidade da oração e na força dos sacramentos, especialmente no da Reconciliação e Penitência e no da Eucaristia.
Toquemo-lo. Encontremo-nos com Ele, cheios de esperança, na Missa de cada Domingo.
Talvez não nos cura as dores físicas, mas o Seu Amor é bálsamo que as suaviza e conforta.
Maria, corredentora pelo sofrimento, sobretudo junto à Cruz, estará connosco para nos ajudar.


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Acolher o dom de Deus





«Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: “Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus.”», nos fala o Evangelho desde domingo, tirado do Evangelho de São Marcos, 1,14-20.
Jesus passa continuamente junto de nós, para nos chamar à conversão, à mudança de vida.
Fala-nos por inspirações interiores, por uma boa leitura feita pessoalmente ou escutada na Liturgia; por uma conversa com uma pessoa amiga e de muitos outros modos.
E muitas vezes encontra-nos distraídos, hipnotizados por valores efêmeros que passam rapidamente. O importante é que nos esforcemos por ler a mensagem que Ele nos envia e procuremos segui-la.
A que Jesus nos convida? «Arrependei-vos e acreditai no EvangelhoEle quer mesmo uma resposta de nossa vida, dizendo-nos: “Vem e segue-Me!”. Segui-lo em que?
Em primeiro lugar, na vocação pessoal. O importante não é fazer aquilo que mais gosto, mas a vontade de Deus. Se uma pessoa começa uma caminhada enganando-se no caminho, como pode chegar à meta?
Devemos também segui-lo na oração. Estabelecemos um plano para cada dia, mas somos tentados pela preguiça, que até se disfarça
O trabalho profissional, momento a momento, é uma ótima expressão de como seguimos a Jesus: pontual, bem feito, com alegria e fomentando um bom ambiente entre os companheiros.
No encontrar tempo para os outros: parando um instante para os ouvir; visitando um doente ou idoso; prestando uma ajuda a quem dela precisa...
É numa conversão contínua, respondendo a estes apelos que nos parecem sem importância, que havemos de acolher o convite de Cristo que passa.
Apressemos o passo. «Disse-lhes Jesus: “Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens”. Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O
Para seguir a Jesus Cristo é preciso apressar o passo, vencer a nossa preguiça que nos instala em hábitos de comodismo.
Por vezes, encontramos pessoas convencidas de que, para seguir a Cristo, é preciso que nos desliguemos da realidade deste mundo.
Na verdade, há pessoas que recebem essa vocação de entregar a vida numa vocação contemplativa.
Mas a maioria dos cristãos são chamados à santificação pelas realidades deste mundo: na, família, na política, na economia e, em geral, em todas as atividades humanas honestas.
Às vezes hesitamos em fazer o que Deus quer, por medo a sermos infelizes. A realidade ensina-nos exatamente o contrário: cada chamamento de Jesus Cristo é para nos tornar felizes.
A Santa Missa que celebramos é um apelo a esta urgência, mesmo quando a decisão nos custa. Jesus Cristo dá-nos o exemplo desta fidelidade à vontade do Pai, sem olhar a sacrifícios.
Jesus Cristo passa na Missa Dominical e dirige-nos as mesmas palavras que ouviram os Pescadores da Galileia: “Vem e segue-Me!” Há sempre um pedido que Ele tem a fazer-nos.
Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, é o exemplo perfeito da docilidade ao que o Senhor lhe pede: procura conhecê-lo com a exatidão possível e, logo que vê o que o Senhor quer, entrega-se sem condições.

Peçamos-Lhe nos alcance a graça de respondermos aos apelos do Senhor com generosidade e alegria.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

“Mestre, onde moras?”




Dois discípulos de João Batista, como nos narra o Evangelho deste domingo, perguntam a Jesus: “Mestre, onde moras?”.
João Batista respondeu aos discípulos apontando-lhes para o «Cordeiro de Deus», que passava. E eles tiveram curiosidade de saber mais sobre Jesus, onde Ele morava, isto é, conhecê-Lo melhor. E acabaram por passar o resto do dia com o Senhor. Ficaram sabendo onde é que Ele morava, de que vivia, com quem vivia! «Vinde e vede!» Em última análise, a morada de Jesus é o amor do Pai. É desse amor que Jesus vem, a partir desse amor age, para o Amor do Pai conduz: «na casa de meu Pai há muitas moradas. … Vou preparar-vos um lugar» (João 14, 2).
Não basta ir ver. É preciso ficar, permanecer no seu amor (João 15, 9), na sua Palavra, na videira (João 15, 5) de que somos ramos. Na Eucaristia, Jesus diz-nos mais do que «Vinde e vede». Diz: «Comei e bebei». Ele se dá como alimento. E passamos nós a ser morada dele. Com os irmãos que comungam, somos sacrário ambulante, em que Ele está presente. Não o podemos esquecer!
«Onde moras
Foi o seu mestre, Heli, quem ensinou Samuel a reconhecer a voz de Deus, a escutá-la e a reagir a ela, como nos ensina a 1a Leitura (1o Samuel, 3,3b-10.19).
João Batista indicou aos seus discípulos o caminho para Jesus. André levou Pedro ao Messias. «Vinde e vede!» (João 1, 39). André viu como Jesus vivia e quis ficar. E gostou tanto, que fez propaganda: «encontramos o Messias!» Pedro também quis ver e «foi visto» e interpelado. Simão transforma-se em Pedro, sinal de mudança de vida.
Vocação é chamamento, é ser olhado com amor e responder com amor, depois de ser visto e de ter visto! Deus tem os olhos em mim. Devo pôr os meus olhos em Deus! E convidar outros! Deus serve-Se de pessoas para chamar outras pessoas. Somos todos intermediários daquele que chama, somos «embaixadores de Cristo» (2 Coríntios 5, 20) e enviados, como os Apóstolos, para transmitir a Boa Notícia.
Normalmente, a vocação depende de pessoas que chamam a atenção para ela, a interpretam e a fomentam: pais, sacerdotes, professores, catequistas. Quem é chamado ao seguimento de Cristo, deseja ver como vivem os intermediários da vocação, para se deixar convencer. Daí a responsabilidade de todos no que respeita às vocações de serviço na Igreja. Temos que ser coerentes, na vida, com a fé que professamos e com a mensagem que queremos comunicar. E, evidentemente, temos que pedir, em oração, que «o Senhor da messe envie trabalhadores para a sua messe» (Mateus 9, 37-38).
No início deste novo ano contemplemos de novo a disponibilidade de Maria, Senhora do “sim”, e saibamos, como ela, responder com toda a prontidão: “Eis-me aqui: faça-se a tua vontade!” (cf. Lucas 1, 38).


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Festa do Batismo do Senhor




Jesus veio de Nazaré. Nazaré era uma aldeia pobre, pequena, obscura e desconhecida. Ficava situada na Galiléia, que também era uma terra desprezada, por ser habitada por gente pagã. Isto significa que Jesus era desconhecido de todos, em Israel. Mas esta cena do Batismo vai dar início a uma vida pública. Jesus é apresentado por Deus Pai como Messias, Salvador! Os cerca de trinta anos de silêncio vão dar lugar a três anos de pregação luminosa que vão mudar a face da terra. A sua mensagem há de ressoar por toda a Palestina e por toda a terra! Jesus tornar-se-á o Senhor do tempo, da história e da eternidade!
O rio Jordão! Este é o rio mais singular, do mundo. Em hebraico, “Jordão” significa aquele que desce. Este rio tem a sua nascente no monte Hermon, a 520 metros de altitude. Percorre cerca de 220 quilómetros e vai desaguar no Mar Morto, o ponto mais baixo do globo: 394 metros abaixo do nível do mar! Que descida! Que significado espiritual tem esta descida? As pessoas vinham ter com João Batista para serem batizadas. Ele anunciava um novo batismo no Espírito Santo. Quem seria o autor desse novo Batismo? João fala de Alguém mais forte que ele. Esse Alguém é Jesus, o Filho de Deus, que sendo de condição divina, desceu até à nossa condição humana. Habitando no Céu, desceu até nós. Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, veio habitar conosco! Veio salvar os pecadores. Que humildade! Mas quem se humilha será exaltado! Desçamos nós também às águas do batismo para sermos elevados à dignidade máxima da filiação divina!
Abriram-se os céus! Há quem pense que o céu está fechado! Há quem diga que Deus não fala! Contudo, Deus faz ecoar aos nossos ouvidos a sua voz para nos repetir que Jesus é o seu Filho muito amado! Nós que acreditamos em Jesus e fomos batizados em seu nome também somos seus filhos! Filhos em quem Deus Pai coloca toda a Sua complacência! O Batismo abre-nos as portas do Céu! Nas águas do rio Jordão começou uma nova criação! Na água do nosso batismo renascemos para a vida nova da graça divina! “Pelo batismo fomos sepultados na morte de Jesus Cristo, para que, tal como Jesus ressuscitou de entre os mortos, também nós caminhemos numa vida nova e participemos na Sua ressurreição” (Romanos 6,4-5).
Vale a pena recordar o que nos ensinam alguns parágrafos do Catecismo da Igreja Católica sobre este Sacramento tão importante, o Batismo :
"§ 172 Há séculos, mediante tantas línguas, culturas, povos e nações, a Igreja não cessa de confessar sua única fé, recebida de só Senhor, transmitida por um único batismo, enraizada na convicção de que todos os homens têm um só Deus e Pai, São Irineu de Lião, testemunha desta fé, declara:
§ 1226 A partir do dia de Pentecostes, a Igreja celebrou e administrou o santo Batismo. Com efeito, São Pedro declara à multidão impressionada com sua pregação: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para a remissão de vossos pecados. Então recebereis o dom do Espírito Santo" (At 2,38). Os Apóstolos e seus colaboradores oferecem o Batismo a todo aquele que crer em Jesus: judeus, tementes a Deus, pagãos. O Batismo aparece sempre ligado à fé: "Crê no Senhor e serás salvo, tu e a tua casa", declara São Paulo a seu carcereiro de Filipos. O relato prossegue: "E imediatamente [o carcereiro recebeu o Batismo, ele e todos os seus" (At 16,31-33).
§ 1236 O anúncio da Palavra de Deus ilumina com a verdade revelada os candidatos e a assembléia, e suscita a resposta da fé, inseparável do Batismo. Com efeito, o Batismo é de maneira especial "o sacramento da fé", uma vez que é a entrada sacramental na vida de fé.'
§ 1253 O batismo é o sacramento da fé. Mas a fé tem necessidade da comunidade dos crentes. Cada um dos fiéis só pode crer dentro da fé da Igreja. A fé que se requer para o Batismo não é uma fé perfeita e madura, mas um começo, que deve desenvolver-se. Ao catecúmeno ou a seu padrinho é feita a pergunta: "Que pedis à Igreja de Deus?". E ele responde: "A fé!".
§ 1254 Em todos os batizados, crianças ou adultos, a fé deve crescer após o Batismo. E por isso que a Igreja celebra cada ano, na noite pascal, a renovação das promessas batismais. A preparação para o Batismo leva apenas ao limiar da vida nova. O Batismo é a fonte da vida nova em Cristo, fonte esta da qual brota toda a vida cristã.
§ 1255 Para que a graça batismal possa desenvolver-se, é importante a ajuda dos pais. Este é também o papel do padrinho ou da madrinha, que devem ser cristãos firmes, capazes e prontos a ajudar o novo batizado, criança ou adulto, em sua caminhada na vida cristã. A tarefa deles é uma verdadeira função eclesial ("officium"). A comunidade eclesial inteira tem uma parcela de responsabilidade no desenvolvimento e na conservação da graça recebida no Batismo.”




segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Festa da Sagrada Família de Nazaré

 
O Senhor aceita as boas intenções, os bons procedimentos, a sinceridade e a ajuda contra os inimigos, como ações justas e meritórias.
Abraão auxilia os prejudicados por roubos, assassinatos, liberta-os vencendo os maldosos, repondo a legalidade, resgatando os prisioneiros e castigando os traidores da usura e saque.
Respeita a aliança com seus amigos, reparte e só pretende aquilo a que tem direito. Isso agradou ao Senhor que lhe promete um desejado descendente, firma com ele uma aliança inquebrável.
Deus atende as queixas do primeiro patriarca do povo que convida a formar.
A atitude de Abraão, ensina-nos a:
Ouvir a voz de Deus e a ir em socorro de quem precisa,
A corrigir os que erram e a libertar os cativos das maldades,
A acreditar sempre na palavra de Deus que não engana, não erra e cumpre sempre, pois, no tempo devido e prometido, nasce Isaac.
Deus preparou a vinda de Seu Filho, o Messias, durante séculos e envia-o no tempo que julgou mais oportuno.
Foi herdeiro, aquele que resgata, vencedor dos inimigos do bem, operando a maior batalha contra os que desrespeitam Deus; ganhou pelos sofrimentos, paixão e morte.
Na atual revolução social, a célula familiar está particularmente em perigo. Seu direito tradicional, sua moral, sua economia, sua função são postos em discussão.
– Do ponto de vista moral, o divórcio, o espinhoso problema da limitação da natalidade, o aumento do número dos matrimônios fracassados obrigam os cristãos a retomar consciência de caráter sagrado da família cristã.
– São Paulo apresenta o amor dos esposos entre si para que a harmonia conjugal, querida por Deus, não seja desequilibrada. Para isto sugere uma terapia salutar: misericórdia e bondade, humildade, mansidão e paciência, e o cultivo da compreensão e caridade.
Cristo deu origem a esta instituição – o matrimonio – Sacramento – como fonte de graça, segundo o modelo do Seu amor pela Igreja. O amor conjugal é, portanto, um meio de santificação para o cumprimento dos deveres do estado conjugal (Gaudium et Spes, 48).
Estes deveres concretizam no estado conjugal dos deveres gerais, derivados da família do povo de Deus, como nos ensina a 2.ª Leitura da Missa de hoje (Colossenses 3,12-21).
A Família de Nazaré é o modelo de convivência e da mútua compreensão.
Este Evangelho de hoje (Lucas 2,22-40) apresenta, em sua primeira parte e na conclusão, a sagrada família cumprindo a lei, isto é, plenamente inserida na ordem social.
Tem um desenvolvimento teológico-pascal e a mãe aparece estreitamente unida, na dor, ao destino do filho. Jesus é aqui descrito como o Messias do Senhor, isto é, como o ungido por excelência, destinado a uma obra de salvação que cumprirá realizando em Si a figura do Servo sofredor.
Na Sagrada Família, como tidas as outras, há alegrias e tristezas, desde o nascimento até a infância e a idade adulta; ela amadurece através dos acontecimentos alegres e tristes para cada um de seus membros.

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